Em continuação deste post
Em matéria penal o PSD propõe a fixação de prazos peremptórios para os inquéritos judiciais, no entanto para tal deverá primeiro (e esperemos que não se tenha esquecido) proceder a uma reestruturação das policias e dotar o Ministério Público de meios para que esses inquéritos se façam dentro do prazo, o que agora não acontece.
Outra medida que irá acelerar muitos dos processos seria que pudesse ser imediatamente marcado julgamento para quem fosse detido em flagrante delito, sem necessidade de mais qualquer fase processual, medida que não está prevista no programa do PSD.
No que concerne a insolvências, o PSD apenas refere que se deve agilizar o processo não dizendo como deverá ser feito nem propondo qualquer medida.
Por fim, e tentando agora analisar uma área que não é a minha, não posso deixar de referir que o PSD propõe que se aproveite os tribunais tributários em constituição e se remeta para os mesmos com "carácter obrigatório os processos que se encontrem há três anos sem resolução em sede de tribunal tributário comum" - a pergunta que faço ao PSD é se enviar um processo para outro tribunal que o terá que analisar, que antes disso terá que nomear árbitros não será antes um retrocesso? não será melhor verificar em que fase está o processo e ai sim, se tiver numa fase inicial e se encontrem parados, enviar os mesmos para Tribunal Arbitral?
Em conclusão direi que o Programa de Governo do PSD tem alguns pontos positivos, no entanto em certas matérias parece ter sido elaborado por quem não "anda no terreno".
Tem mesmo, algumas medidas que, ou não foram pensadas e foram incluídas ou são feitas por quem não conhece a realidade dos tribunais.
Esta é uma das razões porque não os devemos deixar governar sozinhos!
Conforme referi neste Post, é altura, agora, de analisar o programa do PSD para a área da justiça.
Começa o PSD por afirmar que "A Constante alteração das leis está a minar os fundamentos do Estado de Direito", e aqui, justiça seja feita, o PSD tem em parte razão, sucede que se o dizem não o fazem, apresentando alterações radicais no processo executivo que será precisamente um dos únicos onde muito pouco se deve alterar, uma vez que as alterações efectuadas pelo último governo apenas vieram atrasar significativamente este tipo de processo, aqui começa um dos graves erros do programa do PSD.
Mas mais, não contentes por alterarem radicalmente o processo executivo, querem fazê-lo com medidas que manifestamente o vão atrasar.
Propõe o PSD num novo processo diferente da acção executiva - sendo esta extinta - sempre que o titulo a executar seja uma sentença, sendo que a decisão deverá ser executada em liquidação de sentença ou tramitar como incidente da acção, ou seja, um novo processo julgado pelo mesmo Juiz no mesmo Tribunal. Não se entende como poderá esta nova forma de executar sentenças contribuir para uma justiça mais célere, não irá, antes, obrigar a que o Juiz que julgou o processo tenha ainda mais processos e consequentemente que haja uma maior lentidão em julgar os mesmos?
Parece-me que sim.
Para os titulo que não sejam sentenças. defende o PSD, que deve ser criada uma nova forma de processo - Processo Abreviado - não referindo como será feita essa criação, o certo é que criar um novo tip de processos em nada vai adiantar, é mais uma alteração que atraso o que já foi feito.
Já no plano do processo Declarativo, e ao contrário do que está plasmado no programa do CDS (o qual como já referi sou suspeito por ter sido um dos contribuidores) o PSD defende a obrigatoriedade da Audiência Preliminar.
Ora, quem anda no "terreno" sabe perfeitamente que a maior parte das vezes que se desloca a um tribunal para Audiência Preliminar, é-lhe dado um projecto de Base Instrutória, para este ler e reclamar se não concordar, o que defendo é que a Audiência Preliminar deve acabar, devendo, afim de poupar deslocações inúteis com gastos supérfluos (para quem recorre à justiça) e perdas de tempo, o juiz notificar as partes do despacho saneador (Base Instrutória) tendo as partes cinco dias para reclamar, ou, deve o Juiz, caso a simplicidade da causa o permita, remeter para os factos constantes das peças processuais.
Assim, poupa-se tempo, dinheiro, e cria-se um processo mais célere.
(...)
