Rua Direita
Quarta-feira, 1 de Junho de 2011
Filipe Diaz

É verdade que estas são umas eleições particulares, em que o governo eleito a 5 de Junho encontrará em cima da mesa um programa de governo que lhe foi ditado pelas instituições internacionais e que, muito antes de ser eleito, aceitou e se obrigou a cumprir.

 

Mas esta pré-formatação não pode, nem deve, esgotar o programa do governo, e as ideias e soluções para a situação em que o país se encontra. O papel do próximo governo não pode, nem deve, resumir-se à mera implementação do acordo assinado com a troika e à acrítica gestão dos negócios do país segundo os parâmetros que lhe foram impostos.  

 

Sendo certo que nos próximos três anos tudo terá de ser feito para assegurar o cumprimento do programa a que nos obrigámos (e assim evitar a situação a que chegou a Grécia), é ainda mais certo que o mandato do próximo governo se estende para além do termo da ajuda externa e que, com toda a probabilidade, o momento mais difícil e, nessa medida, desafiante surgirá exactamente quando nos voltarmos a encontrar entregues a nós próprios (a propósito, leia-se o excelente artigo de Bruno Faria Lopes no I).

 

É com esse momento em vista que o próximo governo tem de conduzir os destinos do país, de assegurar que, retirada a rede internacional, a economia é capaz de crescer e de se modernizar, que os clientelismos estão desinstalados e o aparelho de Estado funciona com eficiência, que a educação atingiu novos patamares de excelência e as próximas gerações serão melhor preparadas, que o sistema de saúde é sustentável e presta de forma equitativa um serviço essencial àqueles que dele necessitam, e que a segurança social é viável e não caminha para o inevitável defraudar de expectativas construídas sobre pressupostos ultrapassados e incomportáveis.

 

Ora, chegados à recta final da campanha eleitoral, creio que podemos afirmar que assistimos a uma campanha em que pouco ou nada (de interesse) se discutiu, em que se olhou demasiado para o passado e o futuro do país não foi objecto de debate, em que, com raras excepções, os rumos a seguir e as soluções a implementar, constando de algums programas e manifestos, não foram analisadas, esmiuçadas e explicadas ao país.

 

A campanha que agora começa a dar os seus passos finais foi assim uma campanha pobre, sem promessas ou perspectivas, à imagem de um país na bancarrota.

Publicado Por Filipe Diaz em 1/6/11
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Segunda-feira, 30 de Maio de 2011
José Meireles Graça

Tenho boas e más notícias: As boas são que o PS está certo de que não fará parte do novo Governo; as más são que está a pôr minas de comando remoto no terreno. O centro de operações será no Parlamento.

Temas:
Publicado Por José Meireles Graça em 30/5/11
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Quinta-feira, 26 de Maio de 2011
Francisco de Almeida

Ainda existe muita gente que afirma que é indiferente o próximo governo de Portugal. O MOU da Troika é explicito no que diz respeito ao que temos de fazer, e por isso é só seguir essas indicações...

 

Gostava de relembrar, uma vez mais o quão importante é a eleição do dia 5 de Junho.

 

Multiplicam-se actualmente as notícias de dificuldades na Grécia, sendo já admitida a hipótese do FMI não libertar mais fundos por falta de garantias (aqui). Começa também a ser admitida a possibilidade da Grécia não ser capaz de pagar o que deve, e de ter de ser afastada do Euro. Estamos na iminência de testemunhar o retrocesso de anos de desenvolvimento dum país com o qual tantos nos comparam.

 

O MOU impõe a Portugal uma enorme responsabilidade e um desafio ainda maior. Durante centenas de anos fizemos uma dura caminhada rumo ao desenvolvimento, correndo agora o risco de ser rasteirados, pisados e ultrapassados; levantando-nos fracos e duridos para reiniciar a caminhada na companhia de países mais bem preparados e com mais "pedalada" que nós. É essencial que nos fortaleçamos e que nos mantenhamos no pelotão da frente. Acredito que nenhum Português deseje o contrário.

