Rua Direita
Quarta-feira, 1 de Junho de 2011
Timóteo Gonçalves

Até quando continuaremos a pagar "Acordos Empresa" negociados em tempos que simplesmente já não existem?

 

Será que os Sindicatos ainda não entenderam que , até pagarmos o que devemos , não nos resta outro remédio que continuar trabalhando , no cumprimento dos nossos deveres, deixando a defesa de direitos salvaguardados por AE's totalmente desenquadrados com a nova realidade, para dias melhores ?

 

Como é possivel fazer-se greve quando, pelo menos ,  700.000 portugueses estão desempregados ?

 

Que noção de liberdade é esta?

 

Fechem-se de vez estas empresas ( são sempre as mesmas e contam-se pelos dedos duma mão). O País sofrerá durante duas ou três semanas mas livrar-se-à destes enormes survedores de recursos financeiros.  

 

 

Temas:
Publicado Por Timóteo Gonçalves em 1/6/11
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Terça-feira, 31 de Maio de 2011
CM

Caminhos-de-Ferro (2010)

 

Passivo:  3.666 Milhoes de EUR   (2.2% PIB)

Capital Próprio:  -2.446 Milhoes de EUR   (1.5% PIB)

Resultados:  -195 Milhoes de EUR

 

Remuneração orgãos sociais: 454 mil EUR

 

REFER (2010)

 

Passivo:   2.712 Milhoes de Eur   (1.7% PIB)

Capital Próprio:  -1.445 Milhoes de EUR   (0.9% PIB)

Resultados:   -146,5 Milhoes de EUR

 

Remuneração orgãos sociais: 495 mil Eur

 

Carris (2010) 

 

Passivo:   903  Milhoes de Eur   (0.6% PIB)

Capital Próprio:  - 734 Milhoes de EUR   (0.4% PIB)

Resultados:   -41,5 Milhoes de EUR

 

remuneração orgaos sociais: 464,5 mil Eur

 

Metro do Lisboa (2009)

 

Passivo:    4.072  Milhoes de Eur    (2.5% PIB)  

Capital Próprio:  -333  Milhoes de EUR   (0.2% PIB)  

Resultados:  -148,5   Milhoes de EUR   

 

Remuneração Orgaos Sociais: 506 mil Eur

 

Transtejo / Softlusa (2009, contas apenas disponíveis em www.dgtf.pt )

 

Passivo: 180,6  Milhoes de EUR    (0.1% PIB)

Capital Próprio:  -96,1 Milhoes de EUR    (0.1% PIB)

Resultados:   -17 Milhoes de EUR

 

Metro do Porto (2010)

 

Passivo:   3.434 Milhoes de Eur     (2.1% PIB)

Capital Próprio:  - 1.157 Milhoes de EUR    (0.7% PIB)

Resultados:   -351,8  Milhoes de EUR

 

Remuneração orgãos sociais: 627 mil Eur

 

 

 

Resumo:

 

- recapitalizar estas empresas custa 3.8% do PIB ou 6.211 Milhoes de Eur.

- só em 2010 (estimado) perdeu-se 0.6% do PIB em prejuizos ou 900 Milhoes de Eur

- os passivos já amontam a 9.8% do PIB ou 14.967 milhoes de Eur

 

Notas:

 

- o défice em 2010 cifrou-se em 9.1% do PIB.

- as fontes dos números sao os relatórios de contas dos anos referidos, disponíveis nos sites de cada empresa. As remunerações são extrapoladas das informaçoes fornecidas nos referidos relatórios.

 

Conclusão:

 

- Chega de gestão PS/PSD!

Publicado Por CM em 31/5/11
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Segunda-feira, 30 de Maio de 2011
CM

Enquanto Sócrates e Passos se degladiam em assuntos sem qualquer interesse real, o País segue sem controlo.

 

O PM assinou um memorando novo em que apertava os prazos, mas saltou fora para depois poder culpar quem vier a seguir. E Passos Coelho continua sem perceber que vai ter que mostrar muito mais competência do simplesmente ganhar debates ao animal feroz.

 

E ainda reclamam pelo voto útil... 

Temas: ,
Publicado Por CM em 30/5/11
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Francisco Meireles

Sob o título que escolhi para este post, Nicolau Santos no Expresso do fim de semana passado, "ataca" as posições de Paulo Portas sobre essas insignes instituições portuguesas que são o Banco de Portugal e a Autoridade da Concorrência.

