António Costa trouxe um novo argumento à campanha: como não vamos ganhar as eleições, elas não servem para nada.

O fervor com que fala Louçã – o olhar inquisidor e o tom de permanente censura – não resulta da força das suas convicções, antes de uma profunda devoção de feição religiosa: para Louçã, a política é uma espécie de guerrilha religiosa, em que o dogma comanda o radicalismo justiceiro, sempre orientado para despertar em cada eleitor o pior que há em si.
Tudo quanto faz é destruir, jamais construir: não há uma ideia que não seja marcada pelo terrorismo ideológico que pauta a actuação do Bloco de Esquerda e que, bem se vê, o torna absolutamente inútil.
A desonestidade intelectual de Louçã ficou, ontem, uma vez mais, à vista de todos. Serve de consolo o que parece constituir já uma sólida tendência na evolução das sondagens: há cada vez mais eleitores a perceber que o caminho, seja qual for, não passa por dar força à esquerda radical.
O número da pasta vazia protagonizado por José Sócrates não passou de um truque verdadeiramente primário, somente revelador de uma superficialidade atroz e de um estilo perigosamente leviano.
Note-se que não se tratou de um número espontâneo – o que, não desculpando o seu autor, talvez pudesse atenuar a culpa –, mas de um acto reflectido e ponderado.
Como foi possível confiar a governação de Portugal a José Sócrates?
Um ministro do governo que conduziu o país à necessidade de pedir ajuda externa acaba de referir, no canal estatal, que “não podemos continuar a pôr em causa a nossa capacidade de resolver os nossos problemas”.
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