Rua Direita
Terça-feira, 3 de Maio de 2011
Francisco Mendes da Silva

Paulo Portas declarar-se como candidato a primeiro-ministro é mais do que uma "gesto natural". É, como dizia Nélson Rodrigues, "o óbvio ululante".

 

O CDS é um dos partidos fundadores da democracia portuguesa, com presença ininterrupta no Parlamento e experiência de governo. É um partido que, entre os que nele se revêem e participam - militantes ou não -, conta com muitas das pessoas que mais se destacam na vida pública portuguesa. Mas mais do que um corpo de quadros reconhecível e reconhecido, o CDS simboliza e promove um corpo ideológico e doutrinário próprio e distinto dos demais partidos portugueses. Não se trata sequer de uma proposta política inaudita, radical ou exótica: o CDS, como casa das três grandes tradições da direita democrática (o conservadorismo, o liberalismo e a democracia-cristã), é o único verdadeiro congénere português dos principais partidos da direita europeia (os conservadores ingleses, o Partido Popular espanhol, a CDU alemã, a direita francesa - nas suas diferentes e sucessivas formas institucionais -, etc.). O CDS chega a estas eleições com uma legislatura em que pôde apresentar uma folha de serviço invejável, tendo sido um exemplo de confiança, competência, abertura à sociedade, renovação de quadros e, nesta última fase de negociação da ajuda financeira externa, de prudência e sentido de Estado. De tal forma assim é que, pela primeira vez em cerca de três décadas, poucos são os que não acham que o CDS fará parte de uma coligação governamental (e que o melhor mesmo é que assim seja). Aliás, a crise financeira a que teremos de dar solução resulta, precisamente, de muito do que o CDS historicamente combateu, tantas vezes sozinho: um Estado obeso, colonizado pelo PS e pelo PSD, dependente das promessas feitas aos e pelos seus caciques, desconfortável com a liberdade dos indivíduos, das famílias e das empresas, sôfrego e imprudente com dinheiro de que os priva.

 

Pela sua natureza, história e mérito, o CDS não pode deixar de se afirmar como um partido cuja vocação é a governação do país. Desconheço uma razão para que o seu líder não se ache o melhor líder político para Portugal. A não ser o receio de que essa posição seja desconcertante para os portugueses. Nós, os portugueses, detestamos que nos incomodem no concerto dos nossos preconceitos e na nossa incapacidade patológica de ver o óbvio ululante.   

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Publicado Por Francisco Mendes da Silva em 3/5/11
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