Este corte de entidades é tudo menos brutal. E é por isso que o corte só permite uma poupança de 100 milhões. São «trocos» tendo em conta a dimensão da nossa dívida e o aumento, esse sim brutal, dos impostos. Para termos uma noção da proporção entre os cortes na despesa e os aumentos de impostos, só a sobretaxa do IRS vai render 1025 ao Estado. Vale o mesmo por dizer que este corte, que os nossos governantes apelidam de "brutal", não chega sequer a 10% do valor da receita gerada por aquele aumento de impostos. Significa isto que a promessa de que dois terços da consolidação orçamental iriam ser feitos do lado da despesa é uma miragem.
Noutra perspectiva, este corte de despesa acentua ainda excessivamente o centralismo do Estado. Para o perceber basta atentar na lista de entidades a extinguir e verificar que o Governo, em termos proporcionais, corta em boa medida na administração desconcentrada, i.e., naquela que está sedeada fora de Lisboa.
O reverso da medalha é que, assim, para manter o gigantismo do nosso Estado, os contribuintes vão ter de suportar ainda mais impostos.
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