(Segue dentro de momentos)
Também Aqui
O presidente do CDS-PP, Paulo Portas, afirmou hoje nos Açores que o seu partido não tem uma «fúria privatizadora», admitindo que há serviços públicos que são indispensáveis, como a electricidade, a água ou a televisão.
Para o líder popular, existem áreas «muito relevantes», como a electricidade ou a água, que não devem ser privatizadas, afastando também uma eventual privatização da RTP, apesar de considerar que a empresa «pode ser melhor gerida».
Em matéria de privatizações, o Manifesto do CDS, em confronto com o Programa do PSD, fica claramente aquém do que se podia esperar do partido mais à direita no espectro político português.
Certo ou errado?
Genericamente, acho muito bem que não se entre em "fúrias privatizadoras" e se o programa do PSD for entendido como uma espécie de Verão quente de 1975 ao contrário, parece-me um disparate. Portugal precisa de muito menos Estado, mas isso não se pode nem deve fazer de um dia para o outro, pelo que a posição de prudência do CDS faz todo o sentido.
Em concreto, concordo e aplaudo a recusa do CDS em privatizar as águas.
Quanto à electricidade, importa ter presente que esse serviço já está privatizado em Portugal, apenas com uma golden share do Estado. Do que falamos quando falamos sobre a privatização da electricidade?
Já discordo em absoluto que a RTP seja misturada neste "pacote". As redes de água e electricidade são monopólios naturais, e são as falhas de mercado daí decorrentes que obrigam a uma forte intervenção pública. Nada disto se passa com a televisão. A "defesa da língua portuguesa" não exige a manutenção da RTP tal como ela é, o conglomerado televisivo público é em si mesmo um problema e não me parece que isso se resolva apenas com melhor gestão.
A menos que se admita um conceito muito lato de gestão. Aí, talvez.
Amanhã, última Sexta-feira do mês, é dia para ir para o trabalho de bicicleta.
Há programas em todo o mundo como são o Bike Fridays, e por cá temos eventos organizados como a Massa Crítica e o Oeiras Commute por exemplo. Curiosamente é a esquerda que se tem associado mais a estes movimentos de mobilidade sustentável, entretanto pela prática política do PCP e Bloco é sem dúvida a direita, e em especial o CDS que apresenta as propostas mais coerentes.
Do Manifesto do CDS, no que respeita à saúde e mais especificamente ao SNS, pode ler-se que uma das medidas propostas passa por sensibilizar os cidadãos para o facto de o SNS ser tendencialmente gratuito no momento da utilização, mas que tem, evidentemente, custos públicos muito elevados.
Este é um ponto chave em qualquer análise que se faça do SNS e da saúde em geral. Pese embora os cidadãos paguem apenas taxas moderadoras aquando da utilização de serviços médicos, a verdade é que os custos incorridos com esses mesmos serviços são bastante elevados e desconhecidos por quem os utiliza. Não podemos esquecer que apesar de não pagarmos “pela saúde” o seu verdadeiro custo no momento em que recorremos ao SNS, estamos a pagar esses mesmos serviços através dos nossos impostos, pelo que é urgente analisar a estrutura de custos do SNS e torná-lo mais eficiente.
Para melhor se perceber a lógica de funcionamento do SNS, é necessário distinguir três realidades que muitas vezes são confundidas: (i) o financiamento, (ii) a prestação dos serviços médicos, (iii) a utilização desses mesmos serviços.
Começando pelo fim, ou seja, quanto à utilização dos serviços de saúde, por muito que certas vozes de esquerda gostem de dizer o contrário, nunca o CDS teve como objectivo a limitação de acesso ao SNS por parte dos cidadãos. Bem pelo contrário. O acesso ao SNS, em consonância com a nossa constituição, deve ser garantido a todos os cidadãos e ser tendencialmente gratuito no momento da sua utilização. Contudo, com as tamanhas listas de espera, essa garantia de acesso está fortemente beliscada, mais que não seja em tempo útil. Significa isso que, melhorar a eficiência do SNS, quer ao nível do financiamento, quer ao nível da prestação dos cuidados, terá como consequência necessária uma mais efectiva garantia de acesso universal.
Nesta medida, quando o CDS se propõe a tomar medidas, quer ao nível do financiamento, quer ao nível da prestação dos cuidados, significa que não eliminará quaisquer garantias de acesso dos cidadãos aos serviços que necessitem, mas, mais ainda, criará condições para que esse acesso seja efectivamente universal e em tempo útil.
