Rua Direita
Segunda-feira, 6 de Junho de 2011
José Meireles Graça

Acabou.


Dentro de uns dias a realidade começará a cair sobre nós. Não vai ser pêra doce: o que precisa ser feito contará com a oposição da rua, sob a égide do PCP e dos farrapos genuinamente revolucionários do BE, e talvez - essa a incógnita - de um PS estatista que é e travestido de partido revolucionário que às vezes lhe convém fingir ser.

Não sabemos - eu decerto não sei - como vai ser. Hoje por hoje tenho direito a um suspiro de alívio e esperança: Que Sócrates seja definitivamente o has-been da política da miragem, dos truques, do Estado metediço, controleiro, caloteiro e modernaço; que a imensa legião dos boys vá fazer pela vida, sem que nos lugares vagos apareçam sósias da nova maioria; que o Governo restaure um módico de sanidade, seriedade e probidade na gestão da coisa pública; que o Estado se reforme sob a senda da humildade e da contenção - que saia, numa palavra, das costas e do caminho de quem pode e sabe honestamente fazer alguma coisa por si, que é ainda a melhor maneira de fazer alguma coisa pelos outros.


Esteve boa a festa por aqui, pá. Conheci gente interessante e boa e com eles participei numa empresa comum a troco de nada senão, pela minha parte, do desejo de despertar algum meneio de cabeça concordante e, com sorte, algum sorriso de anuência.


Espero e desejo que nos caminhos da vida nos voltemos a encontrar. E agradeço à Filipa, ao Adolfo e ao Tomás terem-me permitido trazer para aqui uma incontinência verbal que só se tem passeado por cafés e rodas de amigos.

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Publicado Por José Meireles Graça em 6/6/11
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José Meireles Graça

Com desculpas pela grosseria da imagem, os porcos, quando têm o focinho na gamela, vêm só o que lá está. Para ver a big picture precisa-se de alguém de fora - se quem está de fora não estiver cego pelo preconceito e pela ignorância.

Daniel Hannan conhece Portugal; e não tem de nós a imagem miseranda que nós próprios temos. Comenta aqui as eleições. Comenta-as bem.

Publicado Por José Meireles Graça em 6/6/11
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José Meireles Graça

Paulo Portas (CDS): "Terminou o consulado de José Sócrates à frente do País."

Pois terminou. Mas o novo governo bem poderia tomar uma medida profilática, ainda que despesista: Nomear o Engº Pinto de Sousa nosso Cônsul em Auckland. Parece que ele anseia por ser feliz, e Auckland é o sítio ideal para o efeito. A ter que ser feliz nalgum lado, que seja nos antípodas.

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Publicado Por José Meireles Graça em 6/6/11
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Sábado, 4 de Junho de 2011
José Meireles Graça

É fatal como o destino: Sempre que o Estado práfrentex resolve ajudar os cidadãos via Internet sucede alguma coisa má. Há minutos, fui ao endereço http://www.cne.pt/cne-mc/ - queria conferir onde voto amanhã. Fui brindado com a seguinte mensagem: The site is currently not available due to technical problems. Please try again later. Thank you for your understanding.

 

Lá que é fino, é. O nosso Presidente fala connosco  via Facebook, a gente em vez de desesperar ao balcão desespera frente ao computador e somos todos muito modernos. Todos não - há por aí alguns maduros que acham que ou se fazem as coisas como deve ser ou não se fazem. E, quando se fazem mal, as cabeças devem rolar; porque, se não rolarem, o descaso continua. Eu sou um desses maduros.

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Publicado Por José Meireles Graça em 4/6/11
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Sexta-feira, 3 de Junho de 2011
José Meireles Graça

O excelente Fernando Moreira de Sá defende aqui a sua dama, e defende-a bem. Em certo passo diz: "O problema é simples e natural, Paulo Portas e este seu CDS é igual a todos os outros e por muito que disfarce (e procurou disfarçar muito bem ao longo desta campanha) ele é o mesmo de 2009, de 2005, de 2002, de 1999 e de 1997."

