Rua Direita
Quarta-feira, 1 de Junho de 2011
António Folhadela Moreira

O Duarte Lino, do Cachimbo de Magritte, resolveu dedicar umas linhas menos simpáticas ao CDS, ao mesmo tempo que semi-endeusava Passos Coelho, terminando um post, modestamente intitulado Diagnóstico Científico, com uma coisa parecida com uma ameaça velada precedida da conclusão que o CDS em campanha não quis ser aliado do seu aliado natural no governo - leia-se, o PSD.

 

A avaliar pela falta de sentido de realidade que o seu texto exprime poder-se-ia pensar que Duarte Lino tem estado a acompanhar outra campanha que não a destas eleições. Mas como é desta campanha que Duarte Lino fala vamos, antes de mais, ao óbvio. Quem quis que os dois partidos fossem a votos em separado foi o PSD e não o CDS e isto só por si serviria para demonstrar que quem não quis ser aliado do seu aliado natural no governo foi o PSD e não o CDS.

 

Mas é claro que poder-se-ia dizer que apesar de cada partido ir a votos em listas próprias nada impediria uma espécie de campanha de não agressão e se era nisto que Duarte Lino pensava ao fazer o seu Diagnóstico Científico estou tentado a dar-lhe razão.

 

Realmente, teria sido animador não ver o PSD fazer uma campanha tão centrada no apelo ao voto útil à direita como a que está a fazer, teria sido inspirador ver o PSD defender ideias nesta campanha que tivesse defendido antes, assim como teria sido encorajador não ver tantas vezes na campanha do PSD ataques, até pessoais, a dirigentes do CDS (em particular a Paulo Portas). Em suma, teria sido muito bom ver o PSD fazer a campanha que Duarte Lino diz que fez. Mas que por acaso não fez.

 

É claro que Duarte Lino não se referia a estes momentos da campanha pois é-lhe mais fácil culpar (mesmo que injustamente) o CDS de ignorar que "o país faliu porque era inevitável falir com o actual modelo", sendo que o actual modelo é concerteza o dos Orçamentos de Estado e dos 3 PECs que o PSD aprovou com o PS... enfim, pecadilhos do passado que o PSD está desejavelmente determinado em não repetir.

 

O problema de Duarte Lino não é a campanha do CDS, é antes o resultado que antevê que o CDS vai ter. Aparentemente Duarte Lino está naquela franja do PSD que gosta de um CDS a dizer o que tem que ser dito e a ter 5% de votos nas urnas. E no fim até ficaria bem ao CDS pedir, de chapéu na mão, ao PSD que o levasse consigo para o Governo.

 

Mas nestas eleições, que vão ser ganhas pelo PSD (e isto significa a caducidade da estratégia de apelo ao voto útil à direita), é o CDS que vai ganhar com votos o seu lugar no Governo, o CDS não formará governo com o PSD por favor deste. E no governo que sair destas eleições não é igual um CDS com 5% de votos ou com 15% de votos dos portugueses. Para mal dos pecados de quem no PSD pensa como Duarte Lino o CDS está mais próximo dos 15% do que dos 5%. Mas para esses, paciência, é o país que sai a ganhar.

 

Por último, quanto ao semi-endeusamento que Duarte Lino faz de Passos Coelho, não comento. É certamente uma questão de fé e quanto a isso não faço diagnósticos científicos.

Publicado Por António Folhadela Moreira em 1/6/11
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Terça-feira, 31 de Maio de 2011
Publicado Por Tomás Belchior em 31/5/11
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Sábado, 28 de Maio de 2011
Ana Rita Bessa

Foi a 28 de Maio de 1911. Faz hoje 100 anos.

 

Carolina Beatriz Ângelo (1877−1911) dirigiu-se à Assembleia Eleitoral de Arroios, instalada no Clube Estefânia, em Lisboa, para votar nas eleições para a Assembleia Constituinte.

