Rua Direita
Quinta-feira, 26 de Maio de 2011
Filipe Santos

Parece cada vez mais sério o risco da Grécia não conseguir cumprir o seu serviço da dívida.

 

Só isso justifica que se fale em "reprofiling", um novo eufemismo para a reestruturação da dívida (um malogrado "evento de crédito" de consequências gravosas).

 

Se a Grécia cair nesta desgraça é possível que venha a ter de sair do Euro. E se isso acontecer quebra-se um mito (o da unidade e irreversibilidade do processo europeu). Nesse cenário é possível que Portugal siga o mesmo caminho. Podemos, por isso, estar perto do abismo.

Sair do Euro significa entregar Portugal definitivamente ao grupo dos pobres.

 

Por tudo isto Portugal precisa de um governo forte, tecnicamente preparado e muito coeso. E precisa que gente incorrigível, como muita da que ainda nos governa, seja definitivamente afastada.

 

Este é o momento. Por ti. Por todos. Por Portugal antes que seja tarde demais.

Publicado Por Filipe Santos em 26/5/11
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Quarta-feira, 25 de Maio de 2011
Tomás Belchior

"Governo confirma que pôs Segurança Social ao serviço da dívida pública

 

A confirmação da interferência do Governo na política de gestão do Fundo consta de um despacho de publicado segunda-feira em Diário da República, quase dois meses depois de se ter noticiado que a Segurança Social foi uma das entidades a socorrer a dívida pública portuguesa."

 

Isto sim é uma verdadeira reforma da Segurança Social. Obrigado PS. Obrigado José Sócrates.

Publicado Por Tomás Belchior em 25/5/11
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Terça-feira, 24 de Maio de 2011
José Meireles Graça

À esquerda, vai um grande griteiro: Não pagamos!


Do nosso lado, que assinou o MoU pelo estado de necessidade em que uma governação demencialmente suicidária deixou o País, reina sobre a renegociação da dívida um grande silêncio. É natural: ainda quase nada foi feito para começar a dar baixa dos itens constantes do cardápio triunviral, por o volume e a natureza das mudanças necessárias requererem uma legitimidade democrática fresca; e sem ver claro qual o real impacto das mudanças, por um lado, e a determinação e competência técnica e política de quem as vier a aplicar, por outro, será cedo para pensar em renegociar, de um lado e outro do balcão.

 

Acredito que quando historiadores futuros estudarem o nosso tempo hão-de, para além do jogo de forças e multiplicidade de factores que nos trouxeram até aqui, guardar um lugarzinho para análise da estranha mesmerização que Sócrates exerceu sobre um número considerável de pessoas, nem todas compradas com os benefícios a crédito que um Estado Social insustentável lhes propinou, e nem todas beneficiárias do negocismo que o Estado investidor promoveu.

 

O momento é assim de suspensão. Os credores, quando for, real e não apenas prospectivamente, claro que o serviço da dívida é sufocante, estarão tanto mais receptivos a uma renegociação "macia" quanto mais rigoroso e consistente for o Governo. O CDS, que não é refém do Poder Local, do Autónomo, nem do factual (este último, se calhar, também devia ser grafado com maiúscula) será parte importante da solução; e aos responsáveis do PSD, se vierem a liderar, como é natural que aconteça, conviria um CDS com uma grande força. Não espero que o entendam; espero que o eleitor o entenda.

Publicado Por José Meireles Graça em 24/5/11
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Terça-feira, 17 de Maio de 2011
João Ferreira Rebelo

Hoje de manhã tive de ir à Loja do Cidadão. Decidi apanhar o Elevador da Glória e no meio de dezenas de turistas, 2 italianos e 2 ingleses elogiavam sobejamente Lisboa.

 

Gabavam o nosso sol, a nossa arquitectura, a excelente gastronomia e a arte de bem servir. De seguida, já em tom de espanto, comentavam que se vive muito bem em Lisboa, que não se vê miséria, nem pobreza (depende por onde andaram, é certo) e concluíram, já com o apoio de outros turistas que os ouviam, que Portugal não precisa de ajuda externa, que tudo não passa de um embuste para gamar uns trocos aos vizinhos ricos da Europa.

