Rua Direita
Segunda-feira, 23 de Maio de 2011
José Maria Montenegro

Os votos merecem-se – temos ouvido muitas vezes nesta campanha do CDS.

 

Mas o que é isto de merecer? Será o programa apresentado? Serão as pessoas que se apresentam a sufrágio? Será o trabalho realizado na legislatura que termina? Será a preparação evidenciada? A coerência do percurso (de sempre ou, pelo menos, mais recente)? Será, afinal, a declaração de princípios do Partido?

 

Com base em cada um destes critérios, nem sempre o CDS estaria no 1.º lugar do Ranking – teremos de reconhecer. Assim, por exemplo, o programa tem algumas lacunas, nem todas as pessoas merecem o mesmo entusiasmo, conseguimos identificar algumas contradições em áreas importantes, a afirmação de princípios fundamentais é, por vezes, envergonhada ou nem sequer é genuína, etc.

 

O merecimento que tem sido reivindicado advém naturalmente do juízo global que, no momento que vivemos, justifica o voto no CDS. Não será estranha a escolha do slogan «este é o momento». Porque de facto, sem grande esforço, conseguimos perceber que a equipa que o CDS apresenta é globalmente consistente e preparada. Que o CDS foi o partido menos errático na oposição e mais organizado no combate à hecatombe a que chegámos. Que o CDS tem um líder que, com todos os seus defeitos, revela uma preparação incomparável face aos demais líderes do arco da governação. Que o CDS abandonou alguns dos factores de desconfiança do passado, como era o seu posicionamento face à Europa por exemplo ou até (porventura injustamente) face à imigração. Que o CDS revela uma atractividade de quadros e jovens que gera esperança. Que o CDS tem uma declaração de princípios humanista e centrada na pessoa.

 

O voto num partido nunca tem subjacente uma adesão a 100%. Se fosse esse o paradigma militávamos todos no voto branco, nulo ou na abstenção, e os partidos teriam os votos dos seus candidatos e de alguns familiares (talvez o PCP conseguisse um universo eleitoral ligeiramente maior).

 

Neste momento, o CDS merece o voto. É bem verdade, como dizia o Adolfo Mesquita Nunes, que as pessoas aceitam votar no PSD mesmo que discordem de quase tudo, ao passo que no CDS só aceitam votar se concordarem com tudo. Talvez esteja a mudar esta constatação histórica.

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Publicado Por José Maria Montenegro em 23/5/11
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