 

O artigo, sob a capa de coluna de opinião, não é mais do que um ataque torpe, desfocado das posições e soluções que o CDS defende, apontado à defesa do bloco central em que Nicolau Santos parece depositar toda a sua fé.

 

NS não quiz ou não pode compreender as posições do CDS e de Paulo Portas, porque não lhe interessa. Defender boas instituições IMPLICA criticar os seus dirigentes quando não fazem o trabalho que devem e para o qual são pagos. Esse é que é o problema, não os ataques. O Banco de Portugal pode ter gente muito competente, mas se tiver um governador que não quer fazer o seu trabalho ou que se deixa instrumentalizar, como foi o caso de Vítor Constâncio, tem de ser criticado, sob pena de deixar corromper a instituição. Foi isso que aconteceu. É isso que está a acontecer com a Autoridade da Concorrência, e não tem nada a ver com os combustíveis; tem a ver com não se permitir que a instituição desempenhe a sua função.

 

A verdade é que NS tenta fazer um aproveitamento ignóbil das lições de um prémio nobel da economia, sobre a importância das instituições para o crescimento económico, o que só pode ter uma de duas explicações. Ou NS não percebeu ou não quiz perceber. "Não há pior cego do que o que não quer ver..."

 

Portugal precisa de concorrência como de pão para a boca, não precisa de "negócios" entre o estado, a banca e alguns favoritos do regime. Basta pensar no que significou, para os consumidores, a separação da Zon e da PT, para se perceber porque é que a verdadeira concorrência é a mãe de todas as virtudes. Pelo contrário, a instrumentalização das instituições, não só para distribuir cargos mas sobretudo para "proteger os amigos" ou legitimar comportamentos impróprios, essa é que é a mãe de todos os vícios.

 

E não há duas voltas a dar-lhe, por muito que NS gostasse de ver o País a continuar pelo caminho que o trouxe ao atoleiro actual!!!

Publicado Por Francisco Meireles em 30/5/11
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Domingo, 29 de Maio de 2011
Zélia Pinheiro

Este post do José Meireles Graça faz-me pensar que os políticos de Esquerda, no fundo, abominam a Economia. A Economia dá jeito para colonizar a sociedade e até para os mais afoitos brincarem aos empresários com o dinheiro dos outros, mas é uma grande chatice quando de repente - helas - se descobre que tem vida própria e escapa ao seu mundo em que o Estado tudo devia conseguir dominar.

Publicado Por Zélia Pinheiro em 29/5/11
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Bernardo Campos Pereira

 

 

 

"Colocaria mais ênfase na despesa e menos nas receitas, através do aumento da carga fiscal. O problema deste país foi criado pelos dois maiores partidos políticos, que desde a queda da ditadura, em 1974, conceberam um sector público sem barreiras ao crescimento e ao despesismo. E de repente, depois do colapso do Lehman Brothers, o sistema financeiro mundial impôs regras mais duras e encontrou na Grécia o elo mais fraco da zona euro..." [ Excerto da entrevista do Público de hoje ao economista grego Yannis Stournaras ]

 

Paralelismos evidentes com o caso português; assustador é que os sindicatos, os partidos da extrema esquerda, e em especial o PS continuam todas a negar esta realidade.

Publicado Por Bernardo Campos Pereira em 29/5/11
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Sexta-feira, 27 de Maio de 2011
Bernardo Campos Pereira

O que se está a passar com países mal governados, que não sabem gerar riqueza, pondo-se assim a jeito para não se conseguirem financiar, é um problema que no caso Português está intimamente ligado à postura do nosso regime actual - baseado nos princípios da social democracia tão queridos ao PS e PSD. Este ensaio, escrito há quase 30 anos pela economista Canadiana Jane Jacobs (f. 2006), faz uma excelente análise de como há cidades que enriquecem e impérios que se empobrecem. O caso das zonas deprimidas referidas (Sul dos EUA, províncias atlânticas do Canadá, e outras -incluindo uma análise a Lisboa em 1977-) revela semelhanças ao que se está a passar com Portugal agora.

 

Funcionamos (e mal) como um protectorado da Europa onde um estado pesado e altamente interventivo, mega investimentos como o TGV ou o novo aeroporto de Lisboa e uma política económica ditada pelo poder político não resolverá absolutamente nenhum dos problemas dos portugueses, muito pelo contrário.

Publicado Por Bernardo Campos Pereira em 27/5/11
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Francisco Meireles

Eis a questão!