 

Estive quase para pedir desculpa em nome dos Portugueses e para explicar que daqui a 3 semanas vamos finalmente ter um novo governo e mandar para casa aquele Senhor que nos deixou nesta situação. Mas por momentos tive receio de também eu poder estar a mentir…

Até os estrangeiros percebem que o nosso Governo não aumentou a dívida para fazer face a graves problemas sociais, mas antes para levar a cabo políticas megalómanas, grandes obras não urgentes e favorecer interesses pessoais.

 

O que nos falta para perceber também?

Publicado Por João Ferreira Rebelo em 17/5/11
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Segunda-feira, 16 de Maio de 2011
José Meireles Graça

O sempre combativo João Galamba veio aqui rebater uma afirmação do núcleo de estudos de conjuntura sobre economia portuguesa (NECEP) da Universidade Católica, que rezava assim: "A revisão das contas públicas efectuada em Março e Abril veio revelar uma situação económica no final de 2010 pior do que a inicialmente estimada pelo INE."

Na Igreja dos Economistas Galamba ocupa, pelo menos, o posto de diácono; e o NECEP há-de ter por lá um bispo que, se quiser, responda ou cale, aceitando o reparo doutrinal ou contestando-o. Por mim, que tenho tanto respeito por economistas como por meteorologistas (isto é, quer falem de bom quer de mau tempo eu muno-me de guarda-chuva) registo a evidente má-vontade na inclusão no perímetro orçamental de empresas que lá não estavam. Logo eu que, de certo modo, compreendia Galamba: quieta non movere - até um dia. Mas o dia chegou e, já agora, conviria ver o resto do lixo, que já está a decompor-se há tempo bastante. 

Publicado Por José Meireles Graça em 16/5/11
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Domingo, 15 de Maio de 2011
CM

Se o Estado incumprir nas suas obrigações financeiras face aos credores estrangeiros, porque haverão os contribuintes de honrar as suas obrigações fiscais com o mesmo Estado?

Publicado Por CM em 15/5/11
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Quinta-feira, 12 de Maio de 2011
Publicado Por Diogo Duarte Campos em 12/5/11
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Quarta-feira, 11 de Maio de 2011
CM

A fiscalidade em Portugal tem destas pérolas. Em Portugal, um aforrador que queira comprar dívida pública é taxado em mais valias pelo Estado. 

 

Ou seja, o Estado cobra impostos a quem lhe quer emprestar dinheiro (e por outro lado poupar, outra das vantagens desse investimento).

 

Publicado Por CM em 11/5/11
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CM

Já se sabe há muito que os acordos cruzados com o BCE, com a UE e com o FMI impede a venda de Ouro ao desbarato no mercado como chegou a ser avançado.

 

Ora, se somos tão criativos na contabilidade, porque não também nos instrumentos financeiros ? 

 

Porque não usar o Ouro detido pelo Banco de Portugal para garantir emissão de nova dívida (que certamente seria emitida a uma taxa bastante inferior...)? Uma espécie de Covered Bonds, mas com garantia adicional de ouro para além da promessa do emitente, a fazer lembrar as velhas notas de Escudo: "100 Escudos Ouro"...

 

É que convém não esquecer que o grande objectivo é diminuir o rácio Dívida/PIB, pelo que vai ser importante crescer - é certo -, mas vai ser ainda mais importante no longo prazo ter excedentes orçamentais para pagar a dívida existente. E uma das formas mais interessantes de neste momento diminuir dívida é recompra-la no mercado secundário a taxas altamente atractivas. Na prática, se o Estado Português conseguisse de alguma forma recomprar dívida no mercado secundário estaria não só a diminuir a sua dívida bruta, como a comprá-la extremamente barata (já que do ponto de vista do investimento puramente financeiro, quem melhor que o devedor para saber da sua capacidade de pagar os seus créditos?). Além disso, normalmente estes actos são muito bem vistos por parte dos agentes financeiros...

