A noite de ontem trouxe-nos uma série de vitórias:
i. a maioria absoluta de direita, PSD (com 105 deputados) e CDS (com 24 deputados) juntos ultrapassam confortavelmente a barreira dos 115 deputados;
ii. a eleição de dois deputados aqui da Rua - Parabéns Inês e Adolfo;
iii. a estrondosa derrota do PS;
iv. a demissão do vencido José Sócrates (imediatamente despojado do temor reverencial de que parecia gozar) e, assumindo que por uma vez na vida cumpre o que promete, a garantia de que não assumirá qualquer cargo;
v. a redução do Bloco de Esquerda ao seu real esvaziado significado;
and, last but not least
vi. a certeza que o peso do CDS na sociedade portuguesa é actualmente muito maior do que aquele que revelam os números da urnas, penalizado que foi nas últimas semanas pelo incessante e aterrorizador apelo ao “voto útil” e cego.
A terminar, se me é permitido, um recado aos novos governantes... mãos à obra, que o país não pode esperar, a tarefa não é fácil, há muito para fazer e têm de mostrar aos portugueses que estão à altura do desafio e que, juntos, podemos fazer (muito) mais e melhor!
Telmo Correia pediu para o CDS uma votação superior à soma dos votos da CDU e do BE.
Devo dizer que isso dar-me-ia um prazer especial, não por considerar que isso é imprescindível para que CDS e PSD juntos tenham a maioria absoluta dos deputados da AR, mas simplesmente porque considero que isso seria um sinal de um avanço civilizacional de Portugal.
Estes dias de pré campanha têm sido particularmente reveladores. Ou melhor, elucidativos, quanto à actual natureza dos partidos. O PS, um partido desligado da realidade, submisso à dialéctica quase louca de um líder que, teimoso e resistente, já nada tem para oferecer ao País. O PSD, reconhecidamente sintonizado com as dificuldades que enfrentamos, sofre todavia de falta de rumo, de coerência, de voz clara. Não tranquiliza a honestidade ou rectidão de intensão das suas principais figuras (Passos Coelho, Catroga, Carlos Moedas, etc). O excesso de declarações, de entrevistas, de comentários, com as inevitáveis contradições, são a expressão eloquente da impreparação e amadorismo de que não precisamos. O CDS, claramente preparado, com energia, mobilizador, jovem mas maduro, a revelar uma capacidade de mobilização que não lhe conheciamos. Parece estar a vencer a crónica resistência que os eleitores lhe têm «oferecido». Onde antes viamos (ou não) apoios envergonhados, hoje vemos a participação activa e empenhada. Onde antes viamos um homem só a varrer as feiras de norte a sul do país, hoje vemos vários quadros, com voz própria (ainda que sintonizada), cada um no seu círculo eleitoral. O BE, sem rumo, sem bandeiras, a definhar. Já nem o carisma e qualidades políticas de Francisco Louçã parecem ser suficientes. Num quadro eleitoral sem causas fracturantes, sem espaço para o «ideal», em que as pessoas querem mesmo ter soluções para os seus problemas, um partido radical de esquerda recolhe à expressão eleitoral que julgava não mais conhecer. O PCP paradoxalmente sem chama. Justamente num momento de alta de desemprego, de tensões sociais, de cortes salariais, seria expectável que o partido dos sindicatos ganhasse fôlego e expressão eleitoral. Mas não. O PCP parece estar reduzido aos seus fiéis. Porventura, tal como com o BE, as pessoas parecem procurar mesmo soluções e não as veêm em bandeiras como a «renegociação da dívida» ou a «subida do salário mínimo».
Sócrates e Louçã concorrem na SIC pelo papel de maior demagogo da nação
Não sei porquê mas o Bloco de Esquerda, nestas eleições, faz-me lembrar aquele Mexicano que logo no princípio do filme de cowboys leva um tiro, morre, e nunca mais se ouve falar dele o resto do filme todo.
Talvez Francisco Louçã esteja convencido de que assim como a intervenção do FMI de 1983 produziu o PRD (que obteve mais de 1 milhão de votos), esta intervenção do FMI poderia poderia promover o Bloco de Esquerda à "primeira liga".
Contudo, como escrevi aqui, o que prevejo, e o que se prevê, é a derrocada eleitoral do Bloco.
O PRD de 2011 pode bem ser o CDS porque é este o partido da alternativa.
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