Rua Direita
Quarta-feira, 4 de Maio de 2011
CM

Muito se tem discutido e argumentado sobre as vantagens de reestruturar ou pura e simplesmente deixar de pagar o que devemos. Para além da óbvia imoralidade da coisa - isto é, gastamos o que temos e nao temos, e ainda deixamos o credor "a arder" com o "calote" - há muitas variáveis a considerar.

 

Desde logo, um "haircut", extensao de maturidade ou renegociaçao de cupões de juro na dívida emitida - como tem vindo a ser pedido por muitos agentes - tem um impacto no curto prazo, já que objectivamente teremos muito menos "principal" (ou montante de capital em dívida) para reembolsar, e portanto, menor Dívida sobre PIB. Claro que seria um mar de rosas não fosse o terrível longo prazo que sempre tramou Keynes, já que esta solução implicaria um carimbo de "incumpridor" que perduraria durante décadas no passaporte de Portugal - leia-se, um spread adicional sempre que quisessemos voltar a pedir emprestado. Ou seja, no longo prazo, o PIB cairia tanto que dificilmente compensaria a quebra da dívida resultante da renegociaçao.

 

E a questão resume-se muito a esta ultima parte: voltar a pedir emprestado. Portugal é deficitario comercialmente, mesmo em termos alimentares. Um impedimento de financiamento impediria satisfazer as mais básicas necessidades de importaçao de matérias primas energéticas ou alimentares. Por outro lado, com ou sem euro, o financiamento seria extraordinariamente complicado: sem euro, seria dificil pedir emprestado sabendo os credores que seriam reembolsados em moeda a ser constantemente desvalorizada; com euro, os juros necessariamente altos (dado o carimbo de incumpridor) seriam de tal ordem que tornariam o financiamento proibitivo (quem voltaria a emprestar a bancos ou empresas portuguesas?).

 

Em suma, deixar de pagar nao só mergulharia o País num caos social e financeiro, como tornaria o crédito para todos demasiado caro para se usar. É uma soluçao a evitar a todo custo, até porque pessoas e Estados tem o dever de fazer tudo para honrar os seus compromissos e nao simplesmente endividarem-se e depois culpar quem emprestou. A responsabilidade e responsabilizaçao deve caber a todos. A honra que pagar tudo o que devemos.

 

Conclusao: a nao ser que queiramos tornar Portugal numa autarcia depois de renegociar a dívida, o melhor mesmo é - já que fomos tao lestos a pedir emprestado - tentar pagar o que devemos.

 

Publicado Por CM em 4/5/11
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