Rua Direita
Sexta-feira, 6 de Maio de 2011
João Maria Condeixa

Enquanto não recorríamos à ajuda externa - que hoje já sabemos ter vindo tardiamente - andámos entretidos em leilões sucessivos de dívida pública a ponto do PM deixar de vender Magalhães para passar a vender títulos mundo fora. De balão em balãozinho de oxigénio fomos protelando o resgate, mesmo que o oxigénio estivesse a preços insustentáveis. Entretanto os interessados - viemos a saber - foram quase sempre os mesmos. Apesar das deslocações às Arábias e das vindas dos senhores do Sol posto, a dívida acabou por ser comprada, sobretudo pelos da casa: a banca portuguesa. E a história terminou onde já sabemos, quando estes disseram "Basta!".

 

Só que agora temos mais dados. E comparando os juros de hoje - ‎3,25% nos 3 primeiros anos e 4,25% a partir do quarto ano - com os juros de então, ficamos a saber que este atraso no pedido de ajuda, não só obrigou a um remédio mais severo, como se mostrou a solução mais dispendiosa. A teimosia de Sócrates - Teixeira dos Santos, por si, talvez até tivesse atirado a toalha aos 7%, como disse - representa, assim, sacrifícios  acrescidos e financeiramente a opção mais dolorosa.

 

Obrigado, Senhor Primeiro-Ministro!

Publicado Por João Maria Condeixa em 6/5/11
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2 comentários:
De António Parente a 6 de Maio de 2011 às 13:26
A taxa de juro que indica é só para a tranche do FMI (um terço do total?) e não para o empréstimo global. Os nossos parceiros europeus vão emprestar-nos à taxa de funding do momento mais um spread de 200 bp nos primeiros 3 anos e 300 pb no quarto ano.

Cuidado com as comparações com as taxas de mercado. Não é credível comparar com as taxas do mercado secundário (subiram até 12%) mas sim com as do primário e ai a taxa mais alta andou por volta dos 6,5%. O correcto é ver os benchmarks dos vários prazos no mercado primário e compará-los com o nosso spread.  É verdade quese  pagaram juros superiores mas não tão altos como o post faz supor. Além disso, é sempre possível usar o argumento de que o spread pago é fruto de mercados especulativos e o que pagámos a mais foi necessário para manter a nossa soberania (é um argumento político frágil mas bem trabalhado pode ser defendido).

Fico por aqui.


De João Maria Condeixa a 6 de Maio de 2011 às 18:59
António,

Não referi no post, mas sim, os juros referem-se apenas à tranche do FMI. Pelo que pude perceber, entretanto, a taxa de juro para os 2/3 de ajuda da responsabilidade da UE estima-se que ronde os 5 e tal por cento, possivelmente 6, o que fica aquém dos juros praticados no mercado primário.
Ou seja, houve um custo de oportunidade não equacionado ou uma má aposta financeira e uma péssima aposta política.
Quanto à questão da soberania, desvalorizo-a: o FMI, além de não vir para ficar, não é um opressor, mas antes uma instituição da qual Portugal faz parte. Já os compradores da nossa dívida não sabemos muito bem quem são e por que interesses se movem.
Obrigado pelo comentário que além de elucidativo também me permitiu ser um pouco mais claro..


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