Ó Amigo Fernando (perdoa-me a familiaridade?) por que razão se deteve em 1997? Se continuasse e fosse até aos alvores da Democracia, encontraria o CDS a votar isolado contra a Constituição, lavrada sob a égide do Conselho da Revolução e cristalizada numa forma de ver o Mundo que já então era obsoleta. E depois encontrá-lo-ia sempre do lado bom da barricada: a favor da livre iniciativa contra o papel central do Estado na vida económica, a favor da liberdade do cidadão contra o fascismo higiénico, a favor da liberdade no ensino contra o ensino jacobino, a favor das privatizações contra as nacionalizações, a favor de o País honrar a sua dívida (ao menos tentar) contra o calote comunista ... a lista é extensa. O PSD, tendo falhado o momento inicial, esteve quase sempre nestes combates. Quase. E mesmo agora que é tão semelhante ao CDS que ninguém acredita que uma coligação tenha dificuldades sérias de entendimento, não falta quem dentro do PSD, em caso de falhanço, se ofereça como alternativa. O PSD é sempre mais do que tem na montra - no armazém políticas e políticos alternativos espreitam.

Defenda a sua Dama, Fernando - faz bem. Mas não invoque contra o CDS a constância no tempo. Mesmo que o argumento histórico conte pouco (as pessoas pouco querem saber de coerências e incoerências partidárias pretéritas) ele milita a favor do CDS - precisamente o oposto do que diz.      


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Publicado Por José Meireles Graça em 3/6/11
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Quinta-feira, 2 de Junho de 2011
José Meireles Graça

Há em cada eleição três, e apenas três, tipos de eleitores: os abstencionistas e votantes em branco, que delegam a escolha nos que votam; os clubistas, que votam sempre no mesmo partido; e os que dão o seu voto aos políticos de cujas promessas menos descrêem, na exacta medida em que entendam que tais promessas lhes convêm - a eles mais do que à comunidade.

Os votantes em branco querem enviar uma mensagem à classe política e aos outros eleitores. É duvidoso que uns e outros os ouçam, e, mesmo que ouvissem, não saberiam quais as correcções de trajecto que os levariam a votar - os votantes em branco irmanam-se na rejeição mas não nas soluções.

Dos clubistas - entre os quais me conto - o PCP é o que está mais bem servido, não evidentemente em valores absolutos mas em percentagem de fiéis. Mas todos têm o seu núcleo duro, e é este núcleo que explica que nenhuma projecção dê ao PS menos de 25%.

Os restantes, que vão decidir esta como decidem todas as eleições, foram traídos quando votaram no PS, porque não há promessa que tenha sido honrada, declaração que não tenha sido infirmada, tropelia que não tenha sido cometida, tudo cumulando com a colocação do País em regime de protectorado por diabos estrangeiros. Foram traídos muitos dos que votaram no BE porque queriam a síntese entre a igualdade que o PCP promete e a democracia parlamentar que o PS subscreve, e em momento algum o BE foi convincente a demonstrar que esse objectivo era viável. Foram traídos muitos dos que votaram no PSD porque sempre o PS deu a impressão de estar a levar até às últimas consequências vícios e erros que vinham de trás e sempre o PSD deu a impressão de estar à espera da situação ficar suficientemente podre para o Poder lhe cair nos braços.

O eleitorado está descrente, amedrontado e irado. O País tem sido governado por gente generosa, bem-falante, convincente e com as marcas registadas do progresso, da democracia, do bem-estar e da preocupação com os pobres. Deu no que deu.

Está na hora de testar uma marca nova.

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Publicado Por José Meireles Graça em 2/6/11
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Terça-feira, 31 de Maio de 2011
José Meireles Graça

Numa carta a Pinheiro Chagas, salvo erro, Eça estabeleceu a imperecível distinção entre patriotaças, patriotinheiros, patriotadores e patriotarrecas.


Ocorreu-me isto a propósito deste texto do Daniel Oliveira, embora não lhe faça a injúria de o encaixar em qualquer das categorias.


Os actuais e parte dos futuros governantes que Daniel - abençoada lucidez - já não tem dúvidas quem venham a ser, são taxados de "comissários" e "capachos", por se prontificarem a seguir a dolorosa receita que os credores propinam para, encostando a barriga ao balcão para nele alinharem 78 mil milhões, terem um módico de garantias de que irão ver de volta, se não tudo, ao menos uma parte do óbolo.


Neste desprezo envolve também os eleitores, porque, nas palavras dele, "A maioria dos portugueses acha que merece ser tratada com este desprezo. Aplaude a chegada do colono e acredita que ele vem pôr a piolheira na ordem. Aceita o insulto sem um protesto."


