Rua Direita
Sábado, 4 de Junho de 2011
Francisco Mendes da Silva

 

"A vida corre inteira pela força das nossas mãos".

Publicado Por Francisco Mendes da Silva em 4/6/11
Link do Post | Comentar
Terça-feira, 31 de Maio de 2011
Publicado Por Francisco Mendes da Silva em 31/5/11
Link do Post | Comentar | Ver Comentários (1)
Terça-feira, 24 de Maio de 2011
Francisco Mendes da Silva

Publicado Por Francisco Mendes da Silva em 24/5/11
Link do Post | Comentar | Ver Comentários (2)
Domingo, 22 de Maio de 2011
Francisco Mendes da Silva

O estranho caso dos imigrantes figurantes e esta cedência tardia do PS aos outdoors (embrulhada numa desculpa esfarrapada com recurso à habitual técnica subtil do "disse mas não disse") significa o desespero. Sócrates está prestes a ser corrido e sabe disso.

Publicado Por Francisco Mendes da Silva em 22/5/11
Link do Post | Comentar
Francisco Mendes da Silva

A “distraída” pergunta de Passos Coelho só pode ter uma resposta “focada”...

 by Paulo Portas on Sunday, May 22, 2011 at 1:58am

 

Eu acho que o PSD e o CDS não deviam perder muito tempo com críticas mútuas. Era uma das boas razões para ter feito uma aliança pré-eleitoral.

 

Porém quando nos interpelam - ainda por cima com uma insinuação - o silêncio é assentimento.

 

Será um pouco bizarro que Pedro Passos Coelho gaste um dia de campanha com o CDS e não com o PS. Mas foi o que aconteceu. De modo que a contragosto lá tive de lhe lembrar:

 

a) a posição do CDS sobre governar com José Sócrates é coerente ontem, hoje e amanhã: não.

 

b) na legislatura que acabou a soma aritmética do PS e do CDS dava maioria (97 deputados + 21 deputados = 118 deputados). Houve alguma coligação entre PS e CDS? Não. Factos são factos.

 

c) o que aconteceu então nos últimos 2 anos? Um regime de bloco central informal. PS e PSD juntaram-se no PEC 1, PEC 2 e PEC 3; juntaram-se no aumento de impostos e no congelamento de pensões; juntaram-se no código contributivo e nos recibos verdes; nas leis penais; e na viabilização do TGV; e contra os genéricos e a unidose; e pelo corporativismo dos gestores públicos. A lista podia continuar...

 

d) há um mês foi o líder do PSD - não fui eu - que admitiu chamar o PS para um seu governo.

 

Sendo as coisas assim é uma pena que o PSD me obrigue a lembra-las.

 

Assunto encerrado. É inútil fazer perguntas cuja resposta se conhece. Todos os que queremos uma mudança em Portugal temos a obrigação de não deixar os nervos da campanha comprometer o essencial.

Temas: , ,
Publicado Por Francisco Mendes da Silva em 22/5/11
Link do Post | Comentar
Quarta-feira, 18 de Maio de 2011
Francisco Mendes da Silva

O PSD resolveu afinar as baterias para disparar contra o inimigo errado. O inimigo, pelos vistos, é Paulo Portas e o CDS quando, na minha inocência, eu julgava que era José Sócrates e o PS.

Verdade que as últimas sondagens podem perturbar a cabeça de alguns ‘notáveis’: como é possível que o ‘partido do táxi’ esteja a transformar-se num autocarro às custas dos passageiros social-democratas? Mas esta perturbação é duplamente errada.

Primeiro, porque mostra ao país uma intranquilidade que, longe de estancar a queda, apenas a agrava. E, depois, porque não se percebe como é possível atirar sobre o CDS e, ao mesmo tempo, prometer para 6 de Junho um tango entre Passos e Portas, caso o primeiro seja chamado para liderar o baile. O verdadeiro alvo desta campanha está à esquerda, não à direita. Se o PSD não perceber isto a tempo, vai começar a sangrar para os dois lados.

 

João Pereira Coutinho

Publicado Por Francisco Mendes da Silva em 18/5/11
Link do Post | Comentar
Segunda-feira, 16 de Maio de 2011
Francisco Mendes da Silva

As notícias da ausência de estratégia por parte do PSD são manifestamente exageradas. O PSD tem um estratégia, sim: durante a semana, defende-se dos ataques do PS; ao fim-de-semana, ataca o CDS. Pena é que não sobre tempo para atacar o PS.

Publicado Por Francisco Mendes da Silva em 16/5/11
Link do Post | Comentar
Sábado, 14 de Maio de 2011
Francisco Mendes da Silva

João, desde quando é que a palavra "manifesto" é de esquerda? Vai dizer isso ao Cameron ou à Thatcher, por exemplo. Aliás, repara bem na estrutura do manifesto da Thatcher e pergunta-te se ele não te lembra alguma coisa.