No seguimento deste "post pedido" gerou-se uma discussão interessante, tanto nos comentários do post como na nossa página do Facebook, que me parece importante resumir.
PS: Este post vem no seguimento de um pedido feito através da nossa página do Facebook. Se quiser saber o nosso ponto de vista sobre alguma política ou ideia defendida pelo CDS, leia isto.
O Alexandre Homem de Cristo, tem vindo a fazer uma série de bons posts sobre o Estado da Educação aqui.
Hoje trata do tema do "imobilismo social", a que o manifesto do CDS se refere como o "elevador social". E diz:
"No gráfico acima podemos ver que, entre estes países da OCDE, Portugal é dos que tem a maior taxa de persistência inter-geracional nos rendimentos. Isto significa que o gap entre os rendimentos dos indivíduos cujos pais completaram o ensino superior e os dos indivíduos cujos pais não completaram o ensino secundário é enorme e que, portanto, existe uma repetição geracional. Dito de outra forma,temos a maior taxa de imobilismo social: quem tem menor formação, tem por isso rendimentos mais baixos e filhos que também terão pouca formação e rendimentos baixos; e vice-versa."
Contra factos, não há argumentos. Mas há caminhos que, em grande medida, passam pela "Educação/Formação", nomeadamente:
A) Factores de remediação - dos quais são exemplo programas como o das Novas Oportunidades, cuja argumentação já apresentei aqui, e que, bem executado, pode gerar um duplo efeito: aumento das qualificações da população adulta e valorização da formação dos seus filhos.
B) Factores de prevenção - como seja (i) a universalização da rede pré-escolar, como meio de "nivelar" desde cedo eventuais diferenças de partida que podem condicionar percursos futuros, (ii) a aposta mais precoce na formação vocacional, como via legítima de escolha e conclusão com sucesso do - agora obrigatório - ensino secundário ou (iii) a autonomia das escolas, como meio de potenciar projectos educativos diferenciados que estimulem o talento (e a sua profissionalização) onde quer que se encontre.
Encontramos estas linhas nas propostas eleitorais de alguns partidos, como é o caso explícito do CDS.
Para mim, trata-se portanto da confiança em quem as pode executar bem, como prioridade, para além do "papel". E em quem advogue a prática da "avaliação", como deveria acontecer com qualquer política pública...
O nosso leitor Luís Liberdade pediu-nos no Facebook para comentarmos o facto de, nas suas palavras, o CDS "se ter rendido à perseguição jacobina às famílias com filhos" por ter assumido no seu manifesto que "nas actuais circunstâncias das finanças públicas, medidas [em sede de IRS] que rectificam a discriminação familiar são difíceis de levar à prática".
Esta frase do manifesto significa basicamente que não é possível, para já, introduzir o "quociente familiar" no cálculo do IRS, uma bandeira antiga do CDS. Esta impossibilidade tem uma explicação simples. Em 2007, na altura em que foi feito o relatório do grupo de missão para a natalidade, o impacto estimado desta medida era uma redução na receita do IRS que rondava os 500 milhões de euros por ano (5,4% da receita do IRS).
É uma ordem de grandeza que actualmente representa quase 3 vezes mais do que a receita adicional que vamos ter de arrecadar com os cortes nos benefícios fiscais já em 2012, representa quase o dobro do montante que irá resultar do aumento do IMI, representa praticamente o valor que o Estado vai receber com a revisão das taxas do IVA. Ou seja, é uma redução de impostos impensável no cenário actual e que continuará a ser impensável enquanto o cenário não se alterar. Ora, é precisamente para essa alteração de cenário que o CDS quer contribuir.
De qualquer forma, ao usar o termo "rendido" o Luís reconhece implicitamente no CDS coerência e consistência na defesa de políticas que, no mínimo, tratem as famílias em pé de igualdade. Uma coerência e consistência que, apesar de tudo, continuam presentes no manifesto eleitoral do CDS. O "visto familiar" em todas as medidas a ser aprovadas com a avaliação do impacto que terão no âmbito familiar está lá. A medicina familiar como base do SNS está lá. Uma política de educação centrada nos alunos e nas famílias está lá.
