Rua Direita
Segunda-feira, 16 de Maio de 2011
Rui Castro

No passado fim-de-semana, Sócrates acusou a oposição de nada ter feito pelo país nos últimos 6 anos e, em concreto, o PSD de estar a dar um espectáculo deplorável.

 

Não me detenho sobre a forma desastrosa como o PSD tem vindo a gerir a pré-campanha, mas não consigo deixar de comentar a pesporrência do ainda primeiro-ministro, o tal que nos últimos 6 anos – 4 deles em maioria absoluta – teve os destinos do país nas mãos.

 

O que se lhe exigia, ao invés de tentar incendiar a campanha com a arrogância que lhe é conhecida, era uma explicação, ainda que breve, do que correu mal.

 

José Sócrates, no entanto, com o desassombro que alguns lhe apontam, optou pela fuga para a frente, ignorando responsabilidades que são só suas e erros clamorosos que não são de mais ninguém.

 

A estratégia, pela amostra, passa por ignorar o que de mal foi feito, pretendendo estafar o eleitorado com a ideia de que não existe alternativa.

 

Esta ideia, para além de falsa, omite o óbvio: o principal responsável pelo estado a que o país chegou é José Sócrates, que chefiou o governo de Portugal nos últimos 6 anos.

 

Perante isto, podíamos adoptar a táctica do primeiro-ministro, descendo ao nível em que ele pretende colocar o debate, respondendo-lhe que pior não fica.

 

A alternativa é recordar os indicadores do país que tínhamos em 2005, data em que Sócrates tomou as rédeas do poder, e mostrar os números mais recentes, os do nosso descontentamento.

 

(i) A dívida pública, ascendeu em 2010 a quase 93% do PIB (era de 63% em 2005), a pior dos últimos 160 anos. Estima-se que, em 2011, suba para os 100%;

 

(ii) O desemprego atingiu, em 2010, cerca de 11% da população activa, a taxa mais elevada dos últimos 90 anos, o que equivale dizer que no final do ano passado havia mais de 600.000 desempregados, 300.000 dos quais sem emprego há mais de 12 meses. Em 2005, eram 7%, o que significa que, com Sócrates, mais 200.000 ficaram desempregadas… longe, muito longe mesmo, dos 150.000 empregos que ele prometera;

 

(iii) A taxa de poupança atingiu, em 2010, 8,2% do PIB, a pior taxa dos últimos 50 anos. Em 2005, ascendia a 13,3%;

 

(iv) A despesa pública total atingiu, em 2010, 50,2% do PIB. Em 2005, era de 45,8%;

 

(v) O défice público, em 2010, chegou aos 8,6% do PIB. Em 2005, era de 5,9%;

 

(vi) A taxa normal de IVA é de 23%. Em 2005 era de 19%;

 

(vii) Em 2010, Portugal ocupava a 46.ª posição no Índice Global de Competitividade. Em 2003, ocupávamos a 25.ª posição;

 

(viii) Portugal é dos países, na Europa, com uma das ratio mais elevadas de advogados e juízes por número de habitantes e no qual custo per capita com a justiça é mais elevado. Isso não nos impede de ter uma das justiças mais lentas e um elevado número de pendências.

 

Podia continuar com o rol imenso da nossa desgraça, mas os números que acima referi – retirados da Pordata, INE e outras publicações oficiais – são suficientes para retirar 2 conclusões inequívocas:

 

1. Portugal está hoje, em termos absolutos, bastante pior do que em 2005;

 

2. Portugal está, também em termos relativos, pior do que em 2005.

 

Perante isto, não consigo entender como é o primeiro-ministro do meu país, num estado de bancarrota eminente e em face do já anunciado cenário de recessão económica, se atreve a dizer “eu tenho orgulho naquilo que fizemos por este país” e “pergunto-me como foi possível fazerem isto ao país?

 

Ao contrário do que pretende fazer crer Sócrates, o espectáculo deplorável que imputa à oposição, é da sua exclusiva e inteira responsabilidade.

 

No dia 5 de Junho, os Portugueses têm a oportunidade para lhe mostrar isso mesmo.

 

As alternativas são várias, mas estou em crer que a verdadeira alternativa, susceptível de dar novo rumo ao país, se chama CDS. É nisso que acredito e é por isso que aqui estou.

Publicado Por Rui Castro em 16/5/11
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2 comentários:
De Henrique Nunes a 17 de Maio de 2011 às 13:02
"(...)não consigo entender como é o primeiro-ministro do meu país, (...) se atreve a dizer “eu tenho orgulho naquilo que fizemos por este país” e “pergunto-me como foi possível fazerem isto ao país?"


É muito fácil de entender: di-lo porque dirá o que for preciso para cumprir os seus objectivos, aproveitando-se do facto de, na democracia portuguesa (e na sociedade em geral), não ser de bom tom confrontarem-se os políticos de forma ríspida e exigente, como se houvesse um acordo tácito de mornidade. Parte-se do princípio que toda a gente, independentemente do que fez ou deixou de fazer enquanto responsável, tem a mesma credibilidade. E a comunicação social é muito responsável por isto. Da mesma maneira que apresenta trivialidades intercaladas com assuntos importantes, tudo com o mesmo ênfase, também apresenta os políticos com a mesma aura, como se fossem todos iguais... O que, para os medíocres, é perfeito...


De qualquer forma, essas vacuidades do PM têm réplica fácil e eficaz: Se fez o seu melhor, então o seu melhor não chega. Portanto, fora.


O que eu não consigo entender é como é que estas auto-indulgências por parte de Sócrates continuam a passar incólumes.


De Rui Castro a 17 de Maio de 2011 às 14:03
Caro Henrique, esta sua frase diz tudo:
"De qualquer forma, essas vacuidades do PM têm réplica fácil e eficaz: Se fez o seu melhor, então o seu melhor não chega. Portanto, fora."


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