Publicado Por Francisco Mendes da Silva em 14/5/11
Link do Post | Comentar
Francisco Mendes da Silva

O Gabriel Silva discorda do estabelecimento de um limite constitucional ao endividamento do Estado, porque "a CRP não deve ser nem um programa, nem um espartilho, e sim o mais aberta e flexível possível para a cada momento respeitar a decisão do povo. Se querem por limites coloquem-nos no lugar certo: ao poder do estado sobre o cidadão".

 

O meu princípio de partida é exactamente o do Gabriel mas, precisamente por causa desse princípio, já estive bem mais longe de me deixar convencer da posição contrária. O meu modelo de constituição é o modelo clássico. Dela devem constar apenas duas matérias: organização do poder político e definição do perímetro de soberania interna e externa do Estado; e direitos e garantias dos indivíduos contra o Estado.

 

Ora, a concretização de uma constituição com esta natureza estrita pode variar consoante os tempos e as suas necessidades (eu posso defender o espírito da Magna Carta mas obviamente que o conteúdo literal vale para 1215 e não para 2011).

 

A verdade é que, conforme nos temos vindo a aperceber da forma mais dura, o endividamento de um país tem efeitos concretos e desastrosos em todas aquelas dimensões:

 

1. O endividamento excessivo acaba por implicar perda de soberania (que passa do Estado para os outros Estados, para as instituições internacionais e para os credores);

 

2. O endividamento excessivo acaba por implicar a diminuição dos direitos e das garantias dos indivíduos (porque conduz sempre a mais impostos, a mais regulação da vida das pessoas e das empresas, a mais investidas estatais sobre a propriedade, a privacidade e demais liberdades);

 

3. O endividamento excessivo acaba por implicar uma crise do sistema político - e, portanto, da própria constituição (porque leva a uma crise financeira e económica que é o alfobre perfeito para a crítica da democracia e do parlamentarismo. Bem o vemos em Portugal, com este espírito caudilhista que tem vindo a crescer na boca dos que defendem uma liderança musculada (e inconstitucional) do Presidente da República.

 

É para defender os valores que eu e o Gabriel temos por "sagrados" que a medida talvez faça mesmo sentido.

Publicado Por Francisco Mendes da Silva em 14/5/11
Link do Post | Comentar | Ver Comentários (1)
Francisco Mendes da Silva

Quando Paulo Portas se demitiu em 2005, um dos resultados das eleições que no seu discurso da noite do sufrágio apontou como uma desilusão foi o facto de a votação no CDS ter sido inferior à que, juntos, obtiveram a CDU e o Bloco. Por mais pragmático ou prudente que seja na sua acção política, o CDS tem na sociedade portuguesa uma função ideológica de oposição ao socialismo em que é insubstituível. Independentemente da votação e do lugar relativo que ocupe nas preferências dos eleitores, não lhe deve ser indiferente que a direita parlamentar - aquela que, de facto, se assume como direita - fique abaixo ou acima da frente de extrema-esquerda anti-sistema. É também por isso que as perspectivas que aparentemente se abrem são positivas. O CDS pode obter mais votos que o PCP, o BE e o PEV juntos - e assim recuperar para a vida política portuguesa um nível mais satisfatório de salubridade democrática.

 

Publicado Por Francisco Mendes da Silva em 14/5/11
Link do Post | Comentar
Quarta-feira, 11 de Maio de 2011
Publicado Por Francisco Mendes da Silva em 11/5/11
Link do Post | Comentar | Ver Comentários (2)
Publicado Por Francisco Mendes da Silva em 11/5/11
Link do Post | Comentar | Ver Comentários (1)
Terça-feira, 10 de Maio de 2011
Francisco Mendes da Silva

O Rui Castro já disse quase tudo o que há a dizer sobre a léria dos abrantes a que até o grande maradona aderiu - tal é o seu ódio a Paulo Portas. Mas a coisa merece outro comentário. Sócrates, naquela sua maneira provinciana de quem está sempre a justificar-se com o que se faz "lá fora", acha que são muito bons os exemplos de que falou, quando referiu outros países onde a dívida pública disparou. Dos quatro que superaram Portugal nesse aspecto (Irlanda, Grécia, Reino Unido e Letónia) - o Rui já o sublinhou -, dois foram intervencionados (Irlanda e Grécia). Quanto aos restantes, desconheço o caso da Letónia mas gostaria de lembrar que, até há um ano atrás, o Reino Unido teve à frente um louco que saiu do mesmo manicómio de onde saiu Sócrates. E só não será resgatado porque, entre outras razões, não faz parte da Zona Euro e está agora, com o novo governo, a implementar um plano duríssimo de austeridade por iniciativa própria (sem ser imposto de fora). Até 2010, o Reino Unido não foi exemplo para ninguém. Não nos esqueçamos o quanto Gordon Brown foi saudado pelos Sócrates desta vida como o génio que descobriu a forma de sairmos da crise. E qual foi esse caminho desbravado por Brown? Dívida sobre dívida sobre dívida.