O facto de o CDS não se poder comprometer com a introdução do "quociente familiar" no IRS tem uma explicação simples: o socialismo do Eng.º Sócrates que levou o país à bancarrota. Ou seja, ficámos sem margem de manobra para, no imediato, fazer mais do que pagar as contas com que o PS nos vai deixar e tentar não comprometer definitivamente o futuro do país pelo caminho.
É lamentável, mas é a isto que o país ficou reduzido depois destes 6 anos.
PS: Este post foi-nos pedido através da nossa página do Facebook. Se quiser saber o nosso ponto de vista sobre alguma política ou ideia defendida pelo CDS, leia isto.
Dito isto, a minha função como eleitor e militante do CDS não é ser compreensivo ou equilibrado. A minha função é apresentar os meus pontos de vista, fundamentá-los e pedir contas. A construção de pontes é tarefa da liderança.
A minha função é criticar o manifesto por defender medidas proteccionistas como a "auto-suficiência alimentar" e a necessidade de substituir importações ou por perpetuar uma visão do mundo em que a direita é mais eficiente a gerir o dinheiro dos nossos impostos do que a esquerda quando a verdadeira questão é o facto de nem a esquerda nem a direita serem mais eficientes a fazê-lo do que nós próprios.
A minha função é aceitar que há muito que não se pode fazer por obra da governação socialista que nos deixou sem margem de manobra, não para levar mais longe uma agenda liberal, mas para, neste momento, impor custos adicionais a quem seria inevitavelmente afectado por essa agenda.
A minha função é louvar o manifesto eleitoral do CDS por ter mantido, e às vezes até aprofundado, muito do que o programa de 2009 tinha de bom como as privatizações, a simplificação fiscal, a redução (condicional) de impostos, a liberdade de escolha na educação, na saúde e sobretudo na segurança social.
A minha função é reconhecer que, independentemente do que consta nos manifestos e programas eleitorais, há questões de fundo como a cultura e a história partidária ou a função de um partido como o CDS numa coligação que serão determinantes nos próximos anos.
E votar de acordo com esta avaliação.
Quando leio na conclusão de uma análise equilibrada (e com a qual concordo) que o manifesto eleitoral do CDS é "um conjunto coerente e agradável de ideias para serem levadas para um governo de coligação. [...] Ideologicamente, é um programa conservador, com forte presença dos inevitáveis vestígios da democracia-cristã e laivos de algum liberalismo económico. Mas o resultado final é, apesar de tudo, positivo" só posso dizer que o CDS está a cumprir o seu papel.
Está a cumprir o seu papel ao conseguir dar voz de uma forma relativamente bem articulada a posições marcadas e muitas vezes divergentes. Está a cumprir o seu papel ao delinear um percurso no sentido certo. E está a cumprir o seu papel ao criar espaço para que muitas pessoas como eu, que muitas vezes estão em total desacordo com o discurso oficial do partido e que seriam incapazes de votar em partidos cujo posicionamento ideológico se resume a fazer o que for preciso para ganhar eleições, possam votar e militar no CDS sem terem de vender a alma.
Ou seja, está ao poucos a descer da estratosfera que referi no post anterior e a transformar-se num partido moderado de direita, não apenas num partido moderado.
Vou começar a minha defesa do manifesto eleitoral do CDS com uma adaptação livre do Michael Oakeshott:
"A estratosfera liberal/conservadora/democrata-cristã pode ser melhor do que a estratosfera socrática mas faz parte da mesma camada da atmosfera".
Tenho alguma dificuldade em digerir a argumentação de pessoas que, por um lado, acham que os partidos devem agregar e representar genericamente as preferências individuais dos seus eleitores e, por outro, acham que o resultado dessa agregação é uma traição porque descobrem que as preferências representadas nos partidos não são coincidentes entre elas. Tenho sobretudo alguma dificuldade em aceitar que esta contradição possa servir de base a uma recusa de participação no processo político.
Por exemplo, por muito que me custe, tenho que aceitar que qualquer partido que defenda (como eu defendo) o fim do Estado como prestador de serviços de saúde dará rapidamente por si a jogar no campeonato do POUS. Isto significa que se quero realmente que o papel do Estado na saúde se altere não vou poder contar com uma epifania colectiva dos portugueses, nem dos partidos que os representam. Vou ter de os convencer. Vou ter de o fazer gradualmente. Vou ter de andar a engolir sapos até conseguir fazê-lo. E vou ter de chegar ao fim do caminho sem eu próprio ter mudado de opinião.