 

Um tal de Ventanias posta no Nortadas um interessante comentário, sobre as alterações unilaterais de spreads pelos bancos, nos empréstimos hipotecários. Aqui. Vale a pena ler e reflectir. Sobretudo porque se aproximam tempos em que os bancos, e outros protegidos do sistema, se tentarão apropriar das ajudas europeias em benefício próprio.

 

Convém que o Estado desempenhe o seu papel, sobretudo se tiver como objectivo manter as possibilidades de crescimento da economia.

Publicado Por Francisco Meireles em 27/5/11
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Quarta-feira, 25 de Maio de 2011
Diogo Duarte Campos

OCDE confirma: Portugal será o único em recessão


Portugal vai sofrer uma recessão de 2,1% este ano e de 1,5% no próximo, segundo as previsões que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) divulgou esta quarta-feira, confirmando que, em 2012, o país será o único em recessão. Este ano, a Grécia e Japão ainda estão em terreno negativo, mas em 2012 Portugal fica para trás.

Estas estimativas são, ainda assim, mais animadoras do que as da Comissão Europeia. Bruxelas antecipa uma perda de riqueza de 2,2% para este ano e de 1,8% em 2012. E mais animadoras ainda do que as divulgadas pelo Fundo Monetário Internacional que apontava para uma contracção de 2% em 2012.

A OCDE sublinha que «a actividade económica deverá continuar a contrair em 2011 e durante a maior parte de 2010, como resultado dos esforços de consolidação orçamental e da redução da dívida».

Olhando para a economia mundial, a organização prevê um crescimento de 4,2% e 4,6% em 2012, considerando que a recuperação está num caminho sólido mas ainda a diferentes velocidades.

No consumo privado nacional, e confirmando a perspectiva do Banco de Portugal de que as famílias vão sofrer uma perda de rendimento disponível sem precedentes, com a OCDE a prever um recuo de 4,1% já este ano.

Depois, há a ter em conta a manutenção da «fraca procura interna» que se traduzirá numa inflação mais baixa, «uma vez que os efeitos da subida dos preços do petróleo e os aumentos sucessivos dos impostos indirectos terão desaparecido».

Já as exportações, que têm aumentado, «deverão permanecer dinâmicas, ajudando a pôr termo às perdas decorrentes da produção no final de 2012 e a reduzir gradualmente o défice da conta corrente».

Apesar desta lufada de ar fresco nas previsões da OCDE, o que vem a seguir, no documento, não é nada animador: «Espera-se também um aumento do desemprego», com a taxa nos 11,7% este ano e nos 12,7% em 2012. Ora, no primeiro trimestre a taxa de desemprego ficou já nos 12,4%, segundo o INE.

A taxa de desemprego de Portugal e da Grécia, em 2012, serão as únicas a registar crescimento, em contra-ciclo com os restantes países da OCDE que conseguem reduzir o número de desempregados.

Em 2011 e 2012, Portugal ocupa o 6.º lugar dentro dos 30 países que constituem a OCDE.

A redução do défice irá continuar, no contexto, da
assistência financeira da União Europeia e do FMI, e apesar dos custos a curto-prazo, a implementação de medidas de «consolidação orçamental é fundamental para reequilibrar a economia».

No documento, a organização assume que as metas do défice exigidos pela troika vão serão atingidos, com 5,9% este ano e 4,5% em 2012.

Mas a OCDE avisa que para suportar esta consolidação, são precisas mais reformas estruturais: a sustentabilidade das contas públicas «também requer um crescimento mais forte e um aumento da competitividade, que terá de ser alavancada em reformas estruturais no mercado laboral e no sistema fiscal».

No que diz respeito à dívida pública, a OCDE é mais pessimista do que a Comissão Europeia que prevê que o valor ultrapasse o PIB, chegando aos 101,7%, este ano, e os 107,4% para o ano. A organização prevê que a dívida atinga 110,8% em 2011 e 115,8% em 2012.

Publicado Por Diogo Duarte Campos em 25/5/11
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Quinta-feira, 19 de Maio de 2011
Filipe Diaz

Desde ontem que são notícia as declarações de Angela Merkel sobre as férias e a idade de reforma nos países periféricos (denominação que denota alguma sobranceria pacóvia), que prontamente mereceram a indignação dos sindicatos e de alguns políticos, e o aproveitamento das associações patronais.

