Este corte de entidades é tudo menos brutal. E é por isso que o corte só permite uma poupança de 100 milhões. São «trocos» tendo em conta a dimensão da nossa dívida e o aumento, esse sim brutal, dos impostos. Para termos uma noção da proporção entre os cortes na despesa e os aumentos de impostos, só a sobretaxa do IRS vai render 1025 ao Estado. Vale o mesmo por dizer que este corte, que os nossos governantes apelidam de "brutal", não chega sequer a 10% do valor da receita gerada por aquele aumento de impostos. Significa isto que a promessa de que dois terços da consolidação orçamental iriam ser feitos do lado da despesa é uma miragem.
Noutra perspectiva, este corte de despesa acentua ainda excessivamente o centralismo do Estado. Para o perceber basta atentar na lista de entidades a extinguir e verificar que o Governo, em termos proporcionais, corta em boa medida na administração desconcentrada, i.e., naquela que está sedeada fora de Lisboa.
O reverso da medalha é que, assim, para manter o gigantismo do nosso Estado, os contribuintes vão ter de suportar ainda mais impostos.
Parece cada vez mais sério o risco da Grécia não conseguir cumprir o seu serviço da dívida.
Só isso justifica que se fale em "reprofiling", um novo eufemismo para a reestruturação da dívida (um malogrado "evento de crédito" de consequências gravosas).
Se a Grécia cair nesta desgraça é possível que venha a ter de sair do Euro. E se isso acontecer quebra-se um mito (o da unidade e irreversibilidade do processo europeu). Nesse cenário é possível que Portugal siga o mesmo caminho. Podemos, por isso, estar perto do abismo.
Sair do Euro significa entregar Portugal definitivamente ao grupo dos pobres.
Por tudo isto Portugal precisa de um governo forte, tecnicamente preparado e muito coeso. E precisa que gente incorrigível, como muita da que ainda nos governa, seja definitivamente afastada.
Este é o momento. Por ti. Por todos. Por Portugal antes que seja tarde demais.
Talvez Francisco Louçã esteja convencido de que assim como a intervenção do FMI de 1983 produziu o PRD (que obteve mais de 1 milhão de votos), esta intervenção do FMI poderia poderia promover o Bloco de Esquerda à "primeira liga".
Contudo, como escrevi aqui, o que prevejo, e o que se prevê, é a derrocada eleitoral do Bloco.
O PRD de 2011 pode bem ser o CDS porque é este o partido da alternativa.
Já aqui disse que o plano da Troika implica medidas duras, ao contrário do que sugeriu o Primeiro Ministro.
Hoje, venho afirmar que o plano da Troike é uma oportunidade porque oferece a todos os portugueses o que nos faltava, um horizonte.
Até agora, vivíamos de PEC em PEC, sem sabermos para onde caminhavamos. A partir de agora, sabemos o caminho que temos de fazer, os esforços que são necessários, e podemos confiar que daqui a 3 anos teremos os fundamentais da economia mais saudáveis, capazes de pôr o país a crescer.
A questão que se coloca, para as próximas eleição, é em grande medida a de saber que está em melhores condições para o fazer.
A notícia recente de que PS e PSD estão a resistir à ideia da redução do número de municipios e das chefias na administração local , apesar da medida constar do plano da Troika que o governo negociou e o PSD aceitou, confirma que é essencial que o CDS tenha a maior influencia possível no próximo governo.
Num documento de 33 páginas (ainda não li o 2.º MoU) podem ler-se as medidas que permitirão a Portugal aceder a um empréstimo de €78 milhões.
Algumas dessas medidas são de aumento: do IMI, do imposto automóvel, do IVA sobre a electricidade (e outros produtos), do imposto sobre o tabaco.
Outras são de diminuição ou eliminação: das pensões (acima dos €1500), das deduções fiscais (na educação, na habitação e até na saúde), das prestações sociais (maxime do subsídio de desemprego), dos benefícios da ADSE.
Também existam medidas de congelamento: de salários na função pública e das pensões, até 2013.
Quer isto dizer que, como não podia deixar de ser, o plano da Troika implica ir "ao bolso" aos portugueses. Bem se percebe, portanto, a cara de Teixeira dos Santos enquanto assistia ao acto de pura propaganda de ontem à noite que dava a entender que as medidas não seriam gravosas.
As medidas são duras como, infelizmente, tinham de ser porque Portugal se endividou excessivamente para satisfazer, tantas vezes, meros caprichos.
Ao início da noite, José Sócrates apresentou ao país, com grande habilidade política, as medidas que não foram acordadas com a Troika.
Foi (mais) um acto de pura propaganda. Competia ao Primeiro Ministro ter apresentado não só o valor do empréstimo, mas também a taxa de juro a pagar e o plano a cumprir.
Mas na verdade, para além do valor do empréstimo que será concedido a Portugal (€78 mil milhões), pouco ou nada de relevante foi revelado pelo Primeiro Ministro relativamente ao conteúdo desse acordo.
Sócrates, como lhe convinha, deixou para outros mensageiros a revelação das "más notícias", ou seja, as medidas duras que vão ter de ser tomadas para corrigir, entre outras coisas, o desvario da governação dos últimos anos.
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