 

Para isto precisamos dum governo forte, coeso, com vontade de servir o país e com capacidade de unir os Portugueses.

  • Sócrates já demonstrou ser incompetente;
  • PPC não tem uma equipa nem forte nem coesa e não demonstra capacidade de unir sequer o seu próprio partido;
  • Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã querem evitar o "tropeção", "atirando-se para o chão" e convidando as pisadelas dos restantes países;
  • Paulo Portas tem um partido unido, uma equipa de enorme qualidade, conhecimento dos problemas que enfrentamos, e a capacidade de merecer a confiança dos Portugueses.

Parece-me óbvio quem está mais bem equipado para assumir esta responsabilidade.

 

Não estamos apenas a escolher um futuro PM ou governo, estamos a escolher o futuro de Portugal!

 

 

Temas: ,
Publicado Por Francisco de Almeida em 26/5/11
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Segunda-feira, 23 de Maio de 2011
Publicado Por Zélia Pinheiro em 23/5/11
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Domingo, 22 de Maio de 2011
Zélia Pinheiro

As campanhas eleitorais são processos de sedução do eleitorado e até certo ponto compreende-se que evitem os temas desagradáveis. Esse é um facto da vida. Mas as campanhas eleitorais são também necessariamente projecções sobre o futuro e neste ano de 2011, as perspectivas do nosso futuro colectivo, de acordo com o relatório sobre a economia portuguesa publicado pelo Banco de Portugal na passada quinta-feira são, como bem diz o editorial do Expresso, aterradoras.

É fundamental não passar ao lado desta leitura autorizada do que nos espera para a próxima década: "O Programa de ajustamento económico e financeiro [leia-se compromisso com o FMI] contempla uma nova recessão em 2011, de magnitude elevada, que persistirá em 2012. Esta recessão prolongada será acompanhada de uma contração sem precedentes do rendimento disponível real das famílias e de novos aumentos da taxa de desemprego" (cfr. Banco de Portugal - Relatório Anual 2010 - Avaliação Global, pag. 25).

Publicado Por Zélia Pinheiro em 22/5/11
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Quarta-feira, 11 de Maio de 2011
Francisco de Almeida

Passados já três debates, fico com a sensação de que falta qualquer coisa.

 

Passa-se muito tempo a criticar o actual governo e o candidato José Sócrates e muito pouco a falar do que eu considero essencial: as medidas concretas que cada um pretende aplicar, o impacto dessas medidas no país e nos Portugueses, e sobretudo, como é que cada um dos candidatos pretende dinamizar o crescimento da nossa economia.

 

Não se iluda quem acredite que o programa de governo está definido pela Troika. O acordo exprime linhas orientadoras para contenção de custos e aumento de receita do estado. Falta a transformação de muitas dessas linhas orientadoras em medidas concretas, e a capacidade de implementação dessas mesmas medidas. Falta também, a definição clara dos mecanismos que vão sustentar o crescimento económico, que não me parecem estar tão explícitos no acordo.  É nisto que importa avaliar os candidatos a Primeiro Ministro.

 

A crítica ao governo e a José Sócrates é, na minha opinião, uma infeliz manobra de diversão. É obviamente importante avaliar o trabalho feito por este governo, mas, o fraquíssimo trabalho por ele realizado nos últimos 6 anos, e a triste figura do actual PM são tão óbvios que até comentadores internacionais que olhem brevemente para Portugal o constatam com alguma facilidade. Continuar a "bater no ceguinho" vai permitir dar ao "ceguinho" exactamente o que ele quer: Por um lado, a pena do povo alimentando o seu argumento do "coitadinho"; Por outro, desviar a atenção das medidas concretas propostas por cada partido, alimentando o seu segundo argumento, o de que "estão todos a contribuir para uma crise política mas ninguém propõe nada melhor do que eu para nos tirar da actual situação".