Semanas antes, requerera na Comissão de Recenseamento do Bairro onde residia a sua inclusão nos cadernos eleitorais, alegando preencher todas as condições especificadas no artigo 5.º do Decreto com força de Lei de 14 de Março de 1911: tinha mais de 21 anos, sabia ler e escrever e era “chefe de família” (…)

 

Perante a recusa de tal pretensão pelo Ministro do Interior recorreu do correspondente despacho para o tribunal (…)

 

Apoiada na autoridade desta decisão, Carolina votou nesse dia. Foi a primeira mulher a fazê-lo em Portugal – e durante largos anos a única.(…)

 

Porque a verdade é que muito embora a letra do artigo 5.º do referido Decreto com força de Lei de 14 de Março de 1911, ao conferir o direito de voto a “todos os portugueses”, aparentemente não diferenciasse homens e mulheres, a intenção do legislador fora — era sabido – bem outra: conceder tal direito apenas aos primeiros. (…)Para evitar a repetição e, quem sabe, a multiplicação de tão lamentável episódio, o novo Código Eleitoral, aprovado pela Lei de  3 de Julho de 1913, especificava com total clareza que seriam eleitores “todos os cidadãos portugueses do sexo masculino”** — explicitamente negando o voto à mulher. Ainda que fosse letrada e/ou chefe de família.

 

(por Joana Vasconcelos, no "É tudo gente morta")

Publicado Por Ana Rita Bessa em 28/5/11
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Sexta-feira, 27 de Maio de 2011
João Távora

 

Um espaço de inconformismo e denúncia. Socratesleaks é um tratado! A visitar, subscrever e partilhar.

Publicado Por João Távora em 27/5/11
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Quinta-feira, 26 de Maio de 2011
Tomás Belchior

"Fundamentalmente o PS encarna o partido dos interesses corporativos e financeiros que se instalaram no Estado e que evidentemente nos levou à bancarrota. Com uma tradição histórica de séculos, os interesses corporativos alinhados com os interesses financeiros reapareceram alimentados pelos fundos comunitários tão generosamente desperdiçados pelo cavaquismo. Abandonaram o PSD, passaram de armas e bagagens para o PS em 1995, e desde aí lá estão. Cresceram e engordaram. Garantem os resultados eleitorais do PS, sempre acima dos 35% (mesmo quando perde em 2002).

A mensagem de José Sócrates é muito clara: a situação não está boa para os interesses corporativos instalados mas connosco vamos fazer de conta que implementamos as exigências do FMI, umas coisitas aqui e ali para manter as aparências, mas fundamentalmente vai ficar tudo na mesma. Foi assim nos últimos dois anos, era assim com o PEC IV, vai ser assim."

 

Nuno Garoupa, aqui.

Publicado Por Tomás Belchior em 26/5/11
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Inês Teotónio Pereira

"A equipa deste  homem, para ganhar votos ( desta vez ao CDS), não é capaz de prometer a lua: esconde-a."

 

 

FNV, aqui.

Publicado Por Inês Teotónio Pereira em 26/5/11
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Quarta-feira, 25 de Maio de 2011
Tomás Belchior

A propósito da passagem do Almerindo Marques das Estradas de Portugal para a Opway, leiam o Luís Jorge.

Publicado Por Tomás Belchior em 25/5/11
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Terça-feira, 24 de Maio de 2011
Tomás Belchior

Vale a pena ler o Manuel Castelo-Branco sobre as análises desinteressadas do Prof. Marcelo.

Publicado Por Tomás Belchior em 24/5/11
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Segunda-feira, 23 de Maio de 2011
Ana Rita Bessa

O Alexandre Homem de Cristo, tem vindo a fazer uma série de bons posts sobre o Estado da Educação aqui.