 

Na senda desta polémica, o Jornal de Negócios vem hoje desmontar a validade do reparo da Chanceler alemã, demonstrando com dados externos que os gregos, portugueses e espanhois são os que mais horas trabalham, que os gregos e os portugueses estão entre os que menos dias de férias gozam (feriados e pontes à parte, calculo eu), e que os portugueses e espanhóis são já dos que mais tarde se reformam.

 

Ora, a ser verdade a comparação entre a realidade dos diversos países e sabendo nós que estamos na cauda da produtividade europeia, fico ainda mais preocupado... se estamos já entre os que mais horas por semana trabalhamos, entre os que menos férias gozam e entre os que mais tarde se reformam, algo vai certamente mal no modelo económico, laboral e de governação deste falido Portugal.

 

Sem querer repetir os incessantes apelos que se ouvem nos últimos meses (anos), é urgente alterar os paradigmas do funcionamento da nossa economia e do mercado de trabalho nacional. Aliás, se deixarmos passar o momento actual sem a coragem para o fazermos, temo que este país à beira mar plantado, acabe enterrado e condenado ao eterno fogo da "cauda da europa". 

Publicado Por Filipe Diaz em 19/5/11
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Quarta-feira, 18 de Maio de 2011
Victor Tavares Morais

Tem razão o CDS ao recomendar prudência na redução da TSU. Vai ser necessário muito cuidado para garantir equidade na aplicação da medida e eficácia nos resultados.

 

Por exemplo, são igualmente merecedoras deste mesmo incentivo, a carpintaria do Sr. José, situada na raia minhota e que emprega 10 trabalhadores, mas que vende essencialmente em Portugal em competição com as carpintarias de toda a Galiza, ou a maior exportadora nacional – a Petrogal?

Publicado Por Victor Tavares Morais em 18/5/11
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Sexta-feira, 13 de Maio de 2011
Gabriel Silva

Em momentos de aperto, volta a cantiga do bandido sobre a capa de «imposto europeu» e das «eurobonds».

 

Felizmente de momento não há o perigo de tal se tornar realidade. Por um lado, a UE não pode criar impostos, nem tão cedo o poderá fazer, pois teria de fazer uma total revolução no seu quadro institucional. «No taxation without representation» é um velho, acertado e sempre presente princípio, e uma vez que os representantes no Parlamento Europeu representam os Estados e não os eleitores, não há ainda forma de efectivar aquela representação.

 

Por outro lado, o actual Tratado expressamente proíbe a assumpção de dívida contraída pelos estados membros, pelo que as eurobonds ainda terão de esperar. Mesmo o actual mecanismo de «empréstimos» utilizado em favor da Grécia, Irlanda e Portugal viola claramente o Tratado (está inclusive tal mecanismo a ser analisado em tribunal devido a diversas queixas de cidadãos alemães). Paira contudo uma nuvem negra sobre todos nós, pois que os estados já chegaram a acordo para a revisão acelerada do Tratado (em menos de um ano deixou de ser definitivo e tão gabado...), tendo contado, lamentavelmente também com o voto favorável dos representantes do CDS/PP. Resta apenas contar com os amigos referendários irlandeses e britânicos na travagem de tal barbaridade, já que por cá se entende - da esquerda à direita - que os eleitores não devem ser chamados a pronunciarem-se nos assuntos que lhe dizem respeito. Apenas devem pagar.

Publicado Por Gabriel Silva em 13/5/11
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Publicado Por CM em 13/5/11
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Quinta-feira, 12 de Maio de 2011
CM

A verdadeira questão quando se discute a diminuição do TSU não é mais senão o custo do factor trabalho em Portugal. Sabe-se que Portugal gastou demais e que cresceu pouco, mas raramente se vai ao fundo da questão.

 

Se do ponto de vista orçamental a realidade bateu de frente na cara dos portugueses, tamanha foi a incompetência dos políticos em manter as contas em ordem, já do ponto de vista da competitividade, muito ficou por dizer.

 

Primeiro, é preciso referir que austeridade orçamental de pouco serve se nao houver crescimento.

 

Segundo, o crescimento económico efectua-se nao só pelo investimento (rentabilidade do capital) como também pela qualidade e quantidade do factor trabalho (entres outros factores, naturalmente).