Publicado Por Francisco Mendes da Silva em 10/5/11
Link do Post | Comentar | Ver Comentários (1)
Francisco Mendes da Silva

Pedro Correia, no Albergue Espanhol:

 

Pela primeira vez, que eu me lembre, José Sócrates perdeu um debate eleitoral. Foi esta noite, nos estúdios da TVI, perante um Paulo Portas em boa forma que lhe disse o essencial, olhos nos olhos: este primeiro-ministro "vive na estratosfera". Vive num país só dele, que nega a realidade quotidiana dos portugueses: a dívida pública duplicou em seis anos, há hoje quase 700 mil pessoas sem emprego, o "estado social" tornou-se uma figura de retórica, Portugal viu-se forçado a estender a mão à caridade internacional.

Incapaz de reconhecer um erro, dando continuamente o dito por não dito, sublinhando mais de uma vez que o Governo"deu o seu melhor", Sócrates começou o debate com o ar mais cordato deste mundo: "abertura" e "diálogo" foram as primeiras palavras-chaves do seu discurso. "Portugal precisa de um governo forte", declarou o líder socialista. Nem parecia o mesmo que foi incapaz de esboçar uma coligação pós-eleitoral quando venceu as legislativas de 2009 muito longe da confortável maioria absoluta de que dispôs nos quatro anos anteriores.

Sócrates nunca até hoje tinha ouvido em directo, na televisão, algumas das frases com que Portas o brindou neste frente-a-frente bem moderado por Judite Sousa. Frases que revelam uma realidade elementar: o líder socialista, chefe do Governo desde Março de 2005, "é o político responsável pelo estado a que chegámos". Mais: "Este primeiro-ministro vai perder as eleições porque as pessoas vão votar com os bolsos quase vazios."

Sócrates não tardou a perder o ar de bonomia: a natureza de "animal feroz" acaba sempre por vir à superfície neste homem incapaz de estabelecer pontes com adversários. E com isto estragou irremediavelmente a imagem de indivíduo dialogante que levara para este debate. Apertado por Portas, não resistiu a um número de fácil demagogia televisiva: exibiu uma pasta vazia dizendo que aquele era o programa eleitoral do CDS, que "ainda não existe". Com isto irritou o líder democrata-cristão e marcou certamente alguns pontos junto dos telespectadores. Mas também confirmou que não está minimamente vocacionado para o diálogo político. Sendo aliás ele o campeão dos programas eleitorais por cumprir, esta deveria ser a última das suas opções argumentativas. Lembram-se ainda daquele socialista que prometia criar 150 mil empregos, inaugurar as linhas ferroviárias de alta velocidade e pôr Portugal a crescer 3% ao ano?

Publicado Por Francisco Mendes da Silva em 10/5/11
Link do Post | Comentar
Segunda-feira, 9 de Maio de 2011
Francisco Mendes da Silva

 

É muito triste, para todos os que anseiam por uma derrota de Sócrates e do PS, ver o PSD - que se assume como o principal challenger do poder - desistir de ser a locomotiva do movimento de mudança e dedicar a sua estratégia e o seu tempo a tentar empurrar para baixo o partido que vai em terceiro na corrida e que com ele partilha os objectivos da mesma. Temo que, com tanta preocupação com o CDS, ainda deixe fugir o PS, para nunca mais o apanhar.

Publicado Por Francisco Mendes da Silva em 9/5/11
Link do Post | Comentar
Francisco Mendes da Silva

(José Sócrates não deixa nem deixará a ladainha da culpa da crise internacional. Republico aqui, adaptado, como comentário ao debate de hoje, um post que há um mês publiquei no 31 da Armada).

 

Bernard Maddoff e José Sócrates são as duas maiores "vítimas da crise" dos mercados financeiros. 

 

O primeiro construiu um esquema em que os "rendimentos" estratosféricos dos seus investidores provinham directamente do capital investido por novos clientes. Conforme o próprio Maddoff reconheceu, tudo não passava de uma grande ilusão que nunca sobreviveria a um abrandamento dos mercados financeiros, quando diminuissem as entradas de dinheiro que mantinham o engodo. Uma vez chegada a crise, foi o fim da festa.