Eu discordo das escolhas que os meus concidadãos têm feito - há muito tempo. E não acho sequer que no próximo Domingo vão fazer a melhor escolha, apenas vão na boa direcção. Mas cada qual lê a Alma Portuguesa como quiser: a minha interpretação é que a maioria dos Portugueses, no nevoeiro dos números, das explicações do passado e das projecções do futuro, intui que não é mais possível continuar ano após ano a gastar mais do que se tem; e que, sendo necessário produzir mais e pagar a quem se deve, não é com a Esquerda ao timão que isso pode suceder.


Daí a passividade - não de uma qualquer atávica e bovina inferioridade.

Publicado Por José Meireles Graça em 31/5/11
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José Meireles Graça

Parece que em Cuba se prepara a remodelação da frota automóvel. E mais, todos os cidadãos passarão a poder adquirir pasta dentífrica. Ver notícia aqui

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Publicado Por José Meireles Graça em 31/5/11
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José Meireles Graça

rui a. é uma das pessoas - e não são muitas - que leio sempre com atenção e gosto. E não posso dizer que discorde, no essencial, de muito do que aqui diz sobre a história do CDS. Mas a política é, entre outras coisas, a arte do possível.

 

O discurso e a prática que rui a. gostaria que o CDS tivesse tido e tenha será doutrinariamente puro; mas a pureza na política paga pouco. Que o diga o PCTP/MRPP.

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Publicado Por José Meireles Graça em 31/5/11
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Segunda-feira, 30 de Maio de 2011
José Meireles Graça

No início deste post disse que hoje ia conferir. Fui - não sou do PS, cumpro.

 

Liguei para o posto local da GNR. Liguei, liguei e voltei a ligar - nada.

 

Saí do trabalho e fui ao posto. A simpática agente que estava à porta, inteirada das minhas dúvidas, não as soube esclarecer, mas prontificou-se a ir lá dentro informar-se, munida da minha carta de condução. Regressou com a informação de que a carta estava caducada (não obstante ter sido revalidada até 2016), que já a deveria ter renovado até 3 de Maio último, que estava sujeito a contra-ordenação se conduzisse, e que me deveria dirigir ao Instituto da Mobilidade Não Sei Quê ou a uma Loja do Cidadão.

 

Perguntei onde é que ficavam essas entidades, mas a moça ignorava. Pelo telefone, um burocrata amigo informou-me que do Instituto sabia nada mas havia uma Loja do Cidadão na cidade vizinha, a 18 km, embora a tal loja "não tivesse todas as valências".

 

Lá fui e, chegado ao destino, estacionei num parque pago - cá fora não havia lugar. A simpática funcionária que atendeu o "Sr. José" (os senhores não são tratados pelo nome de família e as senhoras não são Donas - modernices) confirmou o que a agente da GNR havia dito, esclarecendo que iria precisar, entre outras coisas, de um atestado médico, em impresso próprio (0,20€) a passar pelo médico de família ou particular.

 

Lá irei ao meu médico (a 60km) - enquanto eu puder, para o meu médico serei um amigo e cliente, não um contribuinte e cidadão. Depois, juntarei fotocópias ("frente e verso na mesma página") de três documentos, uma fotografia "de boa qualidade" e o impresso mod. 1 IMTT, "preenchido a caneta preta".

 

Estarei então, finalmente, em condições de pagar 30€. Estes 30€, multiplicados pelas centenas de milhares de cidadãos que estão ou virão a estar nesta situação, são a verdadeira razão destas chatices. No taxation without representation, disseram os Pais Fundadores dos E.U.A, ou lá quem foi. Não sabiam das coisas: O Governo PS passa bem sem isso - basta fingir que os impostos são taxas.

Publicado Por José Meireles Graça em 30/5/11
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José Meireles Graça

Tenho boas e más notícias: As boas são que o PS está certo de que não fará parte do novo Governo; as más são que está a pôr minas de comando remoto no terreno. O centro de operações será no Parlamento.

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Publicado Por José Meireles Graça em 30/5/11
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José Meireles Graça

Ouvi agora uma notícia sobre os 65000 Portugueses que passaram a criminosos por Decreto (devo ser um desses, amanhã vou conferir). Tinham um papel que os declarava habilitados a conduzir, e esse papel, com a chancela do competente serviço do Estado, dizia-se válido até à data x, tendo sido a validade encurtada para y.