 

Eu acredito que não há qualquer tipo de racionalidade em dar um voto que seja ao Sócrates. Quanto mais rápido os partidos assumirem isto e deixarem de lutar activamente contra a ideia de que José Sócrates pode ser reeleito, mais rápido vamos poder assistir a discussões mais construtivas sobre o que de facto é importante para todos nós: como é que pretendem tirar-nos desta "alhada". 

 

Publicado Por Francisco de Almeida em 11/5/11
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Segunda-feira, 9 de Maio de 2011
Afonso Arnaldo

Li de forma atenta as propostas do Programa do PSD na área Fiscal. Genericamente gostei. Concordo com a generalidade das medidas que aí se elencam. É natural, pois muitas delas são ideias em que o CDS anda a batalhar há anos.

 

Não vale a pena vir para a praça pública discutir quem teve primeiro a ideia. Se é boa, ainda que seja de um adversário político, deve ser aproveitada. O PSD fez isso relativamente a várias. Ainda bem!

 

Mas há algo que não percebo: parece-me que se ignora o facto de ter o Governo (com a concordância do PSD e do CDS) assumido, em nome de Portugal, um compromisso com a dita “troika”. À luz desse compromisso, várias das medidas propostas pelo PSD não serão adoptáveis nos “próximos tempos” (pelo menos 3 anos), assim "sem mais".

 

Isto apenas não será assim se conseguirmos encontrar mais receita noutro lado, que possamos dar “em troca à troika”, compensando a perda de receita que medidas como as previstas pelo PSD, tais como a atribuição de novos benefícios fiscais, provocarão (é certo que os benefícios que o PSD quer atribuir visam o crescimento, que gerará nova riqueza, a qual será base de incidência de outros impostos, mas isso é uma “volta muito grande” para que os senhores em causa aceitem como "moeda de troika"…).

 

Aí vejo como caminho primeiro o combate à fraude e evasão fiscais (como referi neste outro post), que se prevê render no MoU apenas 175 milhões, quando me parece que podemos ser bem mais ambiciosos (o Programa do PSD também menciona este combate, mas muito superficialmente, sem lhe dar a atenção que lhe entendo devida).

 

Parece-me que com a receita que Portugal consiga a mais nesta área poderá, então, ter espaço para negociar a “libertação” de alguns benefícios (mas nunca muito, mesmo assim, pois as previsões de geração de receita e corte de despesa tenderão a falhar noutros pontos do MoU, pelo que será necessário aproveitar toda a receita excedente para tapar tais buracos…).

 

Em suma, medidas positivas do PSD na área fiscal (muitas defendidas pelo CDS há vários anos), mas que aparentam desconhecer (algumas delas) o facto de termos pela frente (pelos lados e por trás...) um MoU para cumprir, pelo menos, durante 3/4 da legislatura. Lá está o “problema” de o próximo Governo ir governar em coligação com a troika. E esta já impôs as suas condições…

Publicado Por Afonso Arnaldo em 9/5/11
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João Monge de Gouveia

Uma das medidas previstas no Plano apresentado pela Troika é a redução do número de municípios.

Porém, o Governo já veio dizer que são poucas as Câmaras que serão extintas ou fundidas, pelo que o impacto da medida será muito reduzido.

Por seu lado, o PSD é da mesma opinião que o Governo.

 

Não é estranho que PS e PSD assim pensem e não queiram reduzir o número de Câmaras municipais, será muito o número de boys de um e de outro partido que ficará desempregado, já basta terem que reduzir na Administração Central.

 

O que me espenta é que tenham deixado constar tal medida, vindo agora dizer que o seu impacto é muito reduzido.

 

Se ambos os partidos levarem em consideração todas as medidas levadas no plano como estão a considerar esta, então não haverá acordo que nos valha! 