 

O segundo construiu um esquema em que a contracção de mais e mais dívida lhe permitiria vender mundos maravilhosos aos incautos. Sócrates nunca o reconheceu, mas tudo não passava de uma grande ilusão que nunca sobreviveria a um abrandamento dos mercados financeiros, quando os investidores se retraíssem e o Estado português, com a dívida que acumulara, só conseguisse obter financiamento para cumprir as obrigações dessa mesma dívida a taxas de juro proibitivas. Uma vez chegada a crise, foi o fim da festa.

 

São muitas as diferenças entre Sócrates e Maddoff - quase todas, certamente, em desfavor do grande trafulha americano. Mas há, também, uma equivalência fundamental e uma diferença em desfavor do louco que nos governa. A equvalência é a de que ambos impuseram a terceiros, com consequências catastróficas, uma mentira cuja dependência de um destino certo e trágico não tinham como ignorar. A diferença é a de que apenas Maddoff não enxota as culpas que lhe cabem.

Publicado Por Francisco Mendes da Silva em 9/5/11
Link do Post | Comentar
Domingo, 8 de Maio de 2011
Francisco Mendes da Silva

O programa do PSD tem um capítulo dedicado à reforma do sistema político, do qual fazem parte, entre outras, as seguintes propostas:

 

1. A redução do número de deputados, de 230 para 181. Já disse aqui o que penso da ideia. É uma tentativa de golpe pelo partido que provavelmente mais tem feito por encher o Parlamento de caciques mudos e incompetentes. Até percebo Passos: o homem olha para a sua bancada como aquela pessoa que olha para a própria casa e se pergunta como foi possível acumular uma colecção tal de bibelots imprestáveis.

 

 

2. "A introdução de mecanismos de personalização das escolhas pela via do voto preferencial opcional". Estamos a falar, julgo, do sistema do alternative vote tal como na última Quinta-feira foi a referendo no Reino Unido (também conhecido por instant runoff na Austrália, por exemplo). É um academismo que seguramente foi vendido à direcção do PSD por alguma dessas estrelas da "ciência política" ou da "politologia" que a circundam, entediada com a vida inconsequente nos gabinetes da Universidade. A verdade é que se trata de um sistema que só é utilizado para eleger membros de assembleias legislativas nacionais em três países do mundo: Austrália, Fiji e Papua Nova Guiné. No Reino Unido - onde foi referendada por proposta dos Democratas Liberais, aceite pelos Conservadores como contrapartida da inclusão daqueles na coligação de governo -, foi derrotado inapelavelmente (praticamente 70% disseram que não o queriam). As desvantagens estão resumidas aqui e aqui.

 

Seja como for, o PSD embrulha a coisa na ideia habitual: aproximar os eleitos dos eleitores. Juro que nunca percebi por que raio o afastamento é culpa do sistema. Isso de culpar o sistema - a superestrutura - é uma mania marxista que só serve para desresponsabilizar e desculpar os indivíduos. O que é que, no modelo actual, impede um deputado de prestar contas aos seus eleitores e estes de lhas pedirem? Por exemplo, no distrito onde sou eleitor (Viseu), o que é que impediu o cabeça-de-lista do PSD, o Dr. José Luis Arnaut, de ser reconhecido pelos eleitores? Desde logo, foi a distância: devem contar-se pelos dedos das mãos as vezes que o Dr. Arnaut, nos oito anos em que foi deputado por Viseu, foi ao distrito em trabalho político, escutar os eleitores. E depois, claro, foi também o desinteresse dos eleitores, que nunca questionaram ou se indignaram com a ausência do seu mal-agradecido deputado.

Temas: ,
Publicado Por Francisco Mendes da Silva em 8/5/11
Link do Post | Comentar | Ver Comentários (1)
Francisco Mendes da Silva

Ouvir Francisco Louçã dizer que quer os votos de quem já votou CDS é como se eu dissesse que queria ser Xá da Pérsia. É de um atrevimento inaudito. 

Publicado Por Francisco Mendes da Silva em 8/5/11
Link do Post | Comentar
Sábado, 7 de Maio de 2011
Francisco Mendes da Silva

Pelos vistos, o PSD já desistiu de disputar as eleições ao centro, contra o PS, e partiu para a tentativa de conquista dos votos do CDS, aos quais acha que tem um direito divino. 

 

Percebe-se isso de duas notícias deste fim-de-semana.