 

O autor da peça e as pessoas entrevistadas mostravam-se indignados com o facto de os Portugueses em questão não terem sido notificados, ou seja, um problema, digamos, postal.

 

Pobre País o meu: o problema não é a falta de notificações; é o Estado se ter transformado numa quadrilha de ladrões. Porque toda esta trapalhada vai render, em multas, e carimbos, e certificados, e exames.

 

O político anódino que congeminou esta vigarice arranjou mais uns cobres para cobrir as superiores funções do nanny state; os milhares de horas de trabalho de funcionários para lidar com esta trapalhada serão milhares de horas a encher chouriços; os milhares de horas de trabalho perdido de cidadãos vão para a mesma conta dos feriados; os tribunais somarão mais uns milhares de processos aos que já entopem os gabinetes.

 

Eça de Queirós disse algures (acho que foi ele) que isto dá vontade de morrer. A mim dá-me vontade de dizer palavrões.

Publicado Por José Meireles Graça em 30/5/11
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Domingo, 29 de Maio de 2011
José Meireles Graça

Leio aqui que o edil Costa terá dito que "O problema do acordo é ser muito economicista."


O edil Costa está coberto de razão: o acordo é de facto muito economicista.

 

O balanço e contas da empresa em que trabalho são muito contabilísticos; o automóvel que conduzo é muito mecânico; e as cerejas que hoje comi à sobremesa eram muito frutadas.

 

Isto é tudo muito pacífico e por isso não nos vamos zangar. Porém, já não me parece tão pacífica a origem do Acordo - o facto de Costa e os colegas da generosa agremiação à qual pertence serem muito economicidas.

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Publicado Por José Meireles Graça em 29/5/11
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Sábado, 28 de Maio de 2011
José Meireles Graça

Ouvi hãa a reportagem então sobre huum os dois jovens que oooh quer dizer o Juiz Carlos Alexandre então uma jovem hãa violentamenteeee agredidaaaa enquanto de telemóvel hãa outro jovem menor então filmava. Ficou huum em, vá lá, hãa, então huum em prisão oooh preventiva.

 

Era na SIC Notícias mas podia ser em qualquer canal: as Novas Oportunidades têm, ao contrário do que se diz, saídas profissionais.

Publicado Por José Meireles Graça em 28/5/11
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José Meireles Graça

O texto original do MoU foi originalmente traduzido pelos beneméritos do Aventar.

 

Depois apareceram mais dois documentos complementares, que o Aventar também traduziu.

 

Entretanto o Ministério das Finanças apresentou a sua tradução, mas dias após descobriu-se que a tradução não era fiel, acrescentando frases que não constam do original.

 

Agora sabe-se que aquilo que os partidos assinaram não é o documento definitivo do acordo com o triunvirato.

 

O Senhor Presidente não pode antecipar as eleições para o próximo Domingo? O que havia para dizer está dito, cada novo dia apenas prega um novo prego num caixão coberto deles e quem anda na campanha está farto de carne assada.

 

Os que não andam estão fartos de ser fritos, Senhor Presidente. A Vossa Excelência não parece que o estrugido já esturricou?

Publicado Por José Meireles Graça em 28/5/11
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Sexta-feira, 27 de Maio de 2011
José Meireles Graça

Daniel Oliveira desfere aqui um vigoroso ataque contra o líder do CDS, com uma extensa lista de objurgatórias. Excelente sinal, que um comentador do post, de nome António Cunha, resumiu assim, e resumiu bem: "Demorou mas chegou lá...Já percebeu para onde estão a ir os votos do BE, não já ?!!!!"

 

Daniel Oliveira não é apreciado pela Direita: A sua alegada superioridade moral, que partilha com os seus camaradas, maxime com o líder da seita, e que se traduz na martelada ideia que a sua esquerda dele se preocupa com os desempregados, os pobres e os aflitos, enquanto a negregada direita se ocupa de lucros, egoísmo, evasão fiscal e trapaças sortidas - irrita; a sua allure (e só falo nela porque o tom do arrazoado é chocarreiro) de terrorista da Fatah vestido à ocidental - repele algumas almas retrógradas; e a sua argumentação na defesa de soluções lunáticas para os nossos problemas económicos, por embrulhada que venha na autoridade de académicos comunistas e outros radicais de esquerda - incomoda quando não faz sorrir. 