É esse o preço a pagar pelo combate político democrático: nunca conseguiremos obter soluções "perfeitas" pela simples razão de que as pessoas que estão do outro lado da barricada também votam e, às vezes, até votam no mesmo partido que nós.
E isso, ao contrário do que muitos pensam, é uma virtude, não um defeito.
Tenho estado a ler atentamente o Manifesto do CDS.
De uma forma global é, para mim, isto mesmo: um documento bem estruturado, que convence e mobiliza.
Ao longo da leitura encontrei, naturalmente, algumas discordâncias, muitas das vezes pela redacção, a meu ver, demasiado "aberta", quase a caír no lugar-comum, por exemplo, no ponto "Simplificar as estruturas dirigentes", ou na secção "Reinventar e promover a “marca Portugal”.
Encontrei também ideias nas quais acredito profundamente, como seja a "Redução da despesa: da ética social à equidade fiscal e à força do exemplo", ou "Sentar as instituições sociais na Concertação Social", ou ainda "Formar empreendedores sociais e estimular o auto‐emprego".
Fui lendo o Manifesto à procura das medidas sobre o tema que me cativa - a Educação.
Encontrei-as sobretudo concentradas na secção "É preciso ter o elevador social a funcionar". Confesso aqui que não morro de amores por este epíteto (faz-me lembrar o elevador do prédio, que ainda por cima sobe, mas (graças a Deus) também desce...). Percebo a ideia, e passo por cima da semântica. Ao conteúdo, então:
O manifesto eleitoral do CDS agrada-me. Melhor, agrada-me imenso.
De facto, lendo-o todo e, de todas as propostas, apenas uma ou duas me provocarem discórdia, é obra.
Não concordo com o facto do CDS não querer privatizar a RTP. Não faz sentido, em nome dum "serviço público", manter todo um grupo que, ano após ano, mais não é do que um autêntico sorvedouro de dinheiro público. Não faz sentido, em nome dum "serviço público", manter um canal estatal que, apesar de ser serviço público, nenhuma diferença nele se vislumbra (a nível de conteúdo) em relação aos outros canais privados. Salvo o facto de esses darem lucro, e este não. Queriam um canal público? Houvesse pelo menos a audácia de apenas manter uma RTP2, por exemplo. E a Antena 1, talvez. Ponto resolvido. RTP1+RTP2+RTP Madeira+RTP Açores+RTP África+RTP Internacional+RTP N sobre o guarda-chuva estatal é, no mínimo, vício de país rico. Com as rádios a mesma coisa. Segundo me parece, o grupo RTP detém para cima de 10 rádios.
Não concordo com o facto do CDS não querer privatizar os metros de Lisboa e Porto. Porquê?
Porque, apesar de eu considerar que é necessário haver pelo menos uma rede de transporte público e que esta é vital para manter os preços acessíveis ao movimento da população numa grande cidade, não considero que seja necessário, para além dos autocarros (como é o exemplo de STCP e Carris), ter também, sob alçada estatal, redes de metro a competir com essas mesmas empresas de autocarros nos percursos e nos preços.
Tudo o resto, salvo raríssimas excepções, contam com a minha total concordância.
No geral, entendo este manifesto como um manifesto pragmático e equilibrado. Sei que talvez alguns militantes ou eleitores mais liberais esperariam mais a nível da reforma de alguns sectores do Estado (no que toca a privatização de mais empresas). Mas este manifesto, não nos esqueçamos, é um conjunto de propostas, um rumo para os próximos 4 anos. Logo aí, obriga-o a ser focado e a centrar-se no essencial, no que é exequível e não a perder-se em purezas ideológicas. E nesse aspecto, as reformas apontadas, correndo bem, poderão ser apenas um começo, um ponto de partida para outras reformas mais de fundo para um futuro próximo.
Penso, acima de tudo, que com este manifesto o CDS foi coerente consigo próprio e com a sua história como partido.
Os impostos, quaisquer que sejam, devem ter um racional económico e político subjacente. Seja custear a defesa da soberania, seja providenciar uma rede financeira social, seja financiar projectos nacionais. O que for.