 

1. Em primeiro lugar, a notícia da indisponibilidade de Passos Coelho para governar com o PS, publicamente declarada pelo próprio. O que Passos quer, obviamente, é forçar a ideia de que a única solução de governo, caso o PS vença as eleições, é uma coligação de Sócrates com o CDS. Havendo essa possibilidade, ainda que remota ou meramente virtual, os jornalistas - acha Passos - começarão a insistir com Paulo Portas para definir uma posição quanto ao assunto, até que se instale na campanha eleitoral a narrativa propícia. Se essa narrativa for "Portas fará arranjinho com Sócrates", Passos espera que muitos dos votos do CDS passem para o PSD.

 

Mas claro que esta posição de Passos Coelho pode muito bem ser um foguete que lhe estoire nas mãos, porque a situação não está para infantilidades e os portugueses (e os media) não estão para aturar irredutibilidades deste tipo. De momento, a única posição prudente e sensata é não projectar cenários, porque, como em nenhuma outra eleição, a formação do governo, da maioria que o apoiará e a forma como esse apoio será construído resultarão da vontade popular manifestada nas urnas. Passos mostra falta de humildade democrática e de espírito de liderança. Como bem sintetizou o Pedro Marques Lopes (um desiludido do passismo), "um líder nunca, mas nunca mesmo, comenta eventuais cenários futuros".

 

2. Em segundo lugar, e por falar em falta de humildade democrática, vejamos as declarações de Miguel Veiga ao Expresso de hoje, sobre Paulo Portas: "ouvi-lo dizer que quer ser primeiro-ministro é como se eu dissesse que queria ser Xá da Pérsia"; é "de um atrevimento inaudito"; é "pôr-se em bicos de pés"; são declarações "censuráveis e devem ser castigadas na praça pública". 

 

Como assim? Desde quando é que, em eleições legislativas democráticas, algum partido tem maior legitimidade do que qualquer outro para achar, antes do acto eleitoral, que poderá vir a indicar um primeiro-ministro? É preciso que o CDS e os seus apoiantes denunciem esta posição como inconcebível, até porque ela não é apenas a posição de um militante. Vê-se pelo conteúdo da notícia (Miguel Veiga não falou à margem de nenhum evento, mas directa e propositadamente sobre o assunto "Portas a PM") que a direcção do PSD "plantou" as declarações (e o Expresso, porque elas têm relevância pública, aceitou - e bem - publicá-las), através de um excêntrico militante "histórico" do Porto (apesar de 90% dos militantes do PSD não fazerem a mínima ideia de quem seja esse seu patusco companheiro e já ninguém se lembrar do que é que Veiga fez para entrar para a história do partido - se é que fez alguma coisa).

 

Quando se diz que o CDS não é - e não deve ser - um partido "subalterno", convém lembrar que essa subalternidade não é só institucional, programática e estratégica. Por vezes, em alguns militantes e simpatizantes do CDS, permanece uma certa subalternidade emocional, como se o PSD fosse um irmão mais velho a que só queremos bem. Pois em mim essa dependência não existe. Por muito que eu prefira que o PSD vença estas eleições, a fim de enxotarmos o PS, há uma coisa que me apazigua os dias: saber que, se o contrário acontecer, terei ainda assim, como motivo de festejo, a derrota desta gente, a quem sobra em soberba o que falta em competência. 

Publicado Por Francisco Mendes da Silva em 7/5/11
Link do Post | Comentar | Ver Comentários (2)
Francisco Mendes da Silva

Se bem percebi o espírito com que Paulo Portas encarou o debate de ontem, este terá servido para reforçar a ideia de que o CDS é um partido no qual se pode confiar a governação - esforço esse que, num país politicamente tão preconceituoso, não deve ser negligenciado. O pano de fundo era o ideal para sublinhar o contraste e Paulo Portas aproveitou muitíssimo bem a oportunidade. Jerónimo de Sousa apareceu como o rosto de um partido que é o cúmulo da insensatez política e da esclerose ideológica, enquanto Portas surgiu, por comparação, como um assomo raro de ponderação, magnanimidade, abrangência e liderança. Jerónimo falou das mesmas ideias abstractas de sempre (confundindo coerência com casmurrice); Portas, menos ambicioso, limitou-se a falar dos problemas que afectam Portugal e a vida concreta das pessoas.

 

Julgo que não tem sido suficientemente registada e apreciada a mudança que se tem vindo a fazer no CDS, que é hoje visto como um partido aberto, moderado e concentrado nas soluções para os problemas do país, e não apenas remetido à discussão em círculo fechado de questões identitárias ou puramente etéreas. Mas mais: o CDS percorreu esse caminho de pragmatismo sem abandonar os seus valores e, bem pelo contrário, o que isso significou foi, isso sim, a verdadeira afirmação desses valores. Se fizermos uma resenha rápida das principais posições do CDS, vemos que há um fio condutor claro: são posições de defesa das liberdades e do governo limitado, da prudência orçamental, da moderação fiscal, da segurança de pessoas e bens, do papel do Estado na protecção dos que menos possibilidades têm de exercer a sua liberdade (os pensionistas mais pobres, por exemplo) e do institucionalismo democrático. Em resumo, o CDS é o porto seguro para todos os que, partindo seja de que ideário for, se unem na convicção de que a política do progresso é a que promove o exercício responsável da liberdade dos indivíduos, das famílias e das empresas. E é isso que o faz ter este poder de atracção - de eleitores e militantes - que deixa tanta gente perplexa. 