 

Eu conheço bem a personalidade pública de DO: sigo-a há muito tempo no Arrastão, no Eixo do Mal e no Expresso. E tenho pela personagem simpatia e apreço. É, não tenho dúvidas, um genuíno democrata, no sentido que dá à palavra quem respeita a instituição parlamentar e toda a parafernália de direitos dos cidadãos sem os quais os Parlamentos não são representativos; respeita a propriedade privada de meios de produção e a propriedade privada tout court, embora delas tenha uma concepção instrumental que o leva a pôr-lhe obstáculos muito para além do que achamos razoável; e tem uma panóplia de reflexos condicionados em matérias socialmente fracturantes. Mas, no conjunto, dará um excelente militante do PS quando o PS na oposição virar, como vira sempre, à esquerda; e quando o BE expelir de si os que não são genuinamente comunistas libertários, ou trotskistas ou lá qual seja a variedade de comunistas que por lá se acolhem.

 

Daniel é um óptimo adversário: convicto, democrata e inteligente. E que se mantenha na oposição a um Governo realista, competente, modesto e liberal, durante muito tempo - é o que lhe desejo.

Publicado Por José Meireles Graça em 27/5/11
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José Meireles Graça

Ouço a Quadratura há anos - acho que desde sempre, incluindo o tempo em que passava na rádio. Não sou superior aos meus preconceitos, e por isso sempre gostei mais dos campeões do CDS - apreciava a bonomia de Nogueira de Brito, em quem amigos e adversários viam instantaneamente um Senhor, e gosto do brilhantismo effortless de Lobo Xavier, não obstante não o acompanhar no seu confessado europeísmo. E também não desgostava do impressionante fogo-de-vista verbal de José Magalhães, a barba mefistofélica sublinhando os raciocínios frequentemente capciosos. Com Jorge Coelho o programa ganhou em manha o que perdeu em elevação - espero não estar a ser demasiado incisivo; e com o edil Costa a manha ficou mas a costela popular, a meus olhos simpática, de Coelho, foi-se.


Pacheco Pereira é um caso à parte: a palavra que melhor o define é intelectual, que arbitrariamente descrevo como aquela pessoa que não é capaz de entender a realidade se não houver uma teoria integradora qualquer que a explique. Isto pode ser, e com frequência é, estimulante; e como PP é um tipo brilhante, acontece-lhe iluminar recantos de cuja existência um paisano como eu não se tinha apercebido. Mas também lhe acontece, como é típico de intelectuais, não ver o óbvio.


O óbvio, neste momento, é que estamos numa campanha eleitoral. E um militante de um partido não deve participar num programa de forma a que, mais vezes sim do que não, o adversário principal brilhe de satisfação com o que dizemos. Numa batalha, o soldado que atazane a paciência do camarada porque ele não tem as botas engraxadas ou porque lhe falta um botão, ou porque é simplesmente um imbecil, pode estar coberto de razão. Mas há outros momentos para ter razão. No meio da batalha não.

 

É que eu quero que o CDS ganhe votos; mas não quero em caso nenhum que o PS escape sem a exemplar punição que a nossa desgraça colectiva amplamente justifica.

Publicado Por José Meireles Graça em 27/5/11
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Quinta-feira, 26 de Maio de 2011
José Meireles Graça

Ninguém anda na política com um par de asas nas costas. Os políticos não o ignoram, os eleitores não o ignoram, e resmungando todos lá nos vamos entendendo.

Mas há limites: Isto que o Diogo Duarte Campos denuncia - e ao denunciá-lo presta verdadeiro serviço público - a mim faz-me ranger os dentes. Gozem, gozem, quem ainda tem respeito pela comunidade e por si mesmo não acha que vale tudo. Esta edificante história deve caber na moldura penal (é assim que se diz?) de um crime qualquer; e deveria ser criminalmente tratada se se criasse um serviço para perseguir este tipo de crimes. Poderíamos chamar a esse novo serviço, sei lá - Procuradoria Geral da Républica.