 

Hoje trata do tema do "imobilismo social", a que o manifesto do CDS se refere como o "elevador social". E diz:

"No gráfico acima podemos ver que, entre estes países da OCDE, Portugal é dos que tem a maior taxa de persistência inter-geracional nos rendimentos. Isto significa que o gap entre os rendimentos dos indivíduos cujos pais completaram o ensino superior e os dos indivíduos cujos pais não completaram o ensino secundário é enorme e que, portanto, existe uma repetição geracional. Dito de outra forma,temos a maior taxa de imobilismo social: quem tem menor formação, tem por isso rendimentos mais baixos e filhos que também terão pouca formação e rendimentos baixos; e vice-versa."

 

Contra factos, não há argumentos. Mas há caminhos que, em grande medida, passam pela "Educação/Formação", nomeadamente:

 

A) Factores de remediação - dos quais são exemplo programas como o das Novas Oportunidades, cuja argumentação já apresentei aqui, e que, bem executado, pode gerar um duplo efeito: aumento das qualificações da população adulta e valorização da formação dos seus filhos.

 

B) Factores de prevenção - como seja (i) a universalização da rede pré-escolar, como meio de "nivelar" desde cedo eventuais diferenças de partida que podem condicionar percursos futuros, (ii) a aposta mais precoce na formação vocacional, como via legítima de escolha e conclusão com sucesso do - agora obrigatório - ensino secundário ou (iii) a autonomia das escolas, como meio de potenciar projectos educativos diferenciados que estimulem o talento (e a sua profissionalização) onde quer que se encontre.

 

Encontramos estas linhas nas propostas eleitorais de alguns partidos, como é o caso explícito do CDS. 

 

Para mim, trata-se portanto da confiança em quem as pode executar bem, como prioridade, para além do "papel". E em quem advogue a prática da "avaliação", como deveria acontecer com qualquer política pública...

Publicado Por Ana Rita Bessa em 23/5/11
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Quarta-feira, 18 de Maio de 2011
João Monge de Gouveia

O Pedro Pestana Bastos faz uma pergunta muito pertinente, aqui, a qual eu também gostava de ver respondida.

Publicado Por João Monge de Gouveia em 18/5/11
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Segunda-feira, 16 de Maio de 2011
Publicado Por Tomás Belchior em 16/5/11
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Ana Rita Bessa

 ...mas ninguém quer morrer". É o título de um post no belíssimo "É tudo gente morta".

 

É também o título de uma canção ("do melhor"!) pelos Blitz -"Romance da Universitária Otária" - uma história muito actual e muito transponível para o nosso país.

 

Trata-se então de uma universitária “que não sabia se fazia oceanografia ou veterinária”, se “dava bem em redação” e que “era boa em línguas mas não sabia beijar” …  "Aí um dia, um cara apreceu" e ela, confusa disse: "Ai, Abreu, eu não sei o que eu vou ser. Eis a questão. Ser ou não ser."

 

A universitária fez a sua escolha: "E por sorte ou por azar, Eles não passaram no vestibular. Moram juntos até hoje mas resolveram Não casar pra não complicar."

 

O "nosso" Abreu não é um, mas são três. E a pergunta que essa "troyka" nos coloca, num tempo em que ainda faz sentido colocá-la, é o que queremos ser? Será que vamos chumbar no "vestibular"? Escolher quem não assume os compromissos, "para não complicar"?

 

É que, se queremos chegar ao "céu", alguma coisa teremos que deixar "morrer"...

 

 

 

 

Publicado Por Ana Rita Bessa em 16/5/11
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Sexta-feira, 13 de Maio de 2011
Tomás Belchior

O Professor João Cardoso Rosas, que aparentemente se doutorou em Teoria Política para poder escrever publi-opinião, esta semana brinda-nos com mais uma admirável peça transbordante de isenção e de rigor chamada "P anti-SD".

 

O que me preocupa nesta peça não é o ataque (falhado) ao PSD mas sim a defesa do modelo que nos trouxe até aqui:

"Em Portugal já existe plena liberdade de escolha na educação e na saúde. A liberdade de escolha, recorde-se, consiste na ausência de obstáculos externos àquilo que queremos fazer. Em Portugal, ninguém é impedido de recorrer à esfera privada nestes domínios. Portanto, existe liberdade de escolha."