 

Quem achar difícil explicar o crescimento do CDS, que perceba primeiro que, de todos os partidos, só o CDS cumpre os mínimos da maturidade democrática: é pragmático mas não inconstante, convicto mas não intolerante, doutrinário mas não dogmático. 

Publicado Por Francisco Mendes da Silva em 7/5/11
Link do Post | Comentar | Ver Comentários (3)
Sexta-feira, 6 de Maio de 2011
Francisco Mendes da Silva

Regulated professions
5.31. Eliminate restrictions to the use of commercial communication (advertising) in regulated professions, as required by the Services Directive [Q3-2011].
5.32. Review and reduce the number of regulated professions and in particular eliminate reserves of activities on regulated professions that are no longer justified. Adopt the law for professions not regulated by Parliament [Q3-2011] and present to Parliament the law for those regulated by Parliament [Q3-2011] to be approved by [Q1-2012].
5.33. Adopt measures to liberalize the access and exercise of regulated professions by professionals qualified and established in the European Union. Adopt the law for professions not regulated by Parliament [Q3-2011] and present to Parliament the law for those regulated by Parliament [Q3-2011] to be approved by [Q1-2012].
5.34. Further improve the functioning of the regulated professions sector (such as accountants, lawyers, notaries) by carrying out a comprehensive review of requirements affecting the exercise of activity and eliminate those not justified or proportional. [Q4-2011]

Temas:
Publicado Por Francisco Mendes da Silva em 6/5/11
Link do Post | Comentar
Quinta-feira, 5 de Maio de 2011
Francisco Mendes da Silva

Hoje é dia de referendo ao secular sistema de voto do Reino Unido. Ou se mantém o modelo First Past the Post, ou se muda para o Voto Alternativo (AV). Nenhum dos sistemas faz propriamente parte da tradição política portuguesa, mas a reforma do sistema político é uma conversa perene em Portugal e, portanto, vale a pena estar atento à discussão e aos resultados.

 

David Cameron enviou hoje um e-mail aos seus apoiantes, onde faz o sumário dos perigos da mudança.

 

One - AV is complex. First Past the Post is so simple you can sum it up in seven words: the person with the most votes wins. AV is so confusing that when I was recently interviewed on the BBC, it became clear that one of their most experienced broadcasters didn't understand how it worked.


Two - AV is unfair. With First Past the Post, everyone gets one vote, and that vote is counted once. That's fair. But under AV, supporters of extremist or fringe parties can get their votes counted again and again and again. That's unfair. It's simply not right that the fifth vote of a Monster Raving Looney supporter counts as much as your first vote.


Three - AV takes power away from people and gives it to politicians. The great thing about our current system is that it always lets you kick dead-duck governments out on their ear. Remember 1979? Remember last year? Under AV, that sort of people power would be much less likely. It would mean more grey areas in election results, and more opportunities for tired politicians to cling on to power long after their time. Just think - if we'd had AV last year, Gordon Brown could still be in Downing Street today.


Four - AV is costly. Money is tight at the moment, so why get rid of a system that is cheap to administer for one that will inevitably cost more and bring loads more bureaucracy? I know, you know, that our money could be better spent on other things.


Five - AV is unpopular. First Past the Post is used by half the planet, from the world's biggest democracy - India - to the world's most powerful democracy - America. AV is used in just three countries: Australia, Fiji and Papua New Guinea. And in Australia, they want to get rid of it.

 

Let the final word go to our greatest ever Prime Minister, Winston Churchill. He described AV as "the stupidest, the least scientific and the most unreal" voting system. He said it would mean elections are "determined by the most worthless votes given for the most worthless candidates". He's right.

Publicado Por Francisco Mendes da Silva em 5/5/11
Link do Post | Comentar | Ver Comentários (2)
Francisco Mendes da Silva

Ainda agora, no "5 para a Meia-Noite", Passos Coelho voltou à carga com a lenga-lenga da redução de deputados. Quer-nos convencer de que, havendo uma redução proporcional, nenhum partido sai prejudicado. Não é verdade. A redução dos deputados implica um entorpecimento da capacidade política dos partidos com grupos parlamentares mais pequenos - de intervenção, de negociação, de trabalho quotidiano - que é incomparável com o efeito que se sentiria nos dois partidos da alternância. Não é a mesma coisa reduzir um grupo de 20 deputados para 10 do que um grupo de 100 para 50. Para além de que, concretamente, a redução beneficiaria injustamente os partidos onde o rácio quantidade/qualidade é mais vergonhoso (PS e PSD). 