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Publicado Por João Monge de Gouveia em 9/5/11
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Sábado, 7 de Maio de 2011
Ana Rita Bessa

Passados uns dias, depois de lido e relido o "nosso MoU" e tanta "opinião", são três as ideias gerais que me ficam:

  1. Trata-se de um contrato. De um contrato-programa, mas, neverthless, de um contrato. Que obriga duas partes: quem empresta o dinheiro e quem o recebe, tendo que o executar nas condições sob as quais esse empréstimo ocorre (quem já teve que lidar com contratos de direito internacional, reconhece a semântica e o tom directo e objectivo ...). E, como em qualquer contrato, uma vez assinado, tem consequências, também em caso de incumprimento. É importante que tenhamos claro que não nos foi dado o pote de ouro no final do arco-íris.
  2. Sendo um contrato entre quem empresta e quem contrai um empréstimo, o espírito que preside ao documento é eminentemente financeiro. Isto é, visa estipular as condições que, quem empresta, legitimamente acredita serem aquelas que levarão à capacidade de re-embolso dos 78 mil milhões de euros, no prazo acordado. Não é portanto um documento político, embora não seja neutro do ponto de vista ideológico (mas, then again, o que é?...).
  3. Não sendo um documento político, é justamente pela Política que o memorandum será um instrumento de diferenciação e mudança. Por um lado, na forma como for sendo concretizado, por outro na orientação que for dada às componentes em que o documento pede que se estudem vias de re-estruturação, mas sobretudo, como diz o Ricardo Costa na edição de hoje do Expresso: " O documento da troyka amarra os políticos a uma realidade duraMas não os impede de fazerem política além dele. Pelo contrário, só quem for capaz de cumprir o que ali está é que pode prometer mais alguma coisa".
Não será, portanto, nada indiferente quem escolheremos para nos governar no próximo dia 5 de Junho.
Publicado Por Ana Rita Bessa em 7/5/11
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Sexta-feira, 6 de Maio de 2011
Zélia Pinheiro

Memorandum of Understanding, p. 28:


5.34. Further improve the functioning of the regulated professions sector (such as accountants, lawyers, notaries) by carrying out a comprehensive review of requirements affecting the exercise of activity and eliminate those not justified or proportional. [Q4-2011]

Publicado Por Zélia Pinheiro em 6/5/11
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João Ferreira Rebelo

Dão conta as notícias que, segundo as sondagens, estamos perante um empate técnico entre PSD e PS, ainda que com ligeira vantagem para o PSD. Estes números ainda não têm reflectidas as declarações da Troika no sentido de que o esforço para Portugal não seria tão grande se o Governo tivesse recorrido à ajuda externa antes.

 

Espero que os próximos números já possam reflectir essas declarações e que o PS comece a ficar relegado para o lugar que merece!

Publicado Por João Ferreira Rebelo em 6/5/11
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Ana Rita Bessa

O Sr. Presidente da República fará hoje o seu primeiro comunicado, depois de conhecidas as medidas da Troyka.

 

O que gostaria eu de ouvir num momento como este?

  1. uma nota sobre a gravidade, agora quantificada de forma mais transparente, sobre os indicadores económicos do país;
  2. uma nota sobre a oportunidade que esta crise comporta para o país, no sentido de nos re-colocarmos quer internamente, quer externamente, efectivamente construindo um país melhor;
  3. a constatação de que as medidas que a Troyka impõe são tanto abrangentes quanto especificas, tanto duras quanto necessárias, e que, mesmo sendo questionáveis em algumas matérias (pelo que será importante a forma/segmentação/calendário de execução), são para cumprir, sob pena de um destastre maior;
  4. o sublinhar que o documento pressupõe que o próximo governo terá de apresentar uma série de análises e propostas adicionais em áreas definidas, para concretizar, nessas áreas, as imposições de redução;
  5. por tudo isto apelar:
  6. ao sentido de responsabilidade dos portugueses para viver esta dureza, não como castigo, mas interiorizando a dificuldade e assumindo indvidualmente a sua quota parte de mudança e solidariedade colectiva efectiva;
  7. ao sentido de responsabilidade dos agentes económicos, porque também por eles passará um imperativo (ético) de contenção, de construção e de promoção da coesão social;
  8. ao sentido de responsabilidade dos políticos, de todos, mas em particular os que se preparam para assumir funções governativas, para que realizem que o "poder" lhes será confiado por pessoas que precisam de acreditar (não cegamente), que precisam de perceber (sendo devidamente informadas), que precisam de ser parte da mudança (e não mandadas) e que não querem assistir a "lutas de lama", mas ao surgir da grandeza humana (que todos temos, pelo menos como possibilidade) e que agora é crítica.
Ah, e não precisaria de ouvir coisas como "eu já tinha avisado", ou "como sempre disse aos portugueses", ou outras coisas que tal...
Agora, "escuto"...
Publicado Por Ana Rita Bessa em 6/5/11
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Filipa Correia Pinto

