Rua Direita
Quinta-feira, 2 de Junho de 2011
José Meireles Graça

Há em cada eleição três, e apenas três, tipos de eleitores: os abstencionistas e votantes em branco, que delegam a escolha nos que votam; os clubistas, que votam sempre no mesmo partido; e os que dão o seu voto aos políticos de cujas promessas menos descrêem, na exacta medida em que entendam que tais promessas lhes convêm - a eles mais do que à comunidade.

Os votantes em branco querem enviar uma mensagem à classe política e aos outros eleitores. É duvidoso que uns e outros os ouçam, e, mesmo que ouvissem, não saberiam quais as correcções de trajecto que os levariam a votar - os votantes em branco irmanam-se na rejeição mas não nas soluções.

Dos clubistas - entre os quais me conto - o PCP é o que está mais bem servido, não evidentemente em valores absolutos mas em percentagem de fiéis. Mas todos têm o seu núcleo duro, e é este núcleo que explica que nenhuma projecção dê ao PS menos de 25%.

Os restantes, que vão decidir esta como decidem todas as eleições, foram traídos quando votaram no PS, porque não há promessa que tenha sido honrada, declaração que não tenha sido infirmada, tropelia que não tenha sido cometida, tudo cumulando com a colocação do País em regime de protectorado por diabos estrangeiros. Foram traídos muitos dos que votaram no BE porque queriam a síntese entre a igualdade que o PCP promete e a democracia parlamentar que o PS subscreve, e em momento algum o BE foi convincente a demonstrar que esse objectivo era viável. Foram traídos muitos dos que votaram no PSD porque sempre o PS deu a impressão de estar a levar até às últimas consequências vícios e erros que vinham de trás e sempre o PSD deu a impressão de estar à espera da situação ficar suficientemente podre para o Poder lhe cair nos braços.

O eleitorado está descrente, amedrontado e irado. O País tem sido governado por gente generosa, bem-falante, convincente e com as marcas registadas do progresso, da democracia, do bem-estar e da preocupação com os pobres. Deu no que deu.

Está na hora de testar uma marca nova.

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Publicado Por José Meireles Graça em 2/6/11
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