Rua Direita
Quarta-feira, 18 de Maio de 2011
Marcos Teotónio Pereira

As Novas Oportunidades têm uma dimensão de realização pessoal que é muito válida. O principal objectivo é mesmo esse. Qualquer um que assista aos trabalhos finais apresentados pode verificar o esforço e a vitória pessoal que acompanha muitos destes trabalhos.

No caminho aprende-se qualquer coisa e reforça-se competências mas não é esse o objectivo.

 

Quando se for fazer a história desta campanha desastrosa do PSD a intervenção de Passos Coelho sobre este assunto vai aparecer como o ponto de viragem em que o PSD perde definitivamente as eleições.

Publicado Por Marcos Teotónio Pereira em 18/5/11
Link do Post | Comentar
11 comentários:
De António Folhadela Moreira a 18 de Maio de 2011 às 11:59
Se o objectivo do programa é, como diz, a "realização pessoal" dos candidatos devo reconhecer essencialmente a bondade da ideia.

Se o objectivo do programa fosse, como exclui, a "qualificação" dos candidatos reconheceria essencialmente a utilidade da ideia.

Mas como a execução do programa me parece um desastre, no que à efectiva melhoria das qualificações dos "formados" diz respeito, tenho que concluir que o programa não é útil nem a bondade serve de muito.


De Marcos Teotónio Pereira a 18 de Maio de 2011 às 17:22
Eu tb tinha essa opinião até ao momento em que assisti a um conjunto de apresentações. Ver pessoas que desistiram de estudar no 6º ano voltar a ir à escola fez-me pensar. Para que o sistema educativo português finalmente melhore é condição necessária que não suficiente, que a população perceba a necessidade de completar os 12 anos de ensino. Há aqui muito mais do que "bondade".


De António Folhadela Moreira a 18 de Maio de 2011 às 18:32
O Marcos vai desculpar-me mas foi você que disse que "No caminho aprende-se qualquer coisa e reforça-se competências mas não é esse o objectivo" e com toda a franqueza a descrição que fez do Novas Oportunidades coloca o programa mais ao nível de um ATL do que de um instrumento que a funcionar poderia ser útil.

E na verdade não é útil, porque fazendo um balanço geral, o Novas Oportunidades é só mais um exemplo típico da forma deste governo fazer política, em que a aparência no quadro das estatísticas conta muito mais do que a substância, que bem pode ser Zero.

É claro que no fim os candidados passam a ter habilitações e até um diploma... e o governo uma estatística mais bonita para trazer ao peito.

Importa esclarecer que tudo o que eu digo vale apenas e só na medida do tipo de execução que tem sido feito do programa e para isto sugiro uma conversa com 2 ou 3 professores que leccionem no âmbito do Novas Oportunidades.


De Tomas a 18 de Maio de 2011 às 12:05
O problema não é o objectivo.


Se apenas 20% dos participantes atinge a realização efectiva como um reflexo no mercado de trabalho (e não a de sentir pessoalmente melhor) não se pode dizer que está a ser um sucesso.


E esse é que é o problema.


De António Folhadela Moreira a 18 de Maio de 2011 às 12:25
Ó Tomás, eu já não vou tão longe, já não peço que as Novas Oportunidades sejam uma garantia efectiva de regressso ao mercado de trabalho, já sou modesto ao ponto de me contentar que com a conclusão do programa os formados fiquem em melhores condições de que esse regresso se verifique.

O problema é que nem isso...


De PAS a 18 de Maio de 2011 às 14:15
Que magnifico exagero. O problema de quem analisa diariamente a campanha, assim como a politica em geral, é o exacerbar de questões relativas. A verdade é que ninguém quer ouvir verdades, pois quem diz verdades, é insensível, é imaturo, é desastroso. O que interessa é ouvir as omissões e mentiras constantes, quiçá insinuar qualquer coisa, isso sim é boa politica. 


As Novas Oportunidades são de facto um embuste, e aqueles a quem as mesmas serviram realmente para tirar conhecimento e formação não pautam senão pela excepção. 
As Novas Oportunidades foi mais um facilitismo criado pelo governo miserável de Sócrates, infinitamente injusto para aqueles que estudam deveras. 


