Se bem percebi o espírito com que Paulo Portas encarou o debate de ontem, este terá servido para reforçar a ideia de que o CDS é um partido no qual se pode confiar a governação - esforço esse que, num país politicamente tão preconceituoso, não deve ser negligenciado. O pano de fundo era o ideal para sublinhar o contraste e Paulo Portas aproveitou muitíssimo bem a oportunidade. Jerónimo de Sousa apareceu como o rosto de um partido que é o cúmulo da insensatez política e da esclerose ideológica, enquanto Portas surgiu, por comparação, como um assomo raro de ponderação, magnanimidade, abrangência e liderança. Jerónimo falou das mesmas ideias abstractas de sempre (confundindo coerência com casmurrice); Portas, menos ambicioso, limitou-se a falar dos problemas que afectam Portugal e a vida concreta das pessoas.
Julgo que não tem sido suficientemente registada e apreciada a mudança que se tem vindo a fazer no CDS, que é hoje visto como um partido aberto, moderado e concentrado nas soluções para os problemas do país, e não apenas remetido à discussão em círculo fechado de questões identitárias ou puramente etéreas. Mas mais: o CDS percorreu esse caminho de pragmatismo sem abandonar os seus valores e, bem pelo contrário, o que isso significou foi, isso sim, a verdadeira afirmação desses valores. Se fizermos uma resenha rápida das principais posições do CDS, vemos que há um fio condutor claro: são posições de defesa das liberdades e do governo limitado, da prudência orçamental, da moderação fiscal, da segurança de pessoas e bens, do papel do Estado na protecção dos que menos possibilidades têm de exercer a sua liberdade (os pensionistas mais pobres, por exemplo) e do institucionalismo democrático. Em resumo, o CDS é o porto seguro para todos os que, partindo seja de que ideário for, se unem na convicção de que a política do progresso é a que promove o exercício responsável da liberdade dos indivíduos, das famílias e das empresas. E é isso que o faz ter este poder de atracção - de eleitores e militantes - que deixa tanta gente perplexa.
Quem achar difícil explicar o crescimento do CDS, que perceba primeiro que, de todos os partidos, só o CDS cumpre os mínimos da maturidade democrática: é pragmático mas não inconstante, convicto mas não intolerante, doutrinário mas não dogmático.
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