Rua Direita
Terça-feira, 17 de Maio de 2011
Tomás Belchior

Dito isto, a minha função como eleitor e militante do CDS não é ser compreensivo ou equilibrado. A minha função é apresentar os meus pontos de vista, fundamentá-los e pedir contas. A construção de pontes é tarefa da liderança.

 

A minha função é criticar o manifesto por defender medidas proteccionistas como a "auto-suficiência alimentar" e a necessidade de substituir importações ou por perpetuar uma visão do mundo em que a direita é mais eficiente a gerir o dinheiro dos nossos impostos do que a esquerda quando a verdadeira questão é o facto de nem a esquerda nem a direita serem mais eficientes a fazê-lo do que nós próprios.

 

A minha função é aceitar que há muito que não se pode fazer por obra da governação socialista que nos deixou sem margem de manobra, não para levar mais longe uma agenda liberal, mas para, neste momento, impor custos adicionais a quem seria inevitavelmente afectado por essa agenda.

 

A minha função é louvar o manifesto eleitoral do CDS por ter mantido, e às vezes até aprofundado, muito do que o programa de 2009 tinha de bom como as privatizações, a simplificação fiscal, a redução (condicional) de impostos, a liberdade de escolha na educação, na saúde e sobretudo na segurança social.

 

A minha função é reconhecer que, independentemente do que consta nos manifestos e programas eleitorais, há questões de fundo como a cultura e a história partidária ou a função de um partido como o CDS numa coligação que serão determinantes nos próximos anos.

 

E votar de acordo com esta avaliação.

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Publicado Por Tomás Belchior em 17/5/11
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7 comentários:
De Ana Rebelo a 17 de Maio de 2011 às 19:32
Os princípios que nos regem,não podem ser mais ou menos.Há uma ambição legítima.É altura de pôr os portugueses a pensar e depressa.

 


De António Parente a 17 de Maio de 2011 às 19:34
O seu post é muito interessante, aliás na sequência de alguns posts anteriores. Fico com a impressão que o CDS alberga democrata-cristãos, liberais e conservadores juntos num objectivo comum: a luta contra José Sócrates e a esquerda. Têm um líder que consegue aglutinar, com sucesso, todas essas correntes mas se um dia desistir parece-me que o CDS tornar-se-à num PSD com uma dimensão menor, o que é meio caminho para o insucesso e para o declínio.


De Tomás Belchior a 17 de Maio de 2011 às 23:04
"Fico com a impressão que o CDS alberga democrata-cristãos, liberais e conservadores juntos num objectivo comum: a luta contra José Sócrates e a esquerda."

Não é só impressão. :)

De resto, quanto à questão do líder, é coisa que está resolvida durante os próximos dois anos. Depois disso logo se verá mas a julgar pela quantidade de gente que tem participado na renovação do partido nos últimos anos, acho que não teremos problemas de maior. Essas três correntes sempre estiveram presentes no partido, nos piores e nos melhores momentos.


De António Parente a 17 de Maio de 2011 às 23:27
Bom, desse modo o CDS torna-se um mini PSD, o que tem vantagens e inconvenientes. Flexibiliza as alianças (Liberais podem aliar-se a liberais, democrata-cristãos podem sentir-se próximos do social-democratas, conservadores podem juntar-se a liberais) mas pode ser mau para a unidade do partido a prazo porque um liberal mais radical pode não ser compatível, do meu ponto de vista, com algumas correntes da democracia-cristã.


Por outro lado, um partido sem um projecto de sociedade, um conjunto coerente de ideias que constitua o seu cimento, acaba por dar a ideia dum grupo organizado interessado no poder pelo poder e os eleitores não apreciam isso.


José Sócrates, com todos os defeitos que tem e erros cometidos, percebeu muito bem isso e tem uma grande ideia que o diferencia de todos: o estado social, a social-democracia, o keynesianismo (embora tenha mostrado que não o sabe utilizar na prática política). O PSD tem o liberalismo económico como grande ideia e penso que o vai manter no futuro dado que o PS ocupou o espaço da social-democracia. O CDS ser apenas contra Sócrates e contra o PS é muito pouco, acho eu.


p.s. - o meu comentário é desinteressado. Não estou numa postura "anti-CDS".


De Tomás Belchior a 17 de Maio de 2011 às 23:48
António,

O partido existe há 36 anos nestes moldes. Acho que a questão da unidade está ultrapassada.

Para pegar no seu exemplo, quanto a compatibilidades entre liberalismo e democracia-cristã tenho um conselho de leitura : "Catholic Social Teaching and The Market Economy" (está disponível online gratuitamente aqui http://www.iea.org.uk/publications/research/catholic-social-teaching-and-the-market-economy
)
 
Se há coisa que estas três correntes são capazes de produzir é precisamente um projecto coerente. Não é por acaso que todos nós convivemos no mesmo partido. Se fosse apenas a ambição do poder que nos une, estávamos bem tramados.


De António Parente a 17 de Maio de 2011 às 23:52
Obrigado pelo link, vou ler com muito interesse.


De Margarida Bentes Penedo a 17 de Maio de 2011 às 20:03
"Giving money and power to government is like giving whiskey and car keys to teenage boys."

P. J. O'Rourke


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