Ouvi hãa a reportagem então sobre huum os dois jovens que oooh quer dizer o Juiz Carlos Alexandre então uma jovem hãa violentamenteeee agredidaaaa enquanto de telemóvel hãa outro jovem menor então filmava. Ficou huum em, vá lá, hãa, então huum em prisão oooh preventiva.
Era na SIC Notícias mas podia ser em qualquer canal: as Novas Oportunidades têm, ao contrário do que se diz, saídas profissionais.
José Sócrates esteve ontem em campanha no centro das Novas Oportunidades da Amadora, onde mais uma vez revelou o seu profundo pensamento político, com o qual traça com firmeza as linhas da sólida estratégia que tem para o País, ao afirmar que "o principal problema do País é a falta de certificações".
Com tal afirmação José Sócrates limitou-se a aconselhar aos outros a receita que consigo deu um resultado insuperável, o de ter chegado a PM de Portugal. Na verdade, foi com a certificação de engenheiro e a qualificação (isto é, a preparação) para coisa nenhuma que José Sócrates conseguiu tamanho feito.
Dir-se-ia que isto é o exemplo a vir de cima...
À porta do centro de Novas Oportunidades da Amadora vê-se um cartaz que não deixa dúvidas. Entrando, o panorama é outro.
José Sócrates no Centro Novas Oportunidades da Amadora: "O principal problema do país é a falta de certificações".
Acabei de ver o Eixo do Mal. Eu sou assim, um consumidor impenitente de programas de actualidade política: gravo quanto frente-a-frente me aparece pela proa, mais o Eixo e a Quadratura, para ver a desoras, e chegaria a pontos de ver também o Prós e Contras e o Professor Marcelo se a paciência não tivesse limites.
Gosto particularmente desta gente do Eixo: Aprecio Daniel Oliveira, um simpático militante do BE equivocado de partido, adepto de um regime dinamarquês sem flexisegurança ; Clara Ferreira Alves, a quem incham as cordoveias do pescoço sempre que se zanga com a Direita ignorante e trauliteira (a Direita culta e tolerante não existe, como é geralmente aceite pelas Claras deste Mundo), o que sucede com inusitada frequência; e Pedro Marques Lopes, um adepto do liberalismo social-democrata, seja lá isso o que for.
Este último verbera as declarações de Passos Coelho sobre as Novas Oportunidades, que terão sido uma perdida oportunidade perfeita para Passos falar de outra coisa. Marques e Daniel acham que os diplomas são para distribuir como brinde a quem se esforçou alguma coisa fora de horas e não os pôde obter na altura normal porque os imponderáveis da vida não o permitiram.
A desoras, podia ver filmes. Mas no geral são menos interessantes - tenho gostos estranhos.
José Sócrates em Évora: "O programa Novas Oportunidades fez 500 mil portugueses mais felizes".
Consta que foi num programa parecido com o Novas Oportunidades, ainda que informal e usando essa tecnologia de ponta que é o fax (o que quiçá o levou a sonhar com o choque tecnológico e o simplex, que tiveram, entre outras consequências, a abstenção forçada de muiitos milhares nas últimas presidenciais), que Sócrates consegui a sua licenciatura em engenharia.
Gente ambiciosa, séria e ingénua, quer que o Estado seja uma pessoa de bem. E imagina que se o Estado põe o seu selo de qualidade num artigo qualquer, então não é requerido que nos preocupemos com a conformidade do artigo com um certo número de requisitos - igual para todos os produtores. Sucede que a certificação Novas Oportunidades é, na opinião de muitos especialistas e na vox populi, mais vezes sim do que não, um prémio de consolação para aqueles que os imponderáveis da vida excluíram de um percurso académico normal. Podemos acreditar nuns especialistas ou noutros; e podemos achar que é assim, o contrário de assim, e o contrário do contrário. O que não podemos é, na ausência de exames iguais para todos, ter certezas: e logo o selo do Estado vale zero. Não devia.
É oficial: José Sócrates transformou esta campanha numa corrida aos Óscares.
Alguém lhe devia dizer que o de melhor actor principal já é dele, escusa de continuar a performar.
O PS também podia ficar com a melhor comédia, mas tudo isto me continua a parecer excessivamente trágico e bizarro para tanto.
As "Novas Oportunidades" (NO) são um bom conceito que vem dar resposta a um problema estrutural de formação e qualificação em Portugal.
De acordo com o gráfico, comprova-se que, mesmo nos grupos etários "mais jovens", Portugal está muito abaixo da maioria dos países abrangidos pelos estudos da OCDE (Fonte: OCDE, Education at a Glance 2005).
Portanto havia uma necessidade real a ser resolvida a nível da formação de adultos e este Programa a ela se dirigiu.
Dito isto, elenco uma série de apreciações:
Mas sabemos que há "trigo".
Paulo Portas mencionou-o na sua justa medida.
Até o próprio PSD, que levantou toda esta polémica, o reconheceu:"A vice-presidente da Agência Nacional para a Qualificação, Maria do Carmo Gomes, lembra que a avaliação desenvolvida pela Universidade Católica foi elogiada por antigos governantes do PSD, como David Justino e José Canavarro".
Portanto, há que separar o trigo do joio mas, por favor, para deixar crescer o trigo.
As Novas Oportunidades têm uma dimensão de realização pessoal que é muito válida. O principal objectivo é mesmo esse. Qualquer um que assista aos trabalhos finais apresentados pode verificar o esforço e a vitória pessoal que acompanha muitos destes trabalhos.
No caminho aprende-se qualquer coisa e reforça-se competências mas não é esse o objectivo.
Quando se for fazer a história desta campanha desastrosa do PSD a intervenção de Passos Coelho sobre este assunto vai aparecer como o ponto de viragem em que o PSD perde definitivamente as eleições.
O problema das Novas Oportunidades, diz Manuel Maria Carrilho, na TVI, é a confusão entre certificar competências e qualificar as pessoas. Qualificar pessoas é um processo lento, de aprendizagem, e o que as Novas Oportunidades fazem é um processo instantâneo de certificação de competências. Ora, explica Carrilho, "nós sabemos que, em termos de aprendizagem, José Sócrates gosta muito de processos instantâneos. Até pelo seu percurso pessoal, sinto que ele tem uma certa tendência para apadrinhar o fast-food educativo. Mas não há nada que substitua o tempo no processo educativo".
Está tudo explicado.
Encerrada a questão da TSU e a questão púbica que tanto preocupa o Dr. Catroga, o novo tema quente é o das Novas Oportunidades.
Passos Coelho diz que o Governo credenciou a ignorância com as Novas Oportunidades.
Sócrates e o inestimável ministro Vieira da Silva, esse arquétipo do "homem socialista", dizem que com essa afirmação Passos Coelho insultou 500 mil portugueses que beneficiaram do programa.
Sentindo-me insuspeito de poder ser visto um defensor de Passos Coelho não deixo de achar curioso que este seja acusado de insultar 500 mil portugueses por quem praticamente todos os dias insulta 10 milhões de Portugueses com o que diz e com o que faz.
Quanto às Novas Oportunidades propriamente ditas, muito menos que 500 mil teriam sido as adesões se não houvesse tantos subsídios cuja atribuição estava dependente da adesão ao programa.
É verdade que no fim os finalistas tiveram direito ao subsídio e até a um diploma. A maçada é sairam do programa com os mesmos conhecimentos com que entraram, o que quer dizer que o mais certo é que nem o que está escrito no diploma sabem ler e interpretar mas este é o país do faz de conta que Sócrates e o PS têm para nos oferecer ao fim de 6 anos de governo socialista.
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