Publicado Por José Meireles Graça em 26/5/11
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José Meireles Graça

Olhe, PPC, se quer mesmo que toda a gente se esqueça da bancarrota Sócrates, dou-lhe algumas dicas. Fale:


a) do apagão da Luz e do que se passa na arbitragem;

b) da diferença de alturas entre os membros do casal Sarkozy;

c) da regionalização, sem esquecer de referir que Pinto da Costa dava um óptimo Presidente da Região Norte.


Isto deve chegar para não se falar de mais nada até ao dia 5. Se o palavreado esmorecer, dê-me uma telefonadela: tenho mais 723 temas da actualidade.

Publicado Por José Meireles Graça em 26/5/11
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José Meireles Graça

Nobre Guedes fechava um Governo com Sócrates "em 24 horas".

 

E não fazia nada de mais: O Doutor Fausto fez um acordo em muito menos tempo.

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Publicado Por José Meireles Graça em 26/5/11
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Quarta-feira, 25 de Maio de 2011
José Meireles Graça

Passam-se coisas de uma gravidade extrema no nosso País: Há um sósia de Teixeira dos Santos que fez declarações prenhes de consequências em Nova Iorque; e alguém falsificou a assinatura do mesmo político neste despacho, cuja importância para o nosso futuro não se faz mister encarecer. Sucede que o ex-Ministro, de saudosa memória, se ausentou do número dos vivos aquando do anúncio de Sócrates da sua disponibilidade para colar os bocados do rectângulo que escaqueirou, conforme esta notícia. Aguardam-se desenvolvimentos.

Publicado Por José Meireles Graça em 25/5/11
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José Meireles Graça

Sócrates queixa-se que há uma campanha pessoal contra ele. Há mesmo: eu quero que o meu País se livre de Sócrates e do PS. Por esta ordem.

 

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Publicado Por José Meireles Graça em 25/5/11
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José Meireles Graça

O meu Paizinho, que Deus tenha, deixou um dinheirinho bom e umas casinhas. Por acordo com os manos, fiquei com uma das casas numa zona nobre - negócio justo e pacífico, segundo avaliação isenta não fui nem beneficiado nem prejudicado. Um dos meus manos, um unhas-de-fome que só vendo, guardou o pecúlio que lhe tocou num banco público, e vai fazendo umas aplicações conservadoras. O pecúlio dele tem crescido; o meu tem-se degradado, a renda que recebo mal dá para impostos e amortização do empréstimo para as obras que foi necessário fazer. Se vender o imóvel agora, o valor da venda deixa-me a anos-luz do mano forreta - não vejo isto com bons olhos, e o nosso Paizinho também não veria. Se este generoso catálogo de boas intenções for avante o Sr. Meireles Graça falecido dará um número considerável de voltas no túmulo. E o filho empobrecido - este Vosso criado - perguntará aos seus botões, e reencaminha-vos a pergunta: É assim que se dinamiza o mercado de arrendamento?


P.S.: A historiazinha é ficcional, o que recebi em herança foi um nome limpo - mas isso também não interessa nada.

Publicado Por José Meireles Graça em 25/5/11
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José Meireles Graça

Estou farto: Todos os dias saem sondagens que ora dão o PS empatado com o PSD, ora não; ora a diferença entre os dois é assim-assim ora, de repente, é de mais de 3 pontos; ora o PSD+CDS têm mais de 50% ora muito menos. Os jornalistas pôem a sondagem do dia sob o nariz do político em campanha, que, qualquer que seja o partido, diz que não liga a sondagens, se a em questão lhe for desfavorável; ou que não liga a sondagens, mas réu-que-ta-péu se a em questão lhe for favorável. De todas as vezes que li em diagonal a ficha técnica, a amostra era ridícula, o número de não respondentes gigantesco, o de indecisos enorme - mas tinham todos telefone fixo, valha-os Deus. Os especialistas dizem que tudo isto é muito científico, mas eu, protegido pela minha insondável ignorância, digo que esta ciência tem dias bons, maus, o contrário, e o contrário do contrário. Vão-se catar - todos.

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Publicado Por José Meireles Graça em 25/5/11
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Terça-feira, 24 de Maio de 2011
José Meireles Graça

Tava aqui a ver a SicNoticias e eis que Sócrates chega a um sítio qualquer para dizer coisas com grande convicção - o costume. Desta vez vem de Mercedes. Nada a opôr, mas que é feito dos carrinhos eléctricos?