 

Percebo a atracção de Passos por esta panaceia: seria um antídoto administrativo para o crescimento do CDS e resolvia-lhe em grande medida o problema da canga de dependentes com que se vê obrigado a ornamentar a bancada (imagino a paciência necessária para aturar um friso daqueles).

 

O CDS, de cuja força muito poderá depender a formação do Governo, deve avisar desde já o quanto deplora e se oporá a estas eventuais tentativas de golpes canalhas.

Publicado Por Francisco Mendes da Silva em 5/5/11
Link do Post | Comentar | Ver Comentários (3)
Francisco Mendes da Silva

A privatização mais urgente é a do PS. Já não se sabe onde acaba o partido e começa o Estado.

Publicado Por Francisco Mendes da Silva em 5/5/11
Link do Post | Comentar | Ver Comentários (2)
Francisco Mendes da Silva

Mesmo que o plano da Troika fosse ipsis verbis o PEC IV, ainda assim subsistiria uma diferença tão fundamental que um mundo inteiro se erigiria entre ambos: só o primeiro tem como contrapartida uma ajuda financeira externa - que, com o PEC IV, o Governo esperava criminosamente protelar para lá das eleições. O plano da Troika serve para assegurar a sobrevivência de Portugal; o PEC IV servia para ensaiar uma tentativa de sobrevivência de José Sócrates. 

Publicado Por Francisco Mendes da Silva em 5/5/11
Link do Post | Comentar
Quarta-feira, 4 de Maio de 2011
Publicado Por Francisco Mendes da Silva em 4/5/11
Link do Post | Comentar
Francisco Mendes da Silva

O que interessa à troika é assegurar que Portugal tenha condições para devolver, com juros, aquilo que lhe for emprestado. Nada mais. Pelo que já se vê e ouve, quase tudo o que tem a ver com o saneamento estrutural e com o peso do Estado é referido em termos genéricos e proclamatórios. De verdadeiramente concreto, vislumbramos apenas a continuação do saque - e deve ser por isso que Sócrates está tão contente. 

 

Se alguém nos partidos da direita achava que a contrapartida da ajuda externa seria uma reforma profunda do Estado português, sabe agora que ninguém fará por nós aquilo que é a nossa obrigação fazer. Em nada o CDS e o PSD ficam desonerados da sua missão de desmantelarem o socialismo que nos trouxe ao atoleiro. Os manifestos eleitorais que tenham isto em conta.

Publicado Por Francisco Mendes da Silva em 4/5/11
Link do Post | Comentar | Ver Comentários (2)
Publicado Por Francisco Mendes da Silva em 4/5/11
Link do Post | Comentar | Ver Comentários (2)
Terça-feira, 3 de Maio de 2011
Francisco Mendes da Silva

O Carlos Martins cita Churchill a propósito da sua defesa (do Carlos) do sistema de "voto alternativo" - que vai esta semana a referendo no Reino Unido. Diz que a citação é um "lugar comum" mas o que ela é, em boa verdade, é um paradoxo. Com um sistema de voto alternativo, Churchill nunca teria sido eleito deputado e feito a carreira política que conhecemos.

 

São muitas as desvantagens de tal sistema, não sendo sequer a complexidade a maior de todas. Com ele, pode acontecer (e acontece muitas vezes) que o político eleito não é o que por mais pessoas foi escolhido como o melhor. Se isso não é uma facada na democracia, não sei o que seja. Mas a coisa é bem pior do que isso. Para um candidato vencer umas eleições segundo o sistema do voto alternativo, tem de assegurar que recolhe o maior número de "segundas preferências". Tem, no fundo, de ser aquele candidato que não chateia nem choca ninguém, de modo a ser o segundo preferido de toda a gente. Como muito bem se defende neste editorial da Spectator, o sistema do voto alternativo é um alfobre para a brandura e para a homogeneidade - para políticos banais e desinteressantes. É o seguro de vida dos que se conformam, que se deixam liderar e amestrar pelo politicamente correcto e pelos preconceitos circunstancialmente vigentes. O voto alternativo impede a inteligência, a novidade e o reformismo, e mantém à distância os políticos de confronto, convicção e rasgo. Em Inglaterra, em vez de Chuchills, Thatchers, Tony Benns, Ken Livingstones ou Boris Jonhsons, teríamos um Parlamento de Nick Cleggs. Por cá, na vida política - que já é uma sensaboria - seriam só Tozés Seguros. Uma tragédia. 