Mas vivendo nós numa economia de mercado, os agentes económicos - leia-se, as pessoas e as empresas - agem com racionalidade económica. Ou seja, se for mais barato e eficiente tornear a burocracia do Estado, se valer a pena fugir aos impostos (porque os processos judiciais são interminaveis ou a maquina fiscal nao é eficiente, ou até porque numa perspectiva pura de risco retorno, dada determinada probabilidade de ser apanhado compense o facto de fugir aos impostos) ou ainda, por último, se o subsídio para permanecer sem trabalho não incentivar o trabalho (isto é, se compensar ficar a receber o RSI ou o subsídio de desemprego do que receber um salário fruto do trabalho), os agentes económicos não terão a minima dúvida.
Cabe ao Estado, seja como polvo omnipresente e controlador, seja como puro agente supervisor da economia, equilibrar esta "oferta" e "procura". De um lado a racionalidade dos agentes, do outro, a necessidade de fornecer apoios sociais.
E não é muito difícil, dá é trabalho. Mas, claro, dar subsídios é muito mais facil e popular do que retirar...
"24. Princípio de que tem de ser melhor trabalhar e pagar impostos do que não querer trabalhar e viver de subsídios (cruzar prestações sociais)"
in Manifesto Eleitoral CDS
Em Novembro do ano passado, a SIC fez uma excelente reportagem sobre a utilidade dos Governos Civis. Hoje, mais do que nunca, a sua existência deverá ser questionada. Numa perspectiva política, não há grande motivo para no Século XXI ser preciso uma presença fisica do Governo em cada distrito; numa perspectiva económica, a relação custo/benefício nao justifica que continuem a existir, por uma questão de escala e de capacidade de decisão e gestao; e numa perspectiva social, são perfeitamente substituíveis (até melhor) por outras entidades.
Não passam de cadeiras para sentar políticos em trânsito.
"20. Governos Civis
Num novo mapa politico‐administrativo, os Governos Civis podem ser extintos, devendo ser cuidadosamente redistribuídas as suas competências.
Esta reforma deve fazer parte da revisão constitucional focada que o CDS defenderá."
in Manifesto Eleitoral CDS
Até me atreveria a dizer que nem deve ser preciso muito cuidado a redistribuir as competências, de tão escassas que são...
Acho que é um limite que não tem de estar na Constituição (já há lá muito texto por cumprir), mas sim presente no sentido de Estado e de responsabilidade dos membros do Governo e de todos nós quando os elegemos.
Ingenuidade minha? Talvez...
Estava a fazer falta a Portugal este tipo de realismo.
Até agora uma das minhas frases favoritas, neste contexto, é: Despesa pública de hoje é dívida de amanhã.
E continua:
Todas as componentes da nossa despesa pública têm de ser alvo de um esforço de redução, desde os grandes agregados de despesa particularmente rígida até às pequenas despesas que ninguém julga colocar um problema.
O endividamento à Constituição é uma das medidas mais sensatas e racionais que se pode tomar para salvaguardar a sustentabilidade das contas públicas e do cumprimento do contrato intergeracional. E com a vantagem de evitar que se um inimputavel (voltar) a governar o País tenha desde logo este impedimento para deixar o País na bancarrota.
Dito isto, devo dizer que esta não é uma questão para juristas e afins (nomeadamente os arautos constitucionalistas que se avogam donos do espírito e letra da Constituição) perspectivarem a sua douta opinião cimentada por anos e anos de leitura de poeirentos livros de Direito perfeitamente alheados (os livros, claro!) da realidade. É uma questão para todos, para o País, para os contribuintes, para as gerações futuras, para pais, filhos e avós. E para os juristas também, claro, desde que não venham discutir a questão puramente formal da coisa, como é habitual.
A Constituição deveria ser o mais simples e inteligível possível. Não o é. Deveria ser imparcial e sem ideologia marcada. Nao o é. Deveria estar ao serviço do constituintes e não servir-se deles para justificar a sua existência (e dos seus auto-proclamados pais). Não está.
Portanto, já que não é pragmaticamente possível passar esta CRP num WinZIP, o melhor é adapta-la o melhor possível às necessidades reais do País. E limitar o endividamento é, como se viu com a entrada do FMI, UE e BCE em Portugal, uma das formas mais eficientes de proteger a soberania do País.