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Publicado Por José Meireles Graça em 24/5/11
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José Meireles Graça

Tropecei agora num texto que me deu um grande desgosto. Fiquei a saber que o que me impele é a questão da nacionalidade, da etnia, da cor, da raça e da religião, visto concordar com os senhores que são impelidos pela questão da nacionalidade, da etnia, da cor, da raça e da religião. Tenho que ver se me emendo e deixo de ser impelido pela questão da etnia, da cor, da raça e da religião.

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Publicado Por José Meireles Graça em 24/5/11
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José Meireles Graça

À esquerda, vai um grande griteiro: Não pagamos!


Do nosso lado, que assinou o MoU pelo estado de necessidade em que uma governação demencialmente suicidária deixou o País, reina sobre a renegociação da dívida um grande silêncio. É natural: ainda quase nada foi feito para começar a dar baixa dos itens constantes do cardápio triunviral, por o volume e a natureza das mudanças necessárias requererem uma legitimidade democrática fresca; e sem ver claro qual o real impacto das mudanças, por um lado, e a determinação e competência técnica e política de quem as vier a aplicar, por outro, será cedo para pensar em renegociar, de um lado e outro do balcão.

 

Acredito que quando historiadores futuros estudarem o nosso tempo hão-de, para além do jogo de forças e multiplicidade de factores que nos trouxeram até aqui, guardar um lugarzinho para análise da estranha mesmerização que Sócrates exerceu sobre um número considerável de pessoas, nem todas compradas com os benefícios a crédito que um Estado Social insustentável lhes propinou, e nem todas beneficiárias do negocismo que o Estado investidor promoveu.

 

O momento é assim de suspensão. Os credores, quando for, real e não apenas prospectivamente, claro que o serviço da dívida é sufocante, estarão tanto mais receptivos a uma renegociação "macia" quanto mais rigoroso e consistente for o Governo. O CDS, que não é refém do Poder Local, do Autónomo, nem do factual (este último, se calhar, também devia ser grafado com maiúscula) será parte importante da solução; e aos responsáveis do PSD, se vierem a liderar, como é natural que aconteça, conviria um CDS com uma grande força. Não espero que o entendam; espero que o eleitor o entenda.

Publicado Por José Meireles Graça em 24/5/11
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Segunda-feira, 23 de Maio de 2011
José Meireles Graça

Diz-se p'raí que a Sócrates não se compraria um carro usado. Eu acho por vezes que, mesmo que o carro fosse novo, conviria verificar se vem com o pneu suplente, o manual de instruções e combustível no depósito que dê para chegar à bomba mais próxima. Exagero retórico meu, sem dúvida. Na verdade, estou pronto a dar-lhe o benefício da dúvida. A respeito disto, eu iria a pontos de fazer um contrato com o ainda PM: se ele estiver a dizer a verdade a gente pede-lhe desculpa; se estiver a mentir, paga os salários do bolso dele. Na segunda hipótese, os contratados iriam talvez aterrar num problema: o PS, e a Esquerda em geral, costumam limitar a generosidade ao desbaratar do que não lhes pertence.

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Publicado Por José Meireles Graça em 23/5/11
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Domingo, 22 de Maio de 2011
José Meireles Graça

Pinto de Sousa,  já nem a Esquerda te leva a sério.

 

Despudoradamente roubado daqui, título e imagem.

 

Temas: ,
Publicado Por José Meireles Graça em 22/5/11
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José Meireles Graça

Via Aventar, chego a uma história inverosímil: A Ministra Canavilhas assina um texto em que declara, preto no branco, que "... o actual Ministério da Cultura... Não é um organismo apartidário". O resto do texto abunda neste sentido, com uma notável franqueza e louvável ingenuidade. A Ministra basicamente acha que o que diz o cabeçalho dos impressos do seu Ministério - Republica Portuguesa - é uma espécie de testemunho saudosista de tempos idos. A Republica muda de tempos a tempos, e presentemente atingiu o estatuto definitivo de Republica do PS. Olhe, Senhora Ministra, eu não lhe digo o que realmente penso de si, do seu Ministério, das suas opiniões e do seu partido. Mas peço-lhe, em nome de um módico de sanidade, - vá tocar piano.  

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Publicado Por José Meireles Graça em 22/5/11
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