Sexta-feira, 31 de Julho de 2009
Tomás Belchior

Esta insistência no tema do casamento homossexual é só o exemplo mais recente de tudo o que está errado neste socialismo matizado em que vivemos. Na discussão sobre a redução de impostos que temos tido aqui, tropeçámos inevitavelmente na questão das funções do Estado. Ora, uma das funções que o Estado não devia ter é precisamente esta, a de ser um agente de uma determinada moralidade.

 

O Estado deve, em primeiro lugar, tratar os seus cidadãos com moralidade e, quando for caso disso, fazer cumprir uma moralidade que emane de um consenso social tão alargado quanto possível. Não deve em caso algum participar na definição desse mesmo consenso. Deve retrair-se para dar lugar à participação cívica e ao processo de negociação natural que desemboca (ou não) nestas alterações culturais e nunca ser um instrumento para que uma minoria, por muito significativa e sonora que seja, use o "monopólio da violência legítima" para impor a sua vontade ao resto da sociedade.

 


Publicado em 31/7/09 às 16:10
Link | Comentar

8 Comentários:
De Miguel Madeira a 31 de Julho de 2009 às 17:16
Portanto, se percebo, a sua opinião é que o  conceito de "casamento" devia passar a ser ignorado pela legislação (por outras palavras, passarmos a ser todos solteiros perante a lei)?


De Adolfo Mesquita Nunes a 31 de Julho de 2009 às 17:30
Eu viveria bem com isso :)

Mais a sério, penso que aquilo que o Tomás deve ter querido dizer, e se não foi, passo a expor aquilo que eu penso, é que o estado civil deveria deixar de ter a relevância que tem aos olhos da lei, deixando espaço para a livre conformação dos contratos.

Essa perda de relevância do estado civil não teria qualquer efeito nas questões de protecção da familia, uma vez que a paternidade teria sempre de ter relevância, mas que se não confunde com o estado civil.

 


De Tomás Belchior a 31 de Julho de 2009 às 17:34
Não, apenas entendo que o conceito de casamento não devia ser alterado coercivamente através de legislação que nasça de uma "apropriação" do Estado por parte de uma minoria mas sim através de um processo negocial entre essa minoria e o resto da sociedade, sem recorrer aos "serviços" do Estado.


De AntónioCostaAmaral (AA) a 1 de Agosto de 2009 às 10:05
Dito de outra forma, entendes que:

- não é má por si mesma uma captura do Estado por uma maioria que se outorga reconhecimento legais que nega ao resto da população?

- o status quo possa manter a captura desse mesmo Estado, até que se desenrolem mecanismos externos ao Estado que a condenem sem ambiguidades, e que o Estado capturado então reconheça?


De José Maria Tavares a 31 de Julho de 2009 às 17:30
Para mim a questão do casamento entre homossexuais é uma questão completamente irrelevante, se eles querem celebrar um compromisso com o Estado e é-me igual ao litro. Neste momento Portugal necessita é de medidas que resolvam os problemas em áreas fundamentais, daí que este assunto assuma a forma de um fait diver.


De Tomás Belchior a 31 de Julho de 2009 às 17:50
José Maria,

Concordo plenamente consigo, no entanto, muitas vezes é de fait-divers em fait-divers, é que as coisas se vão construindo.


De AntónioCostaAmaral (AA) a 1 de Agosto de 2009 às 10:07
nunca ser um instrumento para que uma minoria, por muito significativa e sonora que seja, use o "monopólio da violência legítima (http://en.wikipedia.org/wiki/Monopoly_on_violence)" para impor a sua vontade ao resto da sociedade.

É legítimo que o Estado seja o instrumento de uma maioria em questões "morais"?


De Jeremias a 1 de Agosto de 2009 às 17:14
AHAHAHAAH fait-divers versus fait diver


Comentar Post

| More
Toponímia
Declaração de Princípios
Biografias
Estudos de Tráfego
Baixar Impostos?
Políticas de Natalidade
Energias Renováveis Alternativas
Economia Subsidiada
(in)Justiça
Contacto
ruadireitablog [at] gmail.com
Autores
Mais Comentados
41 Comentários
31 Comentários
20 Comentários
20 Comentários
14 Comentários
Tags

aborto(1)

açores(2)

adopção(1)

agricultura(2)

água(1)

ambiente(22)

asfixia democrática(2)

autárquicas porto(1)

be(2)

biografias(1)

bloco(14)

bloco central(19)

blogconf(10)

calúnia(1)

campanha(2)

cartazes(9)

casamento(3)

casamento entre pessoas do mesmo sexo(12)

cds(57)

censura(1)

centralismo(1)

centrão(6)

cerejas sem caroços(1)

código contributivo(1)

código de execução de penas(1)

coligação ps / pcp(1)

coligações(3)

competitividade(1)

comunicação política(1)

comunicação social(7)

comunismo(6)

confiança(1)

conservadorismo(5)

debates(132)

demagogia(2)

democracia(7)

democracia-cristã(2)

desemprego(2)

economia(64)

educação(16)

educação sexual(2)

eleições(49)

emprego(4)

energia(24)

escola pública(2)

estado(2)

estalinismo(4)

estudos de tráfego(6)

extrema-esquerda(2)

família(4)

fiscalidade(24)

imigração(4)

inovação(5)

investimento público(5)

jornal nacional(5)

justiça(16)

lei do arrendamento(2)

leninismo(5)

liberalismo(21)

liberdade(10)

louçã(3)

magalhães(4)

mandatária juventude ps(2)

manuela moura guedes(8)

maoismo(4)

marketing(4)

marxismo(2)

media(15)

mercado(2)

meritocracia(4)

mobilidade(6)

não(2)

natalidade(41)

ordenamento do território(2)

políticas públicas(34)

portugal(2)

presidência da república(2)

produtividade(2)

programa cds(23)

programa eleitoral(2)

programa ps(17)

programa psd(2)

programas eleitorais(3)

ps(44)

psd(24)

rua direita(25)

saúde(11)

segurança(8)

segurança social(8)

simplex(2)

socialismo(2)

sócrates(8)

socrates(2)

subsídios(7)

trotskismo(5)

tvi(2)

união de facto(8)

voluntariado(2)

voto útil(23)

voto verdadeiramente útil(9)

todas as tags

Pesquisar
 
Outras Ruas
Subscrever Feeds
Arquivos

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Twingly BlogRank
blogs SAPO