 

O sistema do voto alternativo pode parecer bom para o CDS, como partido que se intromete entre os dois semelhantes cujas bases de apoio se odeiam. Mas convém que não se deixe encantar por essa sereia, que nada de favorável tem a oferecer a partidos descomplexados e que gostam de agitar a mansidão instalada.

Publicado Por Francisco Mendes da Silva em 3/5/11
Link do Post | Comentar | Ver Comentários (2)
Francisco Mendes da Silva

Paulo Portas declarar-se como candidato a primeiro-ministro é mais do que uma "gesto natural". É, como dizia Nélson Rodrigues, "o óbvio ululante".

 

O CDS é um dos partidos fundadores da democracia portuguesa, com presença ininterrupta no Parlamento e experiência de governo. É um partido que, entre os que nele se revêem e participam - militantes ou não -, conta com muitas das pessoas que mais se destacam na vida pública portuguesa. Mas mais do que um corpo de quadros reconhecível e reconhecido, o CDS simboliza e promove um corpo ideológico e doutrinário próprio e distinto dos demais partidos portugueses. Não se trata sequer de uma proposta política inaudita, radical ou exótica: o CDS, como casa das três grandes tradições da direita democrática (o conservadorismo, o liberalismo e a democracia-cristã), é o único verdadeiro congénere português dos principais partidos da direita europeia (os conservadores ingleses, o Partido Popular espanhol, a CDU alemã, a direita francesa - nas suas diferentes e sucessivas formas institucionais -, etc.). O CDS chega a estas eleições com uma legislatura em que pôde apresentar uma folha de serviço invejável, tendo sido um exemplo de confiança, competência, abertura à sociedade, renovação de quadros e, nesta última fase de negociação da ajuda financeira externa, de prudência e sentido de Estado. De tal forma assim é que, pela primeira vez em cerca de três décadas, poucos são os que não acham que o CDS fará parte de uma coligação governamental (e que o melhor mesmo é que assim seja). Aliás, a crise financeira a que teremos de dar solução resulta, precisamente, de muito do que o CDS historicamente combateu, tantas vezes sozinho: um Estado obeso, colonizado pelo PS e pelo PSD, dependente das promessas feitas aos e pelos seus caciques, desconfortável com a liberdade dos indivíduos, das famílias e das empresas, sôfrego e imprudente com dinheiro de que os priva.

 

Pela sua natureza, história e mérito, o CDS não pode deixar de se afirmar como um partido cuja vocação é a governação do país. Desconheço uma razão para que o seu líder não se ache o melhor líder político para Portugal. A não ser o receio de que essa posição seja desconcertante para os portugueses. Nós, os portugueses, detestamos que nos incomodem no concerto dos nossos preconceitos e na nossa incapacidade patológica de ver o óbvio ululante.   

Temas:
Publicado Por Francisco Mendes da Silva em 3/5/11
Link do Post | Comentar

Autores
Contacto
ruadireitablog [at] gmail.com
Subscrever Feeds
Redes Sociais
Siga o  Rua Direita no Twitter Twitter

Temas

'tiques socráticos'(6)

acordo(10)

administração pública(8)

ajuda externa(21)

alternativa(7)

bancarrota(13)

be(7)

bloco(11)

bloco central(5)

campanha(50)

cds(102)

cds-pp(12)

cds; psd(6)

comunicação(7)

constituição(6)

day after(8)

debate(12)

debates(52)

defice(8)

democracia(10)

desemprego(10)

desgoverno(11)

despesa pública(9)

dívida pública(11)

economia(20)

educação(19)

eleições(26)

esquerda(6)

estado social(23)

fiscalidade(14)

fmi(46)

futuro de portugal(17)

governar portugal(6)

governo(9)

humor(9)

josé sócrates(36)

legislativas 2011(6)

ler os outros(21)

maioria absoluta(26)

manifesto(32)

memorandum(38)

novas oportunidades(14)

passos coelho(13)

paulo portas(10)

política(15)

portugal(26)

programa de governo(7)

ps(108)

psd(73)

sair da crise(22)

saúde(6)

socialismo(19)

sócrates(63)

socrates(11)

sondagens(12)

troika(31)

tsu(7)

valores(6)

voto(9)

voto útil(32)

todas as tags

Últimos Links
Twingly Blog Search link:http://ruadireita.blogs.sapo.pt/ sort:publishedÚltimos Links para o Rua Direita
Pesquisar Neste Blog
 
Arquivos

Novembro 2011

Junho 2011

Maio 2011

blogs SAPO