Publicado Por CM em 11/5/11
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Sexta-feira, 6 de Maio de 2011
João Maria Condeixa

Enquanto não recorríamos à ajuda externa - que hoje já sabemos ter vindo tardiamente - andámos entretidos em leilões sucessivos de dívida pública a ponto do PM deixar de vender Magalhães para passar a vender títulos mundo fora. De balão em balãozinho de oxigénio fomos protelando o resgate, mesmo que o oxigénio estivesse a preços insustentáveis. Entretanto os interessados - viemos a saber - foram quase sempre os mesmos. Apesar das deslocações às Arábias e das vindas dos senhores do Sol posto, a dívida acabou por ser comprada, sobretudo pelos da casa: a banca portuguesa. E a história terminou onde já sabemos, quando estes disseram "Basta!".

 

Só que agora temos mais dados. E comparando os juros de hoje - ‎3,25% nos 3 primeiros anos e 4,25% a partir do quarto ano - com os juros de então, ficamos a saber que este atraso no pedido de ajuda, não só obrigou a um remédio mais severo, como se mostrou a solução mais dispendiosa. A teimosia de Sócrates - Teixeira dos Santos, por si, talvez até tivesse atirado a toalha aos 7%, como disse - representa, assim, sacrifícios  acrescidos e financeiramente a opção mais dolorosa.

 

Obrigado, Senhor Primeiro-Ministro!

Publicado Por João Maria Condeixa em 6/5/11
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Quarta-feira, 4 de Maio de 2011
CM

Muito se tem discutido e argumentado sobre as vantagens de reestruturar ou pura e simplesmente deixar de pagar o que devemos. Para além da óbvia imoralidade da coisa - isto é, gastamos o que temos e nao temos, e ainda deixamos o credor "a arder" com o "calote" - há muitas variáveis a considerar.

 

Desde logo, um "haircut", extensao de maturidade ou renegociaçao de cupões de juro na dívida emitida - como tem vindo a ser pedido por muitos agentes - tem um impacto no curto prazo, já que objectivamente teremos muito menos "principal" (ou montante de capital em dívida) para reembolsar, e portanto, menor Dívida sobre PIB. Claro que seria um mar de rosas não fosse o terrível longo prazo que sempre tramou Keynes, já que esta solução implicaria um carimbo de "incumpridor" que perduraria durante décadas no passaporte de Portugal - leia-se, um spread adicional sempre que quisessemos voltar a pedir emprestado. Ou seja, no longo prazo, o PIB cairia tanto que dificilmente compensaria a quebra da dívida resultante da renegociaçao.

 

E a questão resume-se muito a esta ultima parte: voltar a pedir emprestado. Portugal é deficitario comercialmente, mesmo em termos alimentares. Um impedimento de financiamento impediria satisfazer as mais básicas necessidades de importaçao de matérias primas energéticas ou alimentares. Por outro lado, com ou sem euro, o financiamento seria extraordinariamente complicado: sem euro, seria dificil pedir emprestado sabendo os credores que seriam reembolsados em moeda a ser constantemente desvalorizada; com euro, os juros necessariamente altos (dado o carimbo de incumpridor) seriam de tal ordem que tornariam o financiamento proibitivo (quem voltaria a emprestar a bancos ou empresas portuguesas?).

 

Em suma, deixar de pagar nao só mergulharia o País num caos social e financeiro, como tornaria o crédito para todos demasiado caro para se usar. É uma soluçao a evitar a todo custo, até porque pessoas e Estados tem o dever de fazer tudo para honrar os seus compromissos e nao simplesmente endividarem-se e depois culpar quem emprestou. A responsabilidade e responsabilizaçao deve caber a todos. A honra que pagar tudo o que devemos.

 

Conclusao: a nao ser que queiramos tornar Portugal numa autarcia depois de renegociar a dívida, o melhor mesmo é - já que fomos tao lestos a pedir emprestado - tentar pagar o que devemos.

 

Publicado Por CM em 4/5/11
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