Lamento que não se possa afirmar isto sem ferir susceptibilidades, mas é a verdade, e se nesta verdade se fere milhares de "oportunistas", creio que se defendem dezenas de milhar de discentes do verdadeiro ensino.


PAS


De Marcos Teotónio Pereira a 18 de Maio de 2011 às 17:44
Talvez sejam um embuste muitas vezes e talvez certifiquem poucas competências. De certeza que se gastou muito mais do que seria necessário e de certeza que se poderia ter feito muito melhor. No fim as pessoas vão sair com um diploma que não certifica muito menos competências do que os de muitos outros (cursos profissionais, secundários, licenciaturas...)

Dito isto tb é verdade que terá havido alguns casos válidos, muitas pessoas empenhadas e acho que é uma injustiça e irresponsabilidade ofender esses. Como escreve Ana Rita Bessa noutro Post "deve-se separar o trigo do joio".


De Margarida Bentes Penedo a 18 de Maio de 2011 às 23:33
Deve separar-se o trigo do joio. Devem fazer-se contas. Não se deve ofender um único português empenhado em ensinar ou em aprender.

Eu vivo na convicção de que o objectivo fundamental do ensino é fornecer, avaliar e certificar competências. E isto não basta para garantir um lugar no mercado de trabalho.

Mas se o objectivo de um programa é a realização pessoal, afinal estamos perante um problema de sanidade psíquica. No limite, transfira-se o ensino para o Ministério da Saúde.


De Marcos Teotónio Pereira a 19 de Maio de 2011 às 09:40
O ensino universitário tem como função principal o ensino de competências para o mercado de trabalho. Aqui o "Processo de Bolonha" é um falhanço estrondoso e um escândalo de facto.

As NO tal como se têm vindo a desenvolver, são uma coisa completamente diferente. As equipas com que tive contacto tinham um psicólogo como elemento essencial e coordenador.

Estas NO são tb um "voltar à escola", uma "revisão de vida", uma chamada de atenção a todos nós das consequências de um falhanço continuado do Ensino em Portugal, uma oportunidade para a escola sair para as empresas, etc. Não sei verdadeiramente em que ministério é que isto cabe.


De Zélia Pinheiro a 19 de Maio de 2011 às 08:29
Há duas hipóteses: criticar as declarações de PPC sobre as Novas Oportunidades ou criticar as Novas Oportunidades...


De Marcos Teotónio Pereira a 19 de Maio de 2011 às 09:50
Concordo. As NO têm muito em que melhorar e devem ser criticadas. As declarações de PPC foram infelizes porque não respeitam quem trabalha a sério no projecto nem quem se empenhou a sério.


Comentar post

Autores
Contacto
ruadireitablog [at] gmail.com
Subscrever Feeds
Redes Sociais
Siga o  Rua Direita no Twitter Twitter

Temas

'tiques socráticos'(6)

acordo(10)

administração pública(8)

ajuda externa(21)

alternativa(7)

bancarrota(13)

be(7)

bloco(11)

bloco central(5)

campanha(50)

cds(102)

cds-pp(12)

cds; psd(6)

comunicação(7)

constituição(6)

day after(8)

debate(12)

debates(52)

defice(8)

democracia(10)

desemprego(10)

desgoverno(11)

despesa pública(9)

dívida pública(11)

economia(20)

educação(19)

eleições(26)

esquerda(6)

estado social(23)

fiscalidade(14)

fmi(46)

futuro de portugal(17)

governar portugal(6)

governo(9)

humor(9)

josé sócrates(36)

legislativas 2011(6)

ler os outros(21)

maioria absoluta(26)

manifesto(32)

memorandum(38)

novas oportunidades(14)

passos coelho(13)

paulo portas(10)

política(15)

portugal(26)

programa de governo(7)

ps(108)

psd(73)

sair da crise(22)

saúde(6)

socialismo(19)

sócrates(63)

socrates(11)

sondagens(12)

troika(31)

tsu(7)

valores(6)

voto(9)

voto útil(32)

todas as tags

Últimos Links
Twingly Blog Search link:http://ruadireita.blogs.sapo.pt/ sort:publishedÚltimos Links para o Rua Direita
Pesquisar Neste Blog
 
Arquivos

Novembro 2011

Junho 2011

Maio 2011

blogs SAPO