Rua Direita
Terça-feira, 3 de Maio de 2011
Francisco Mendes da Silva

O Carlos Martins cita Churchill a propósito da sua defesa (do Carlos) do sistema de "voto alternativo" - que vai esta semana a referendo no Reino Unido. Diz que a citação é um "lugar comum" mas o que ela é, em boa verdade, é um paradoxo. Com um sistema de voto alternativo, Churchill nunca teria sido eleito deputado e feito a carreira política que conhecemos.

 

São muitas as desvantagens de tal sistema, não sendo sequer a complexidade a maior de todas. Com ele, pode acontecer (e acontece muitas vezes) que o político eleito não é o que por mais pessoas foi escolhido como o melhor. Se isso não é uma facada na democracia, não sei o que seja. Mas a coisa é bem pior do que isso. Para um candidato vencer umas eleições segundo o sistema do voto alternativo, tem de assegurar que recolhe o maior número de "segundas preferências". Tem, no fundo, de ser aquele candidato que não chateia nem choca ninguém, de modo a ser o segundo preferido de toda a gente. Como muito bem se defende neste editorial da Spectator, o sistema do voto alternativo é um alfobre para a brandura e para a homogeneidade - para políticos banais e desinteressantes. É o seguro de vida dos que se conformam, que se deixam liderar e amestrar pelo politicamente correcto e pelos preconceitos circunstancialmente vigentes. O voto alternativo impede a inteligência, a novidade e o reformismo, e mantém à distância os políticos de confronto, convicção e rasgo. Em Inglaterra, em vez de Chuchills, Thatchers, Tony Benns, Ken Livingstones ou Boris Jonhsons, teríamos um Parlamento de Nick Cleggs. Por cá, na vida política - que já é uma sensaboria - seriam só Tozés Seguros. Uma tragédia. 

 

O sistema do voto alternativo pode parecer bom para o CDS, como partido que se intromete entre os dois semelhantes cujas bases de apoio se odeiam. Mas convém que não se deixe encantar por essa sereia, que nada de favorável tem a oferecer a partidos descomplexados e que gostam de agitar a mansidão instalada.

Publicado Por Francisco Mendes da Silva em 3/5/11
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2 comentários:
De CM a 3 de Maio de 2011 às 20:52
uma ligeira correcçao: eu nao defendo o "voto alternativo", apenas considero um bom contributo para que se repense a forma da democracia. alias, considero igualmente que ha beneficios nos dois metodos em disputa.


De Fernando Sousa da Pena a 8 de Maio de 2011 às 22:53
Permita-me discordar. O sistema de "um homem um voto" produz distorções sensíveis nas escolhas dos eleitores. Há exemplos clássicos muito eloquentes. A alternativa é a contagem de Borda.


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