Rua Direita
Terça-feira, 3 de Maio de 2011
Zélia Pinheiro

O mais recente mistério da vida política portuguesa começa com o governo que está a negociar um pacote de ajuda financeira externa - ajuda essa de montante superior ao total dos fundos comunitários recebidos pelo País nos últimos 25 anos - sem que às negociações presida, ou sequer tome parte, o ministro das finanças desse governo.

O actual ministro das finanças é responsável pelos rumos financeiros do País desde há 6 anos e foi o primeiro a anunciar a necessidade de o País recorrer à ajuda financeira externa.

O mesmo ministro, pouco antes do seu desaparecimento, deu a saber estar iminente uma ruptura de tesouraria do Estado, ao declarar publicamente que estavam em risco os pagamentos correntes já a partir do mês de Junho - o que torna legitimo recear pelos salários de meio milhão de pessoas.

Ora, há mais de uma semana que o ministro não toma parte nas reuniões de negociação do apoio externo, para perplexidade dos próprios enviados das organizações internacionais que se deslocaram até nós para acertar os termos da ajuda, e quando as negociações se encontram numa fase crucial, sendo sabido que as mesmas devem estar concluídas no inicio de Maio.
 
Mas, surpreendentemente, o maior mistério político português da actualidade não é o paradeiro do ministro desaparecido.

O partido que apoia o governo em funções há 6 anos e, portanto, que conduziu o Estado à actual pré-falência, apresenta-se a eleições após as quais, se vencedor, deverá formar governo e debater-se com a gestão da maior crise financeira do País desde tempos imemoriais, sendo de esperar que fosse determinante para os eleitores conhecer e confiar no rosto da política financeira desse presumível governo.

Mas esse partido vai a votos sob a mesma liderança, sem conseguir desmentir que o ministro das finanças se afastou por incompatibilidade política de fundo com essa liderança, e sem dar qualquer sinal quanto ao hipotético futuro responsável pela pasta.

O maior mistério é, neste cenário, esse partido, com esse ministro das finanças fantasma, estar a subir nas sondagens, a ponto de aparentemente poder vir a ser o partido mais votado.

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Publicado Por Zélia Pinheiro em 3/5/11
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