É curioso o único partido de direita em Portugal ter o único programa eleitoral com título de esquerda. Esta aparente contradição reflecte a situação excepcional em que o País se encontra. Quem olhar com seriedade para o que está a acontecer em Portugal percebe que durante a próxima legislatura estaremos constantemente a negociar a soberania da Nação, que o governo socialista colocou no prego.
Esta época que atravessamos abre a porta à realização de reformas importantes no País, das quais a que se tem falado mais é a das finanças, por ser a mais urgente, mas deverá ser acompanhada de medidas que permitam a sustentabilidade da saúde, a melhoria da justiça, a recuperação económica, etc. Nestas reformas como noutras, Portugal precisará de tomar decisões rápidas, assertivas, e, por isso, bem estudadas e bem pensadas. Não adianta, e até prejudica, lançar ideias para o ar e desdizê-las passados poucos dias, como tem feito o PSD. Muito menos adiantará insistir na fórmula gasta que o governo tem usado nos últimos anos e, como mostra a situação das contas públicas portuguesas, não resulta.
O CDS tem uma equipa que se foi preparando à medida que a conjuntura económica nacional foi piorando. Estudou as medidas fiscais que Portugal precisa tomar e expô-las de uma forma clara para que todos (da direita à esquerda) percebam que podem confiar nesta equipa. Posto isto, faz sentido que o CDS se apresente aos portugueses como o partido com a equipa mais preparada para enfrentar a crise em que estamos.
Ideologias à parte, há que recuperar as finanças do País sem comprometer o crescimento económico, sem retirar o apoio aos mais pobres, sem abdicar de saúde, educação e segurança para todos. Li o documento e aconselho que o façam também, porque está lá isto tudo. Não é o programa de um partido, é um manifesto para todos os portugueses.
12. Obras públicas no Ministério das Finanças
O próximo Governo tem de dar sinais muito claros de contenção da despesa e do endividamento. O Ministério das Finanças deve, nomeadamente, agregar uma parte substancial das competências do actual Ministério das Obras Públicas, em conformidade com o modelo de governo apresentado no Congresso do CDS.
3. Posição clara: Suspender o TGV
O CDS‐PP defende a suspensão do TGV. Os problemas que Portugal atravessa tornam absolutamente incompreensível que se continue com esta obra que contribuirá de forma irremediável, nesta altura, para aumentar o nosso endividamento e restringir, ainda mais, o crédito disponível. Já basta a irresponsabilidade de quem construiu SCUT e das suas renegociações. Temos esperança que o Tribunal de Contas recuse o visto ao contrato do troço Poceirao‐Caia. Em tempo útil o CDS tentou evitar a assinatura deste contrato. Mas é preciso aproveitar o facto de a obra, no terreno, estar no início, para a suspender, acautelando ao máximo o interesse público.
O quase-engenheiro José Sócrates repetiu o número da pasta vazia no debate com Louçã. Depois da demonstração circense frente a Portas, o nosso pândego continua alegremente a fazer troça de um País na penúria.
Hoje, o CDS lançou oficialmente o seu manifesto eleitoral. Estão lá todas as medidas que o CDS propôs em alternativa ao PEC I, ao PEC II, ao PEC III e ao Orçamento de Estado para 2011. As mesmas sugestões foi repetindo até ao PEC IV. A todas elas o ex-primeiro ministro tapou os ouvidos. Se José Sócrates tivesse guardado algumas delas na dita pasta transparente, talvez não estivéssemos todos de bolsos vazios.
"o estabelecimento de um limite constitucional ao endividamento do Estado deve estar na agenda."
Não, não deve. a CRP não deve ser nem um programa, nem um espartilho, e sim o mais aberta e flexível possível para a cada momento respeitar a decisão do povo.
Se querem por limites coloquem-nos no lugar certo: ao poder do estado sobre o cidadão.Por exemplo: que as forças armadas não possam ter intervenção no estrangeiro sem previa autorização parlamentar. Limite-se ao máximo o poder legislativo do governo. Extingam toda a parte económica da CRP. Acabem-se com os Planos, a ERC, os Distritos, os limites ao referendo, limite-se a prisão preventiva, reduzam-se drasticamente as funções constitucionais do estado.... há muito por onde cortar....
« (...) o CDS considera que deve ser consagrada legalmente a impossibilidade de os contratos produzirem qualquer efeito antes deste visto [Tribunal de Contas], tornando impossível que o Estado tenha que pagar indemnizações caso o Tribunal de Contas decida não visar um contrato.»
