António Costa trouxe um novo argumento à campanha: como não vamos ganhar as eleições, elas não servem para nada.
Sempre me incomodou muito que a "esquerda" se arrogasse de deter este território: a legitimidade para o discutir, as respostas para o resolver e a moralidade para o defender. E ainda hoje me incomoda.
Não por ser a "esquerda", nem por efectivamente nunca se ter provado que o seu modelo funcione. Mas porque, por definição, a questão social é da sociedade, isto é, de todos, pluralmente. Desde a esquerda, à direita, passando pelo centro.
O que sim é justo dizer é que, da "esquerda" à "direita", se apresentam formas diferentes de olhar para questão e, portanto, de a abordar.
Por isto é que me senti tão identificada com o que vem escrito no Manifesto do CDS:
"O CDS não abandona a questão social à esquerda
O CDS não deixa o monopólio das questões sociais e o combate à exclusão social nas mãos da esquerda e extrema ‐ esquerda que não têm soluções realistas. (...) Numa altura de austeridade tem de haver uma ética social nas decisões do Estado que não ponha o esforço sempre sobre os mesmos. (...)
A actual crise económica e social criou novos riscos de pobreza associados ao desemprego, ao endividamento excessivo e à desestruturação familiar‐ a acumular com os problemas já existentes.
Perante
a
aplicação
das
medidas
de
austeridade,
impõe‐se
uma
orientação
segura
de
protecção
de
quem
menos
tem
ou
mais
ajuda
precisa;
a
consciência
que
as
mesmas
medidas
têm
diferentes
impactos em
situações
diferentes.
Na actual conjuntura, é necessário consolidar e reforçar as políticas sociais, como forma de diminuir os efeitos da crise nos sectores mais vulneráveis da população e importa apontar novos caminhos. Mais inovadores e mais transformadores. Logo, é necessário inverter a lógica de algumas medidas de política social, desenvolvidas pelo estado central, na sua grande maioria baseadas numa abordagem “top down”. Porque as políticas locais envolvem a comunidade, são baseadas na sua dinâmica própria e fortalecem‐na. "
Encontro aqui subjacentes alguns dos valores mais fortes da Doutrina Social da Igreja (nomedamante o "princípio da participação, "princípio da solidariedade", "princípio da subsidiariedade", "princípio do bem comum", just to name a few).
Achei (e acho) importante e significativo que o CDS re-visitasse as suas raízes, e assim reforçasse (parte) da sua identidade.
Este post do José Meireles Graça faz-me pensar que os políticos de Esquerda, no fundo, abominam a Economia. A Economia dá jeito para colonizar a sociedade e até para os mais afoitos brincarem aos empresários com o dinheiro dos outros, mas é uma grande chatice quando de repente - helas - se descobre que tem vida própria e escapa ao seu mundo em que o Estado tudo devia conseguir dominar.
"Colocaria mais ênfase na despesa e menos nas receitas, através do aumento da carga fiscal. O problema deste país foi criado pelos dois maiores partidos políticos, que desde a queda da ditadura, em 1974, conceberam um sector público sem barreiras ao crescimento e ao despesismo. E de repente, depois do colapso do Lehman Brothers, o sistema financeiro mundial impôs regras mais duras e encontrou na Grécia o elo mais fraco da zona euro..." [ Excerto da entrevista do Público de hoje ao economista grego Yannis Stournaras ]
Paralelismos evidentes com o caso português; assustador é que os sindicatos, os partidos da extrema esquerda, e em especial o PS continuam todas a negar esta realidade.

Não é justo, na zona do Chiado as casas estão cada vez menos degradadas! Aparentemente estão a ser revitalizadas, recuperadas e reabitadas. E a preços altíssimos a que as pessoas se dispõem a pagar. E eu queria uma!
Isto do mercado ditar por onde quer ir tem de acabar. Tínhamos quase tudo para aquela ser uma zona barata: complicámos a vida ao arrendatário, desincentivámos o arrendamento, burocratizámos e inviabilizámos qualquer obra de recuperação pelo proprietário e agora que a JSD tinha uma proposta trotskista para a venda forçada de imóveis degradados ou abandonados para arrendamento a jovens - acho que podiam ter ido mais longe e proposto mesmo a "okupação"! - percebemos que no Chiado já está tudo a ficar impecável e habitado! E eu queria lá uma! E das baratinhas...
Sobre isto, aqui está a melhor frase que encontrei sobre o assunto: "dá sempre jeito criar dificuldades para vender facilidades." por André Azevedo Alves.
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