Rua Direita
Domingo, 15 de Maio de 2011
António Folhadela Moreira

Se há ideia que eu julgo dever ser combatida por quem quer que o CDS tenha um bom resultados nestas eleições é a de que o CDS quer ir para o governo dê lá por onde der. E se ponho as coisas neste ponto, de combater tal ideia, é porque a mesma existe e só não tem sido mais explorada pelo PS pelo simples facto de que isso traduzir-se-ia numa perda de votos do CDS a favor do PSD, com prejuízo directo das possibilidades do PS ser reeleito.

 

O PSD tem explorado essa questão de forma subtil, normalmente por segundas linhas, pois ser-lhe-ia dificil explicar isso e ao mesmo tempo flirtar à direita com o discurso de que o PSD ganhando convidará o CDS para formar governo (veja-se, a este propósito, o que disse Passos Coelho no debate com Paulo Portas).

 

Nos últimos 6 anos o CDS tem sido visto pelos eleitores como um partido responsável, que tem tido uma intervenção política coerente e não comprometida, e isto tem sido o maior catalisador de votos do CDS, com prova real feita nas eleições de 2009. É por essa razão que o CDS não deverá nunca formar governo com o PS sem a presença do PSD (embora não defenda um governo a três nas actuais circunstâncias estaria disposto a aceitar isso como mal menor), pois os eleitores, que não pensam nem entendem politiquês, não perdoariam ao CDS essa espécie de "dormir com o inimigo" e todo o capital que está a ser angariado seria desfeito no dia da tomada de posse de um governo PS+CDS.

 

Pela mesma ordem de ideias o CDS não pode aceitar formar governo com o PSD (apenas) se não for o PSD a ganhar as eleições. É um facto que este cenário seria aceitável noutros países, já aqui vi ser dado o exemplo francês e inglês, mas a nossa tradição não é a francesa nem inglesa, é aliás muito diferente dessas, e isso em Portugal seria sinónimo de um governo deficientemente legitimado e proscrito.

 

O CDS em qualquer um daqueles cenários passaria a ser um partido igual aos outros cujo leitmotiv seria a conquista do poder em si mesma e um partido como o CDS, que está em crescendo graças à imagem de decência e desprendimento que tem sabido passar, dificilmente se recomporia de um golpe como esse.

 

Assim, já que não me parece realista que o CDS ganhe estas eleições (eu disse estas, não disse nunca), resta-me esperar que o CDS tenha a sua melhor votação de sempre e acabe a formar governo com o PSD por este ter sabido ir buscar votos ao PS em número necessário para no dia 5 de Junho ser o partido mais votado.

 

Se o PSD assim não souber fazer o CDS deverá voltar para a bancada da oposição para aí ser a melhor oposição a um governo PS. Isso o país compreende e agradece.

Publicado Por António Folhadela Moreira em 15/5/11
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5 comentários:
De Isabel Botelho a 15 de Maio de 2011 às 12:32
Um governo com os três partidos teria que ter um programa supra-partidário, o que considero difícil de negociar pois há matérias e princípios que são incompatíveis. Depois poria o CDS na proporção da sua votação e não em plano de igualdade, o que seria diminui-lo. O CDS ver-se-ia envolvido, sem qualquer responsabilidade, nas tricas de compadrios e favores dos bóis dos outros dois partidos para dividir o saque. Como o PSD não se aguentará no governo porque a guerrilha interna não o permitirá, acabará por cair, com o PSD cai o PS também e aí sim, o CDS que não se queimou, poderá chegar ao governo confortavelmente.
Se este cenário se confirmar, esperemos que um governo PS/PSD caia depressa porque o país já não pode esperar mais.


De José Silva Oliveira a 15 de Maio de 2011 às 12:52
Para aqueles que querem assegurar que o PS tem de sair do Governo, este post é um excelente incentivo ao voto no PSD.


Um Governo com PSD e CDS que atinja a maioria absoluta não tem menos legitimidade só porque nenhum deles foi o partido mais votado.


De António Folhadela Moreira a 15 de Maio de 2011 às 13:06
Meu Caro José Silva Oliveira,
Segundo as sondagens mais generosas para o PS, cerca de 65% do país quer que o PS deixe de ser governo.

Quanto à legitimidade de uma maioria CDS+PSD, em que nenhum dos dois seja o partido mais votado, dar-lhe-ia toda a razão se houvesse coligação pré-eleitoral mas nestas matérias, como em quase tudo na vida, as escolhas não são neutras e tendo a escolha sido a que foi, cada partido ir a jogo com listas próprias, a legitimidade substantiva para governar afere-se no dia 5 de Junho, depois dos votos contados, e não quando após isso se decida juntar os votos de um aos votos de outro.


De José Silva Oliveira a 15 de Maio de 2011 às 13:32
Caro António,


É exactamente por haver tantas pessoas a quererem tirar o PS do Governo que este post é um problema para o CDS, porque conclui que a única forma de garantir a mudança passa por fazer do PSD o partido mais votado. Como isso está longe de estar confirmado, essas pessoas acabariam por votar PSD.


Aceitar a legitimidade de um Governo de maioria PSD+CDS, independentemente de algum deles ser ou não o partido mais votado, é dizer às pessoas que têm mais do que uma maneira de garantir que o PS sai do Governo. Isso dá às pessoas a possibilidade de olharem a outros factores (ideias!, pessoas, mérito, trabalho, etc.) no momento de decidir o sentido do seu voto e, simultaneamente, dá ao CDS a oportunidade de se fazer ouvir para poder ganhar mais força. Não é isso que o CDS pretende?


Um abraço,


De António Folhadela Moreira a 15 de Maio de 2011 às 18:37
 



Caro José Silva Oliveira,

A sua ideia parece-me mais compatível com um governo de iniciativa presidencial do que com o governo nomeado na sequência de umas eleições e é por isso que lhe digo que consideraria um erro grave se o CDS formasse governo com o PSD sem que nenhum dos dois partidos fosse o mais votado a 5 de Junho.

Se houver eleições e o PS ganhar, paciência, são as contingências das eleições em democracia.

Um abraço,
António




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