Rua Direita
Quinta-feira, 19 de Maio de 2011
João Ferreira Rebelo

É oficial. A velha história do voto útil instalou-se na campanha eleitoral e veio para ficar, mais forte que nunca.

 

O próprio conceito de voto útil faz-me alguma confusão. Desde logo porque é a negação do mérito, enceta a si próprio a ideia de “mal menor”: eu posso não ser o melhor, mas votem em mim, pois eu tenho hipóteses de chegar ao Governo… Ou seja, pede-se aos eleitores que escolham um determinado partido não por se identificarem com as suas medidas, mas antes porque esse partido tem, tipicamente, hipóteses de ganhar eleições.

 

Contudo, deixando de lado esta vertente conceptual, incomoda-me ainda mais o triste apelo ao voto útil no actual cenário, mais precisamente nas eleições que se avizinham. Na sua lógica, pouco feliz, tem apelado o PSD ao voto útil alertando que a disputa é entre Sócrates e Passos Coelho. Um clara tentativa de saque aos votos do CDS. Para justificar esse apelo, o PSD constrói cenários pós eleitorais e (tenta) pressionar os eleitores, ameaçando-os com estruturas de Governo “estranhas”. É um erro. Não se pode pedir aos cidadãos que votem tendo por base as hipóteses que resultem do acto eleitoral. Além de soar a desespero pode ter o efeito contrário ao pretendido.

 

Por outro lado, o PSD não precisa disso, não tem necessidade de ir por esse caminho perigoso. Apresentou-se às eleições com um Programa de Governo detalhado e ousado, admito, e devia concentrar os seus esforços em passar a mensagem, explicá-lo, mostrar as vantagens de uma política de direita, vincando bem os desastres da esquerda e os erros graves de Sócrates. Até porque, mais ainda, os Portugueses não precisam que os assustem com os fantasmas pós-eleitorais, precisam antes de uma mensagem de esperança e confiança e de alguém que mostre soluções concretas e objectivas.

 

Isto tudo para dizer que os votos não se pedem, merecem-se. E aí o CDS pode dar algumas aulas ao PSD, que parece ainda não ter aprendido a lição. Na verdade, é a custa de muito trabalho, espírito crítico, mensagens de esperança claras e concisas que se mostra aos mais de 20% de indecisos qual o caminho a seguir.

Publicado Por João Ferreira Rebelo em 19/5/11
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