O problema deste acordo já não são as medidas, duríssimas, que ele prevê. O problema deste acordo é que ele não pode ser cumprido pelos grandes partidos que existem para servir as suas clientelas, justamente uma das classes mais penalizadas pelas medidas da troika. A oportunidade deste acordo é que ele só pode ser cumprido com patriotismo, coragem, seriedade e rigor. O ponto que interessa neste acordo é que ele não dispensa o CDS.

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Publicado Por Filipa Correia Pinto em 6/5/11
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Filipa Correia Pinto

Ora, corrijam-me se estou enganada:

 

1)       Apesar de há pouco mais de um mês o Primeiro-Ministro ter jurado não ser precisa nenhuma ajuda externa, veio ontem anunciar que, afinal, ele – de quem mais haveria de ser o mérito – negociou com o FMI/EU/BCE um "bom acordo".

 

2)       Esse acordo, segundo ele, é em tudo idêntico ao PEC IV que tão irresponsavelmente o PSD recusou, apenas com a ligeira – ténue mesmo – diferença de que este “bom acordo” vai ter de ser pago durante 13 anos, sensivelmente o dobro do tempo que levou a construir a sua necessidade.

 

3)       O mesmo Governo que anunciou que este “bom acordo” não implica nenhuma alteração constitucional e que rejeita que o pedido de ajuda externa tivesse sido tardio, já explicou hoje que afinal o que tardou foram as medidas agora acordadas, as quais, por qualquer razão insuspeita, não puderam ser implementadas pelo mesmo Governo que, persistentemente, faliu o Estado Português.

 

4)       Enquanto isto, o líder do PSD candidato a próximo Primeiro-Ministro, anuncia de madrugada, num programa de humor, a sua concordância com os termos do acordo, reservando a sua declaração oficial sobre o tema para o intervalo de uma acção de campanha… no Reino Unido.

 

5)       Os tecnocratas da Troika, cheios de boas intenções, trataram de garantir que são feitos os cortes necessários na despesa para que Portugal esteja em condições de honrar as suas dívidas, mas muito compreensivelmente deixaram ao critério das instâncias nacionais o programa de crescimento que se, não for trilhado, nos condenará irremediavelmente à subserviência e à pobreza.

 

6)       Uma vez mais, sobre este singelo particular, não se ouviu uma palavra nem das sumidades em ascensão com que o PSD inundou a comunicação social, nem dos desesperados futuros ex-governantes que hoje se desdobraram em falsidades e jogos de retórica.

 

7)       Curiosamente, apenas do CDS se ouviu uma palavra sobre a necessidade de criar riqueza e gerar crescimento, certo?

 

É isto, não é?

