Rua Direita
Quarta-feira, 4 de Maio de 2011
António Sousa Leite

Ultimamente tornou-se um lugar-comum na nossa opinião pública que é indiferente o sentido de voto que se tome nas próximas eleições, que as medidas a ser tomadas pelo próximo governo serão “decididas” pelo FMI e que é indiferente um voto à esquerda ou à direita. Há muito quem defenda que apenas o voto em branco é uma boa forma de protesto face ao estado a que chegamos.

 

Por um lado, temos que admitir que há um fundo de verdade nestas afirmações; que, à excepção da demagogia da extrema esquerda que, sabendo que nunca há-de chegar ao poder, defende exóticos impostos sobre grandes fortunas, o que quer que isso seja, e afins, e que o nosso estado não pague o que deve, todos os outros terão que seguir pelo caminho de um forte emagrecimento do estado e uma procura de um aumento das suas receitas.

 

No entanto, as próximas eleições serão na verdade as mais importantes dos últimos anos: por um lado, o voto num determinado partido permitirá adaptar, dentro da pouca liberdade que nos resta, onde serão aplicados os maiores sacrifícios; por outro, e mais importante, o voto de  Junho decidirá quais serão as grandes reformas a ser tomadas que, não tendo efeitos a curto prazo, terão grande importância no futuro do nosso país.

 

Aliás, da análise do memorando de entendimento com a chamada "troika", verifica-se que deste apenas constam medidas económicas e principlamente orçamentais (que são, aliás, aquelas nas quais têm legitimidade de fazer exigências), quando o problema do nosso país é bastante mais vasto. A raíz do problema está na crise de valores, na inércia da justiça, da falta de qualidade da educação. O problema está, acima de tudo, nas políticas socialistas de nivelamento por baixo, de protecção do infractor, de amiguismo.

 

A crise que vivemos é uma oportunidade para tomarmos as importantes reformas que são precisas. Por isso, agora é imperativo um voto alternativo à política vigente nos últimos anos, que nos trouxe ao buraco onde vivemos. Nesta altura é preciso votar num partido que queira limitar os milhares de apoios sociais, para os quais não há dinheiro, justamente para garantir que quem mais precisa não perde esses direitos; é preciso votar num partido que defenda uma verdadeira reforma da justiça, para que os criminosos sejam rápida e severamente punidos.

 

Principalmente quando se percebe que os nossos governantes mentiram e mentem aos portugueses, Portugal precisa de votar em peso contra eles. E precisa de votar CDS. A viragem à direita é essencial para que, diminuindo o peso do estado na economia e na sociedade, a sua acção onde é realmente necessário seja imparcial e firme. Para que se aposte, a longo prazo (já que num país falido isso é impossível), num país em que os impostos baixos, garantidos por um estado com a medida certa, aumentem a  sua competitividade e assim permitam que o investimento cá feito aumente a qualidade de vida dos portugueses.

 

É necessário votar em quem não diabolize a iniciativa privada no sector social. O que importa é que os portugueses tenham os melhores serviços públicos possíveis, independentemente de quem os forneça. Se um privado fornece um melhor serviço e a menor custo que seria feito pelo estado, não há razão para que não seja este a fornecer esse serviço, que não sendo estatal não deixará concerteza de ser público. E viu-se, ainda há pouco tempo, por exemplo nos casos de colégios com contrato de associação, ou de contratualização com as Misericórdias de prestação de cuidados de saúde, que os partidos de esquerda não têm essa independência dos seus dogmas que se impõe.

 

Por tudo isto, mais do que nunca, é necessário um votar! E mais que tudo, é preciso votar à direita, dando força ao CDS para que se possam implementar as medidas de que o país tanto precisa.

 

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Publicado Por António Sousa Leite em 4/5/11
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3 comentários:
De Anónimo a 4 de Maio de 2011 às 23:33
> implementar as medidas

As medidas já estão escritas. Se querem ganhar eleicoes, prometam proscrever os ladroes e confiscar-lhes a propriedade, para aliviar o sacrificio dos cidadãos honestos.




De Ahaha a 5 de Maio de 2011 às 13:52
E acabar de vez com os partidos a serem "alimentados" pelo OE? Não? Que tal TODOS os partidos viverem apenas da quotização dos seus militantes? Não ajudaria a reduzir a dívida? Se defendem a não actuação do Estado comecem por aí!

Sou apartidário.


De António Sousa Leite a 6 de Maio de 2011 às 15:03
Por mim, à partida nada contra. No entanto tínhamos também de assegurar que fossem cumpridos limites aos gastos de cada partido, para que os partidos grandes não fossem beneficiados pela sua maior dimensão (que, como está visto, não é sinónimo de qualidade...), embora esta medida seja um pouco socialista.
Também é preciso distinguir o trigo do joio. já que há trabalhos de assessoria ao parlamento que são, e bem, pagos pelo OE, que servem para garantir apoio técnico ao trabalho dos deputados


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