 

Em Portugal a cultura do mérito, isto é, o prémio pela qualidade e eficiência nunca foi uma prioridade. Ao invés, a população activa (também fruto da História) prescindia alegremente de maiores rendimentos caso recebesse em contrapartida segurança laboral. E assim aconteceu. O problema surgiu quando esse "seguro" começou a ficar mais caro (ou seja, em termos comparativos, havia quem trabalhasse igual ou melhor, por igual ou menor salário noutros países) e como os salários eram (e são ainda) rígidos à descida, Portugal perdeu competitividade com os custos unitários do trabalho a descolarem dos países com os quais concorria para investimentos avultados (como foi o caso dos países de Leste, mas também em certa medida India e China).

 

 

Este ponto foi já evidenciado na anterior edição da Rua Direita em 2009 como se pode ver no gráfico acima e aqui.

 

O pior foi que nada foi feito para impedir esta tendência, e com a concorrência de países com salários baixos (China e India) e outros de elevada competividade e produtividade (como Alemanha), Portugal ficou sempre a perder. Não soube na altura correcta (ou nao fez as escolhas políticas acertadas) baixar os custos do trabalho via menores impostos, e quando se ve na contingência de descer salários (porque dificilmente pode descer salários, pelo menos sem subir outros), não tem coragem política (ou eleitoral) para o fazer.

 

Caso os custos unitários do trabalho em Portugal nao desçam (e parece-me que baixar o TSU não vai ser suficiente), Portugal terá dificuldades em crescer a sua economia de bens transaccionáveis. Salvar-se-á talvez o Turismo. É, portanto, absolutamente crucial mexer na lei laboral, torná-la flexível, assim como tornar o mercado de trabalho competitivo.

 

fonte: Eurostat. Ver aqui

 

Inacreditável é perceber que a tendência que se verifica há tanto tempo, nao foi minimamente invertida em plena crise.

 

Ficou incomportável pagar o "seguro" da estabilidade laboral. Ou os custos do trabalho descem ou o desemprego e a recessão são inevitáveis. É preciso que os trabalhadores assumam também eles riscos (e perceber que podem obter melhores retornos se o fizerem).

Publicado Por CM em 12/5/11
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Quarta-feira, 4 de Maio de 2011
Publicado Por Tomás Belchior em 4/5/11
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CM

Muito se tem discutido e argumentado sobre as vantagens de reestruturar ou pura e simplesmente deixar de pagar o que devemos. Para além da óbvia imoralidade da coisa - isto é, gastamos o que temos e nao temos, e ainda deixamos o credor "a arder" com o "calote" - há muitas variáveis a considerar.

 

Desde logo, um "haircut", extensao de maturidade ou renegociaçao de cupões de juro na dívida emitida - como tem vindo a ser pedido por muitos agentes - tem um impacto no curto prazo, já que objectivamente teremos muito menos "principal" (ou montante de capital em dívida) para reembolsar, e portanto, menor Dívida sobre PIB. Claro que seria um mar de rosas não fosse o terrível longo prazo que sempre tramou Keynes, já que esta solução implicaria um carimbo de "incumpridor" que perduraria durante décadas no passaporte de Portugal - leia-se, um spread adicional sempre que quisessemos voltar a pedir emprestado. Ou seja, no longo prazo, o PIB cairia tanto que dificilmente compensaria a quebra da dívida resultante da renegociaçao.

 

E a questão resume-se muito a esta ultima parte: voltar a pedir emprestado. Portugal é deficitario comercialmente, mesmo em termos alimentares. Um impedimento de financiamento impediria satisfazer as mais básicas necessidades de importaçao de matérias primas energéticas ou alimentares. Por outro lado, com ou sem euro, o financiamento seria extraordinariamente complicado: sem euro, seria dificil pedir emprestado sabendo os credores que seriam reembolsados em moeda a ser constantemente desvalorizada; com euro, os juros necessariamente altos (dado o carimbo de incumpridor) seriam de tal ordem que tornariam o financiamento proibitivo (quem voltaria a emprestar a bancos ou empresas portuguesas?).

 

Em suma, deixar de pagar nao só mergulharia o País num caos social e financeiro, como tornaria o crédito para todos demasiado caro para se usar. É uma soluçao a evitar a todo custo, até porque pessoas e Estados tem o dever de fazer tudo para honrar os seus compromissos e nao simplesmente endividarem-se e depois culpar quem emprestou. A responsabilidade e responsabilizaçao deve caber a todos. A honra que pagar tudo o que devemos.

 

Conclusao: a nao ser que queiramos tornar Portugal numa autarcia depois de renegociar a dívida, o melhor mesmo é - já que fomos tao lestos a pedir emprestado - tentar pagar o que devemos.

