Vou eu tentar responder ao João Galamba para lhe dar algum alento na sua missão solitária.
O João diz que a acusação feita pela Inês Teotónio Pereira de que "o PS se especializou em atacar o estado social" é uma das muitas "críticas gratuitas e afirmações sem qualquer adesão à realidade" que ela tem feito nos seus artigos do Diário Económico. E para demonstrar a tal fraca adesão à realidade dessa acusação elenca uma série de medidas que o PS terá tomado nos últimos anos.
Não vou tentar rebater essa argumentação por duas razões. Por um lado, como tenho pouco respeito pelo estado social e pelas medidas tomadas em nome desse mesmo estado social, tenho receio de ficar a falar sozinho. Por outro lado, para questionar o que o João diz não preciso de recorrer à ideologia, basta-me a lógica.
Parece-me aceitável presumir que quando o Primeiro-Ministro se saiu com aquela tirada do "o défice aumentou porque nós decidimos aumentá-lo" estava (também) a falar das medidas que João diz que o PS tomou para reforçar e alargar o estado social. Ou seja, parece-me aceitável presumir que reforçar e alargar o estado social custa dinheiro, logo, que essas medidas contribuíram para a actual situação do país.
Sendo assim, das duas, uma: ou o João está a dizer que os cortes que vamos ser obrigados a fazer nos próximos anos não vão afectar o estado social, ou o João reconhece que, por culpa da má governação do PS, vamos ter de deitar para o lixo muitas das "conquistas civilizacionais" desse mesmo estado social.
A primeira hipótese, a confirmar-se, significa que o PS andou a desperdiçar o dinheiro dos contribuintes. A segunda hipótese, significa que, ao contrário do que o João afirma, quando o PS tomou as ditas medidas não estava a fazer mais do que assegurar o desmantelamento de uma parte significativa do estado social que jurou defender. Não sei qual delas a pior.
De qualquer maneira, usar qualquer uma das duas para justificar o voto em José Sócrates significa pedir aos portugueses para enfiarem a cabeça no mesmo buraco onde o PS enfiou a sua desde que teve de começar a recorrer aos PECs para defender o estado social da sua própria defesa do estado social.
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