Muito bem. É o mínimo.
«Por outro lado, obrigações de interesse nacional, nomeadamente as que têm que ver com a defesa da língua portuguesa e política externa cultural de Portugal, aconselham a manutenção do canal público.»
Outra péssima medida, verdadeiramente socialista. Interesse nacional? Se querem «defender a língua» (seja isso o que for) que cada governo, se assim o entender, encomende programas e pague ás tv's para serem emitidos. Não precisa de manter um estrutura pesada aos contribuintes, nem de manter o sempre nefasto controle politico.
E o que é isso «do canal público«? Que se saiba o Grupo RTP é composto por 9 canais de tv e 13 de rádio!
«Do plano de alienações das participações do Estado, o CDS exclui a CGD»
Péssimo. Deveria ter sido o primeiro a exigir a venda desse banco e de todo o seu grupo financeiro.
E todo este parágrafo não é compatível com a declaração de princípios do CDS/PP em favor de uma economia de mercado, da liberdade de iniciativa e liberdade individual:
«A economia portuguesa precisa de um banco público e a missão da Caixa Geral de Depósitos deve ser reformada: queremos que a CGD seja o banco de fomento da economia, especializado no apoio às PME. Vender participações na CGD significaria, para além de tudo o mais, neste momento, perder valor e, com alta probabilidade, vender a capitais não nacionais. »
«Precisa» porquê? Não basta declarar porque sim, pois à partida o estado não deve estar em áreas de negócio que os privados possam realizar. É que parece indiciar que seja necessário controlar politicamente um banco para tomar decisões politicas que favorecem uma empresa ou um sector, os quais, estritamente por razões económicas o mercado não apoiaria. Ora esse tempo socialista já lá vai e apenas deu mau resultado. Favoritismos e proteccionismos com capitais públicos, dos contribuintes, é que não.
E qual mesmo o problema de venda a capitais não-nacionais? Tomara nós termos não uma CGD, mas dezenas, centenas de empresas que atraiam capital e investimento estrangeiro! Sinal de que são boas e promissoras.
Estive a ler os programas eleitorais do CDS, do PSD e do PS na parte da justiça.
Se as do CDS já conhecia, pois fui um dos subscritores da moção ao congresso sobre este tema e que foi aprovada pelos militantes, as dos outros dois partidos tinha curiosidade em saber quais seriam.
Começando pelas do PS:
Que dizer? mais do mesmo...
Os socialistas começam mesmo por dizer que devem prosseguir as medidas tomadas por este governo nos últimos anos que descongestionou os Tribunais.
Mas que medidas?
As insolvências não andam, é um facto para quem trabalha em insolvências, o Tribunal de Comércio está parado, nada foi feito para alterar este facto, é uma vergonha que um credor esteja anos a aguardar que lhe sejam pagos valores de créditos num processo de insolvência, já depois do processo terminado.
A lei da arbitragem não foi alterada, embora tenha sido pedido à Associação portuguesa de Arbitragem que apresentasse um projecto de lei para que o governo o apresentasse à Assembleia da República, quando o governo o recebeu alterou-o todo e com a demissão do primeiro ministro acabou por não ser aprovada. é preciso não esquecer que tiveram anos para o fazer e não o fizeram.
O processo executivo foi alvo de várias alterações por este governo, preparavam-se para mais uma que era um retrocesso, como expliquei aqui, que só não entrou em vigor porque o governo caiu.
A reforma do mapa judiciário, já muito foi dito, o governo nada fez no seu segundo mandato, começou a fazer em 2008 e não acabou, basta ouvir isto
Falam no seu programa em reduzir custos, mas aumentaram-nos....
Fala-se muito na parte criminal e na parte cível? é esta que influencia a economia, é esta que tem que, a par do crime, ser uma prioridade.
E o arrendamento? as execuções para despejo demoram anos... o que fizeram? nada!
Podem vir agora dizer que estava previsto, mas que não fizeram pela queda do governo.
A verdade é que o último ministro da justiça, nada fez!
Tiveram anos para fazer e nada fizeram que crédito têm agora? A meu ver nenhum!
Espero que os Portugueses pensem o mesmo.
No próximo post irei analisar a parte da justiça do programa de governo do PSD.
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