Rua Direita
Quarta-feira, 4 de Maio de 2011
Margarida Bentes Penedo

Aparentemente, “acordaram reduzir número de câmaras e freguesias”. Há muito tempo que havia quem dissesse que isto tinha de se fazer.

 

Tomemos, por exemplo, Barrancos. Para cerca de 1900 habitantes, com uma alta taxa de desemprego, tem uma Câmara Municipal e uma Freguesia. Isto serve para dar que fazer a uma boa percentagem dessas pessoas, cujo trabalho não sendo precário é altamente entediante uma vez que não há rigorosamente nada de que um funcionário municipal se possa ocupar em Barrancos.

 

Para acabar com este flagelo sugiro, para o interior do país, uma solução mais estimulante, mais musculada e mais atractiva do ponto de vista ambiental: a criação de grandes reservas naturais e turísticas. Seriam divididas em parques temáticos, com funcionários vestidos de alentejanos, montanhas russas, e museu de cera. Dispunham-se umas velhinhas amorosas a fazer queijos e uns tractores sempre a andar de um lado para o outro, para dar ritmo. Como os tractores seriam movidos a energias renováveis, que têm a grande desvantagem de não fazer barulho, no atrelado tinhamos que escanchar uns administrativos, escolhidos entre os que apresentassem maior resistência de caixa toráxica, para simular o ruído tão bucólico dos motores a diesel.

 

Este tipo de proposta tem a vantagem de poder contribuir para o escoamento da imigração, convidando inclusivamente alguns cidadãos estrangeiros a optar entre uma visita turística de contacto rural, um período de formação ou trabalho temporário, ou até mesmo a sua instalação definitiva caso a experiência lhes agradasse. Já estou a ver os técnicos do FMI, UE e BCE enfiados dentro de uns ponchos, guitarras nos braços a percorrer a propriedade, entoando “a igreja estava toda iluminada, e ela estava já casada, a mulher que eu adorei”, desempenhando com aquela pronúncia misteriosa do norte o papel de Trio Odemira.

 

Pela minha parte, já me estou a preparar para o casting. Espalho um excesso de cor azul a toda a volta dos globos oculares e uns borbotos de carmezim a escorrer das comissuras da boca. A seguir apoio a testa com as costas da mão, digo “ai eu, ai a minha vida, que será isto que ê têinho” e candidato-me ao lugar de Florbela Espanca.

 

Agora a sério: confesso que ainda não percebi porque é que se propõe acabar com o Ministério da Agricultura. O CDS não.

Publicado Por Margarida Bentes Penedo em 4/5/11
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6 comentários:
De Adolfo Mesquita Nunes a 4 de Maio de 2011 às 16:18
like!


De Margarida Bentes Penedo a 4 de Maio de 2011 às 16:20
Humbly report, Sir, thank you Sir.


De José Santa Clara a 5 de Maio de 2011 às 17:01
É esta a moça que eu conheço... :-)
E se vão acabar com o Ministério da Agricultura, coisa que duvido, será talvez para criar um "da Lavoura"...


De Margarida Bentes Penedo a 5 de Maio de 2011 às 17:39

Provavelmente. Com a respectiva Secretaria de Estado da Criação.


De Margarida Bentes Penedo a 6 de Maio de 2011 às 15:41

Por lapso, foi apagado um comentário deixado por "J" e que dizia o seguinte:

"Cara dona Margarida, se o disparate pagasse impostos, estavam as finanças do Estado equilibradas. Fala do que não sabe e insulta os barranquenhos. Já agora se me permite uma proposta, para esses parques temáticos de alentejanos nada melhor que uma directora que ter como directora aquela que lançou a brilhante ideia. Força Margarida."

Pelo facto, pedimos desculpa.


De Margarida Bentes Penedo a 6 de Maio de 2011 às 16:40

Eu como directora? Não podia ser. Saía caríssimo aos cofres do estado, bem vê. Pagavam-me o posto de Florbela Espanca mais o posto de directora que, como se está mesmo a ver, sería desempenhado fora do horário laboral e inteiramente remunerado em horas extraordinárias. A directora tería de ser uma pessoa com experiência de encenação e com longo traquejo na produção de espectáculos que ninguém quer ver. Alguém que tivesse sobre as artes uma perspectiva socialista.


Já para o imbecil que se lembrasse de pôr esta ideia em prática, proponho que lhe fosse destinado o lugar de boi.



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