Publicado Por Filipa Correia Pinto em 6/5/11
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Maria João Marques

Estou deveras curiosa com a tal da negociação forte e aguerrida e salvaguardando o interesse nacional (como se soubessem o que isso é) do governo PS com a troika. O PS ficou muito indisposto quando na AR a oposição lhe negou a possibilidade de aumentar a taxa máxima de IVA para 24% e avisou logo que a base de negociação para o empréstimo da UE e do FMI era o PEC4, que continha a subida da taxa máxima do IVA. Ora a taxa máxima do IVA, pelo acordo com a troika, não subiu, havendo apenas produtos das taxas mais baixas que passam para a taxa máxima, sendo esse acréscimo do IVA destinado a cobrir a perda de receitas com uma diminuição da TSU. Ao invés, a troika preferiu impôr reduções - quantificadas e calendarizadas - na despesa pública. O que me leva a questionar se a negociação do PS não terá sido algo do tipo 'Oh, por favooooor, não nos obriguem a cortar 515 milhões com as empresas públicas, é taaaaão mais fácil aumentar o IVA, vá lá, vá lá, deixem-nos aumentar o IVA'.

 

Claro que aumentar o IVA (que, é bom recordar, há dez anos era de 17% na taxa máxima) seria mortal para as PME e, em consequência, para a competitividade da economia. Mas como os senhores que nos desgovernam sempre viveram no universo público, ou nas grandes empresas ou na universidade e, quando muito, pagam ordenados com o seu dinheiro à empregada doméstica, não fazem ideia do que são os constrangimentos de tesouraria de uma PME - que teria de pagar um IVA superior nas suas compras de bens e serviços e poderia deduzir esse IVA apenas se e quando vendesse e, vendendo, teria com grande probabilidade de entregar ao Estado o IVA da venda antes de receber o respectivo pagamento - podem sempre aderir à teoria contabilística de que o IVA é suportado pelo consumidor final e este, tão perdulário como os seus governantes, não deixará de comprar devido a um aumentozito pequenino (de cada vez) no preço do bem, assegurando sempre receitas acrescidas com aumentos do IVA.

 

Mas este enlevo com os aumentos do IVA não é exclusivo do PS. O PSD, depois de votar uma resolução contra o PEC4, veio dizer dias depois que poderia aumentar a taxa máxima do IVA (depois, como é costume, desdisse-se) e Passos Coelho explicou mesmo que, a aumentar impostos, preferia aumentar os impostos sobre o consumo (lá está, o IVA) do que aumentar os impostos sobre o rendimento. Ora a troika conseguiu fazer precisamente o contrário do que propunha Passos Coelho: tendo de aumentar impostos, preferiu aumentar o IRS (com diminuição das deduções das famílias) e o IRC (via fim de isenções fiscais) do que aumentar a taxa máxima do IVA.

 

O que vos digo é o seguinte: perante a possibilidade de ou Sócrates ou Passos Coelho vir ser primeiro-ministro, devemos agradecer terem vindo uns senhores estrangeiros que percebem alguma coisa de crescimento económico redigirem-nos o programa do próximo governo.

Publicado Por Maria João Marques em 6/5/11
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Quinta-feira, 5 de Maio de 2011
Bernardo Campos Pereira

Com a conclusão da sua missão em Portugal, três responsáveis da troika acabam por desmentir Socrates em três pontos fundamentais, retirando argumentos à estratégia que este governo PS usou para financiar o país, e à desinformação que o próprio Socrates tem comunicado sobre o acordo nos media:

 

1. Este programa não é o PEC IV;

[ lá se vão os argumentos do PS ];

 

2. O resgate não é menos duro do que os resgates da Grécia ou da Irlanda, e os portugueses vão pagar este resgate com sacrifícios que exigem sinceridade por parte do primeiro ministro, para explicar aos portugueses as medidas necessárias nos olhos.

[ esta afirmação exclui logo as hipóteses de Socrates ou de Passos como PM's válidos para a tarefa... ];

 

3. Caso o FMI tivesse sido chamado antes as medidas não teriam que ser tão duras.

o que responsabiliza quem tem evitado chamar o FMI [ o governo PS ], o PSD que sendo o maior partido da oposição viabilizou os PEC's até finais do ano passado, e ainda o Bloco de Esquerda e os Comunistas que nem querem ouvir falar do FMI.

