Rua Direita
Sexta-feira, 6 de Maio de 2011
Filipa Correia Pinto

Gosto do acordo. Não gosto de todas as medidas, mas gosto da ideia de irmos mudar de vida. Gosto da ideia de emagrecer o Estado, de termos de repensar a organização territorial e administrativo, de flexibilizarmos as normas laborais, de reformarmos a organização judiciária e de acelerarmos o funcionamento da justiça. Gosto da ideia de apostar na qualificação da mão-de-obra e na educação dos recursos, ainda que sem aumentar o volume do investimento actual na Educação. Gosto da ideia de que e possível fazer melhor, com o mesmo ou até com menos.

 

Obviamente, não gosto da pressão fiscal, que é imensa e vai ser muito dura; nem gosto do congelamento dos salários, que já são baixos; nem me agrada a ideia de reduzir as pensões através de um aumento de tributação, especialmente porque, no caso, das pensões, o Estado devia estar em condições de devolver aos trabalhadores aquilo que coercivamente os obrigou a entregar-lhe e que, lá atrás, já foi tributado. Mas isso, santa paciência, é a única forma de pagar a conta, ou melhor o calote, que este governo nos deixou. Se se querem queixar, não votem nos mesmos. E, nesse caso, eu também gosto...

 

Compreendo, mas também não gosto, que não haja nada no programa que vá verdadeiramente estimular o crescimento económico ou o emprego: as medidas laborais e de simplificação administrativa, e o emagrecimento do Estado terão, creio, nenhum efeito positivo no consumo e na poupança no curto prazo, e mesmo no médio, sem crescimento económico e aumento das exportações, vai apenas garantir – e nesta fase, convenhamos, não é pouco – que conseguimos honrar os nossos compromissos. Por isso, como já disse aqui,  é imperioso que o Governo que sair destas eleições saiba, em paralelo, apostar no crescimento e na criação de riqueza: nisso, a troika em nada o condicionou.

Publicado Por Filipa Correia Pinto em 6/5/11
Link do Post | Comentar
1 comentário:
De Margarida Bentes Penedo a 6 de Maio de 2011 às 17:24
Também foi um dos aspectos que mais me desiludiu no acordo: a timidez do estímulo ao emprego e ao crescimento económico. Ficou-me a ideia de que as medidas podiam doer menos e ser mais eficazes.


Comentar post

Autores
Contacto
ruadireitablog [at] gmail.com
Subscrever Feeds
Redes Sociais
Siga o  Rua Direita no Twitter Twitter

Temas

'tiques socráticos'(6)

acordo(10)

administração pública(8)

ajuda externa(21)

alternativa(7)

bancarrota(13)

be(7)

bloco(11)

bloco central(5)

campanha(50)

cds(102)

cds-pp(12)

cds; psd(6)

comunicação(7)

constituição(6)

day after(8)

debate(12)

debates(52)

defice(8)

democracia(10)

desemprego(10)

desgoverno(11)

despesa pública(9)

dívida pública(11)

economia(20)

educação(19)

eleições(26)

esquerda(6)

estado social(23)

fiscalidade(14)

fmi(46)

futuro de portugal(17)

governar portugal(6)

governo(9)

humor(9)

josé sócrates(36)

legislativas 2011(6)

ler os outros(21)

maioria absoluta(26)

manifesto(32)

memorandum(38)

novas oportunidades(14)

passos coelho(13)

paulo portas(10)

política(15)

portugal(26)

programa de governo(7)

ps(108)

psd(73)

sair da crise(22)

saúde(6)

socialismo(19)

sócrates(63)

socrates(11)

sondagens(12)

troika(31)

tsu(7)

valores(6)

voto(9)

voto útil(32)

todas as tags

Últimos Links
Twingly Blog Search link:http://ruadireita.blogs.sapo.pt/ sort:publishedÚltimos Links para o Rua Direita
Pesquisar Neste Blog
 
Arquivos

Novembro 2011

Junho 2011

Maio 2011

blogs SAPO