Rua Direita
Terça-feira, 24 de Maio de 2011
José Meireles Graça

À esquerda, vai um grande griteiro: Não pagamos!


Do nosso lado, que assinou o MoU pelo estado de necessidade em que uma governação demencialmente suicidária deixou o País, reina sobre a renegociação da dívida um grande silêncio. É natural: ainda quase nada foi feito para começar a dar baixa dos itens constantes do cardápio triunviral, por o volume e a natureza das mudanças necessárias requererem uma legitimidade democrática fresca; e sem ver claro qual o real impacto das mudanças, por um lado, e a determinação e competência técnica e política de quem as vier a aplicar, por outro, será cedo para pensar em renegociar, de um lado e outro do balcão.

 

Acredito que quando historiadores futuros estudarem o nosso tempo hão-de, para além do jogo de forças e multiplicidade de factores que nos trouxeram até aqui, guardar um lugarzinho para análise da estranha mesmerização que Sócrates exerceu sobre um número considerável de pessoas, nem todas compradas com os benefícios a crédito que um Estado Social insustentável lhes propinou, e nem todas beneficiárias do negocismo que o Estado investidor promoveu.

 

O momento é assim de suspensão. Os credores, quando for, real e não apenas prospectivamente, claro que o serviço da dívida é sufocante, estarão tanto mais receptivos a uma renegociação "macia" quanto mais rigoroso e consistente for o Governo. O CDS, que não é refém do Poder Local, do Autónomo, nem do factual (este último, se calhar, também devia ser grafado com maiúscula) será parte importante da solução; e aos responsáveis do PSD, se vierem a liderar, como é natural que aconteça, conviria um CDS com uma grande força. Não espero que o entendam; espero que o eleitor o entenda.

Publicado Por José Meireles Graça em 24/5/11
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7 comentários:
De Gabriel Silva a 24 de Maio de 2011 às 12:09
Evidentemente a divida não é pagável, terá de ser reeestruturada, é mera questão de tempo. 
Seria melhor ter isso ter sido feito há um ano, mas a teimosia socialista impediu qualquer solução menos gravosa.  Agora, quanto mais tempo passar, pior serão as condições.


De JMG a 24 de Maio de 2011 às 12:52
Claro que não é pagável. Mas nem tudo se pode discutir em todo o tempo. A prioridade, agora, é enviar o PS para uma desejavelmente longa estadia na Oposição, a fazer companhia aos primos, com os quais passará a ter relações bem mais amistosas; e reforçar a importância do CDS, sem a qual o pendor esquerdista do regime não ficará seriamente abalado. As tácticas são uma chatice, e para elas tenho pouco jeito e inclinação. Mas este é um blogue de combate eleitoral, com morte a prazo. É a essa luz que, sem ser mentiroso, digo o que digo. Abraço caloroso.


De Tomás Belchior a 24 de Maio de 2011 às 15:35
Não pagar é tão viável, ou mesmo desejável, como ser auto-suficiente. Felizmente, como a inter-dependência não é para as ocasiões, não pagarmos sai tão ou mais caro do que pagarmos. Sempre evitamos tomar decisões absurdas.

Para mal dos nossos pecados, o que já devíamos estar a estudar é como é que a história da política fiscal comum vai funcionar.


De Gabriel Silva a 24 de Maio de 2011 às 17:46
Apenas posso desejar que nunca venha a existir a dita «política fiscal comum». Já basta o que é.


De Tomás Belchior a 24 de Maio de 2011 às 18:17
Concordo mas acabar com o euro não será algo que vá acontecer de hoje para amanhã. Realisticamente, acho que ainda vamos andar a explorar a "integração fiscal" antes de assumirmos que daqui para a frente, ficamos todos melhor (ou menos mal) sem moeda comum.


De Gabriel Silva a 24 de Maio de 2011 às 18:25
Se há coisa que caracteriza os sistemas fiscais federais é a sua diversidade e não-unidade, porque respeitam a autonomia. Apenas em países atávicamente centralizados, como o nosso e como a UE caminha para ser pela tradicional força francesa, é que existe essa coisa absurda de «politica fiscal comum», tipicamente uma mania imperialista e inimiga da liberdade.


De Anónimo a 24 de Maio de 2011 às 20:27
Muito bom post, como sempre!


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