[ ainda há alguém com dúvidas em quem votar? ] 

 

Publicado Por Bernardo Campos Pereira em 5/5/11
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João Ferreira Rebelo

... E para não variar temos muito de agradecer a José Sócrates: Ficamos todos com o 13º e 14º mês, nada se passa, afinal o acordo com a Troika é só um memorando de intenções, deixem lá vir o dinheirinho para tapar uns buracos e daqui a uns tempos logo se vê como se paga. Se não pagarmos, os ricos da Europa emprestam mais.

 

E assim se faz campanha!

Publicado Por João Ferreira Rebelo em 5/5/11
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Ana Rita Bessa

Esta parece-me a banda sonora apropriada para o final de tarde de hoje:

 

 

 

 

Temas:
Publicado Por Ana Rita Bessa em 5/5/11
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Marcos Teotónio Pereira

O FMI demorou muito mais tempo a apresentar o plano de resgate de Portugal do que o da Irlanda ou da Grécia. Deve ter tido uma enorme dificuldade em aferir o real estado das nossas contas. Provavelmente a cambada que nos governa não deu toda a informação que eles pediram. Porque não quiseram ou, mais provavelmente, porque nem eles sabem.
 

A Troika não podia atrasar mais o plano e portanto daqui a 5 meses vamos ter a continuação.

 

Se o  governo que sair das eleições não for PS, o Sócrates vai aproveitar para dizer que "estamos a ser mal governados"; se o PS for governo outra vez, o Sócrates vai aproveitar para dizer que "o FMI não era solução".

Publicado Por Marcos Teotónio Pereira em 5/5/11
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João Távora

 

Quem se vai ver à rasca logo à noite na Quadratura do Circulo na SIC Notícias é o nosso inenarrável António Costa com o seu discurso subjugado à "narrativa socrática".

Publicado Por João Távora em 5/5/11
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Sophia Caetano Martin

"Jürgen Kröger, o responsável da Comissão Europeia (CE) que está no país para negociação da ajuda externa, considera que não serão necessárias mais medidas de austeridade, se o programa for bem implementado". (in Público)

 

Planos sempre os houve, bons ou maus, mas a verdade é que a execução, principalmente nos últimos anos, sempre deixou muito a desejar.

 

Este tipo de salvaguardas feitas logo ao início sempre deixaram muitas portas abertas para, quando as coisas correm mal porque não se segue o plano como é suposto, se imporem novas medidas. Basta lembrar que o PS já ia para o PEC IV.

Publicado Por Sophia Caetano Martin em 5/5/11
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Paulo Monteiro

Segundo Teixeira dos Santos o montante do bailout pressupõe que Portugal consiga financiar-se nos mercados a taxas de juro sustentáveis em 2013, a experiencia grega e o desenvolvimento da crise de divida soberana europeia mostra a improbabilidade deste cenário e deixa em aberto novas negociações para o futuro.

Temas:
Publicado Por Paulo Monteiro em 5/5/11
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João Távora

 

Para que conste nos anais da História de Portugal, o minucioso programa de governo incumbido à república portuguesa para a legislatura 2011 e 2015 foi divulgado em… inglês. Aguarda-se ainda a respectiva tradução para acesso indigena.
Pondo de lado a desconsideração, e após leitura do documento, fica-me a suspeita que melhor fora que tivesse sido em Alemão: mais radical na desestatização do regime.

 

Em estéreo

Publicado Por João Távora em 5/5/11
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Francisco de Almeida

Continuo sem perceber uma coisa. Segundo o Sócrates, o acordo da Troika é em larga medida igual ao PEC IV. Portanto pergunto: no caso dos partidos da oposição terem tido o comportamento patriótico e responsável de aprovar o PEC IV (segundo Sócrates, mais uma vez) quem é que nos emprestava os 78 milhões a uma taxa de 5.5%?

 

A mim, parece-me que o nosso PM deu razão à oposição, já que o chumbo do PEC IV permitiu, que com as mesmas medidas, Portugal possa ir buscar o dinheiro que necessita muito mais barato do que estava a pagar na altura.