 

Publicado Por CM em 4/5/11
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Terça-feira, 3 de Maio de 2011
Marcos Teotónio Pereira

O crescimento do Estado nas economias desenvolvidas está a atingir o ponto de ruptura. Como parar e reverter este processo é o objectivo de um artigo especial do Economist. O processo é tão difícil que se compara com a desintoxicação de um toxicodependente.

 

Para se iniciar o processo o doente tem que estar consciente da sua dependência ou então estar num estado terminal. Na OCDE só Portugal e a Grécia é que estão neste estado terminal mas ainda não se convenceram da sua doença. A Inglaterra já sabe que está doente e está a iniciar o processo com grande coragem e imaginação.

 

Nós por cá temos então que tornar mais vísivel o que o estado nos custa directa e indirectamente de modo a que as pessoas percebam que também elas sofrem com isto. A politica fiscal deve ser alterada de modo a que o pagamento dos impostos se torne mais notado pelo contribuinte . Só assim se pode vir a desenvolver uma consciência de fiscalização do estado por parte das pessoas.

 

Esta atitude mais crítica quanto à ineficiência do estado pode e deve ter a sua expressão usando as redes sociais criando grupos de discussão sobre por exemplo, a escola dos meus filhos ou sites tipo "fixmystreet.org" ou "mygovcost.org" com o objectivo de potenciar a exposição pública da ineficiência do estado.

Temas:
Publicado Por Marcos Teotónio Pereira em 3/5/11
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Francisco de Almeida

Foi recentemente abolido o capital social mínimo das sociedades unipessoais e por quotas. Ainda não existia esta regra quando criei a minha empresa, e ainda bem.

 

Vejamos:

  • Quando cria a sua empresa tem de pagar logo €360;
  • Tem de contratar um contabilista que custará pelo menos €150 por mês;
  • Precisará certamente de fazer algumas compras de mobiliário e equipamentos;
  • Terá ainda, em boa parte dos casos, de adiantar dinheiro a fornecedores pela compra de materiais cujas vendas, depois de realizadas, só serão recebidas a 30, 60 ou 90 dias (ou mais no caso do cliente ser o governo);
  • Quando realizar a asneira que fez, terá de pagar mais €250 para encerrar a sua empresa.

 

Não é difícil ver que a soma destes custos é superior a €1 ou €2. Estas medidas em nada ajudam à dinamização do empreendedorismo. São antes medidas irresponsáveis que iludem os potenciais empreendedores quanto às dificuldades e desafios de começar uma empresa. Lançar um negócio é um compromisso que tem de ser assumido e tem custos associados. O capital social mínimo deverá reflectir esse compromisso.

 

Apoio com convicção medidas que facilitem a criação e o desenvolvimento da iniciativa privada em Portugal. No entanto, essas medidas precisam de ir ao coração do problema: fortalecer a formação de gestão de potenciais empreendedores,  minimizar a carga fiscal das microempresas, facilitar as contratações, garantir pagamentos atempados, melhorar os mecanismos de apoio financeiro e à exportação, etc. 

Temas:
Publicado Por Francisco de Almeida em 3/5/11
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CM

Haverá algum motivo para não haver um uso mais intensivo dos genéricos, nomeadamente quando tudo passaria por uma simples indicaçao dos médicos do princípio activo !?

 

http://economico.sapo.pt/noticias/farmacias-devem-receber-menos-pelos-medicamentos-mais-caros_117215.html

 

"Uma das ideias, aliás, é enviar trimestralmente aos médicos um relatório com a prescrição que fizeram e com o que poderiam poupar caso tivessem receitado genéricos, fazendo assim uma acção de promoção dos genéricos juntos dos prescritores."

 

E já agora, porque não a unidose ?

 

Preparem-se poderes corporativos instalados! Agora é que vai começar a doer!

Publicado Por CM em 3/5/11
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CM

Em 2006 o Rating da S&P de Portugal era "AA-" e da Eslováquia "A".

 

Em 2011 o de Portugal é "BBB-" e da Eslováquia "A+".

 

Em 5 anos Portugal desceu 6 "notches" e a Eslováquia subiu um... mas afinal a crise nao era internacional ou da dívida soberana !?

 

Ou será que foi a Eslováquia que "meteu uma cunha" à S&P !? Só pode...afinal eles é que são os influenciáveis...

Publicado Por CM em 3/5/11
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