Passo a palavra ao Miguel Noronha:

"Os chamados “recursos públicos” não são gerados ex-nihilo numa máquina de fazer dinheiro num qualquer departamento governamental. São subtraídos via impostos e taxas aos contruibuintes e tão somente redistruibuídos pelo estado. Somos obrigados a financiar os serviços públicos quer os utilizemos ou não. Se pretendermos, em vez dos serviços públicos, optar por um serviço similar privado somos obrigados a incorrer numa duplicação de custos. Desta forma só aqueles com mais posses terão verdadeiramente a liberdade de escolha. O bondoso estado social é extremamente perverso."

Publicado Por Tomás Belchior em 13/5/11
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Quarta-feira, 11 de Maio de 2011
João Távora

 

Paulo Portas mostrou no debate da TVI como se pode bater o "animal feroz". (...) Moral da história: a tarefa de Passos Coelho, que vai ser o último a debater com Sócrates antes das eleições, ficou muito mais difícil… Camilo Lourenço aqui no Jornal de Negócios

Publicado Por João Távora em 11/5/11
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Terça-feira, 10 de Maio de 2011
Tomás Belchior

"O Pau de Cabeleira" e "O CDS para quê?" do Manuel Castelo-Branco e do João Vacas, respectivamente.

Publicado Por Tomás Belchior em 10/5/11
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José Meireles Graça

Sofia Bragança Buchholz no 31 da Armada

Publicado Por José Meireles Graça em 10/5/11
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Segunda-feira, 9 de Maio de 2011
Publicado Por João Távora em 9/5/11
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Domingo, 8 de Maio de 2011
José Meireles Graça

A campanha ainda não começou, bora lá um pouco de relax aqui.

Publicado Por José Meireles Graça em 8/5/11
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Quinta-feira, 5 de Maio de 2011
Publicado Por Adolfo Mesquita Nunes em 5/5/11
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Tomás Belchior

Vale a pena ler este post do Filipe Santos Costa. Algumas passagens:

 

"O programa é uma derrota do Governo? Sim, em toda a linha - é a demonstração de que os programas anteriores não foram cumpridos e de que o PEC 4 não chegava.

 

[...]

 

A receita é mais soft do que a da Grécia e da Irlanda? É. Mas isso não se deve ao PM ou à capacidade de negociação do Governo. Ao contrário do que disse Sócrates, no tempo de antena de ontem à noite, o Governo não "conseguiu um bom acordo", pela simples razão de que não está em posição de "conseguir" coisa nenhuma. O País não tem força e este Governo não tem autoridade para isso.

 

Se este programa não é tão mau como o grego e o irlandês, isso deve-se sobretudo a dois aspectos: por um lado, Portugal já tomou algumas das medidas (como o famoso corte dos salários) que os outros foram obrigados; por outro, a troika (e em particualr o FMI) aprendeu alguma coisa com os erros da Grécia e da Irlanda.

 

Então, como é possível ler e ouvir que este programa é uma vitória de Sócrates?"

 

Para saberem a resposta, passem por lá.

 

(Via Clube das Repúblicas Mortas)

Publicado Por Tomás Belchior em 5/5/11
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Quarta-feira, 4 de Maio de 2011
Adolfo Mesquita Nunes

Jornal de Negócios: ”Ministério de Helena André esclarece que não é intenção da troika taxar subsídio de desemprego e de maternidade.”

Porém, a leitura do memorando diz exactamente o oposto no capítulo “Fiscal Policy in 2013″, alineas 1.31-iii (pag 6):  ”taxation of all types of cash social transfers”. Esclarecedor

Miguel Noronha n'O Intermitente (Reconstruído)

Publicado Por Adolfo Mesquita Nunes em 4/5/11
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