 

Um bom negócio, digo eu.

Publicado Por Francisco de Almeida em 5/5/11
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João Távora

 

Todos os jornais cometem erros e são manipuláveis por fontes. O Negócios também já errou e errará. Mas houve desinformação gritante nos últimos dias, com exagero claro de medidas de austeridade, o que teve beneficiários. Como é verificável, o Negócios deu em primeira mão muitas medidas, incluindo o próprio pedido de ajuda. Não demos tudo o que agora se sabe. Mas não falhámos nada. À cumplicidade com as fontes preferimos a cumplicidade com os leitores. E assim não os enganámos.

 

Post scriptum do editorial de ontem do Negócios por Pedro Santos Guerreiro

 

Em estéreo

Publicado Por João Távora em 5/5/11
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Quarta-feira, 4 de Maio de 2011
Ana Rita Bessa

"A Comissão Europeia anunciou hoje que vai dar uma conferência de imprensa amanhã, às 11h00 (...). Antes, às 9h30, o Ministro de Estado e das Finanças, Teixeira dos Santos, vai também apresentar as principais linhas de orientação do acordo"- no Público.

 

Já imagino a banda sonora que o "Luis" vai por ao fundo: "In every job that must be done there is an element of fun. You find the fun, and snap!, the job's a game!"

 

 


 

Publicado Por Ana Rita Bessa em 4/5/11
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João Ferreira Rebelo

Agora que o documento da Troika já é público, haverá órgãos de comunicação social que se dignem a perder uns minutinhos a mostrar a verdade dos factos, por oposição ao delírio de ontem?

Publicado Por João Ferreira Rebelo em 4/5/11
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Rodrigo Lobo d´Ávila

O que ontem se passou não passou de uma grande tristeza. Foi triste ver o Primeiro-ministro a proclamar como um seu triunfo pessoal aquilo que é a maior vergonha nacional desde o ultimato inglês. Foi triste ver o ministro das finanças a fazer de chaperone silencioso e respeitoso, de forma a atribuir alguma credibilidade aos "amanhãs que cantam" do Primeiro-ministro. Foi triste ver Eduardo Catroga a pôr-se em bicos de pés e a proclamar o acordo como uma gloriosa vitória do já de si glorioso PPD/PSD. Acima de tudo foi triste eu perder o meu tempo a ver este exemplo dual de ausência de conexão ao planeta Terra, quando podia tê-lo usado em coisas mais úteis, como sei lá...ver a bola ou a novela da sic.

 

Foi triste saber que enquanto isto se passava, as obras do TGV prosseguiam, a passo de corrida, alegres e contentes, talvez por saberem que o Sr. Engenheiro tem dinheiro fresco, que vai durar por mais dois ou três anos. Afinal como diz o povo (se o Primeiro-ministro ganhar as eleições) "Para hoje há e para amanhã Deus dará".

Publicado Por Rodrigo Lobo d´Ávila em 4/5/11
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José Bourbon Ribeiro
... que a tal da Troika fez em um mês o serviço que Sócrates nāo conseguiu fazer em seis anos.
Publicado Por José Bourbon Ribeiro em 4/5/11
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Filipe Santos

Ao início da noite, José Sócrates apresentou ao país, com grande habilidade política, as medidas que não foram acordadas com a Troika.

 

Foi (mais) um acto de pura propaganda. Competia ao Primeiro Ministro ter apresentado não só o valor do empréstimo, mas também a taxa de juro a pagar e o plano a cumprir.

 

Mas na verdade, para além do valor do empréstimo que será concedido a Portugal (€78 mil milhões), pouco ou nada de relevante foi revelado pelo Primeiro Ministro relativamente ao conteúdo desse acordo.

 

Sócrates, como lhe convinha, deixou para outros mensageiros a revelação das "más notícias", ou seja, as medidas duras que vão ter de ser tomadas para corrigir, entre outras coisas, o desvario da governação dos últimos anos.

Publicado Por Filipe Santos em 4/5/11
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