Rua Direita
Domingo, 5 de Junho de 2011
Margarida Bentes Penedo

Josezito já te tenho dito

Que não é bonito

Andares-me a enganar;

 

Chora agora Josezito, chora

Que te vais embora

P'ra não mais voltar! 

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Publicado Por Margarida Bentes Penedo em 5/6/11
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Quinta-feira, 2 de Junho de 2011
Margarida Bentes Penedo

Juan Carlos é melhor que Cavaco. Zapatero é melhor que Sócrates. PP é melhor que PSD. Almodóvar é melhor que... enfim.

 

E em matéria de pepinos sabem pôr os alemães na ordem.

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Publicado Por Margarida Bentes Penedo em 2/6/11
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Margarida Bentes Penedo

Os centros históricos das cidades portuguesas têm vindo a morrer.

 

Sucessivos governos, tanto centrais como locais, não conseguiram resistir a duas tentações perigosas. A primeira foi a da promiscuidade com os grandes promotores imobiliários. A segunda foi "deixar obra". Uma e outra conduziram ao desvio de massa construída para os subúrbios das cidades, onde havia espaço. Não só havia espaço como este era relativamente barato. Compravam-se terrenos agrícolas, faziam-se uns truques com os Planos Directores Municipais, alteravam-se as manchas de ocupação, convertia-se aquilo em zona urbana e estava encomendado mais um conjunto de fogos. O objectivo de fazer política social de habitação à custa da banca arruinou o mercado de arrendamento e elevou a aquisição de casa própria a níveis delirantes. Hoje ninguém consegue pagar as prestações e olhamos para um país repleto de trambolhos devolutos.

 

Enquanto isto acontecia, os centros históricos ficaram quase exclusivamente entregues à iniciativa de particulares. Aí o Estado actuou de outra maneira. Criou gabinetes técnicos (muitas vezes empresas municipais, as famosas Sociedades de Reabilitação Urbana) destinados à defesa (contra quê?) das chamadas "zonas sensíveis". Inventou toda a espécie de entraves ao licenciamento urbanístico. Acrescentou a complexidade da regulamentação, a morosidade das respostas, os valores absurdos das taxas e impostos e o último recurso dos incompetentes: meter o nariz em tudo e colocar as decisões ao nível do "gosto" (isto assim fica um bocadinho desenquadrado, ficava mais bonito se as mansardas fossem em telha, porque é que não se tira este revestimento e se põe antes um que seja mais a condizer com a "traça antiga", etc.). Este "gosto" foi debatido de um lado da mesa por arquitectos municipais que nunca exerceram a profissão, e do outro lado por artistas saídos em tabuleiros das dezenas de faculdades de arquitectura que, com a escassez de trabalho e deficiência de formação, estavam desejosos de "deixar marca". Assim nasceram uma série de híbridos negociados de forma a garantir que o resultado final era caríssimo, ia contra a vontade de todos e tinha o parecer favorável das entidades competentes. Quem se meteu nisso uma vez, raramente repetiu. Na impossibilidade de rentabilizar o seu património, muitas vezes envolvido em processos complicados de natureza cadastral, as pessoas foram desistindo. E o interesse público que o Estado devia defender transformou-se em desinteresse generalizado.

 

Este processo não se inverte com propostas pueris.

 

Importa que o Estado comece por reabilitar os seu imóveis devolutos (em Lisboa, por exemplo, é o maior proprietário). E para se dar ao respeito, tem que reabilitar estes imóveis no mais absoluto cumprimento da legislação que obriga os particulares a cumprir. Importa que o Estado cumpra também os prazos legalmente estipulados para resposta aos pedidos de licenciamento. Que torne claros, públicos e razoáveis os valores que cobra pelas operações urbanísticas. Que reforme a legislação que regula a reabilitação de edifícios, designadamente a das acessibilidades e a do comportamento térmico, de modo a garantir que a mesma seja inteligível, aplicável e sensata. E que valide as opções conjuntas dos proprietários e dos técnicos responsáveis pelos projectos e pelas obras, limitando-se a fazer a verificação da conformidade regulamentar.

 

As cidades mais interessantes, mais confortáveis e mais civilizadas evoluiram sempre de forma orgânica, mais apoiadas na manutenção do que na construção. Responderam às necessidades de cada geração sem impedirem que as gerações seguintes pudessem responder às suas. Chama-se a isto sustentabilidade.

Publicado Por Margarida Bentes Penedo em 2/6/11
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Quinta-feira, 26 de Maio de 2011
Margarida Bentes Penedo

O dr. Luis Nobre Guedes deu uma entrevista.

 

O dr. Luis Nobre Guedes é uma cruz que o CDS tem de arrastar.

Publicado Por Margarida Bentes Penedo em 26/5/11
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Quarta-feira, 25 de Maio de 2011
Margarida Bentes Penedo

 

José Sócrates nunca viu Passos Coelho apresentar "uma obra que fosse que lhe pudesse dar autoridade para pedir o voto aos portugueses". Entendo. Porque há políticos de quem nunca se viu nada. Mas José Sócrates, antes de pedir o voto aos portugueses, já tinha uma obra vasta.

 

 

 

A arquitecta que apreciou um licenciamento advertiu: "Todas as peças têm que ser assinadas pelo autor do projecto. Não se aceitam rabiscos que não são nada em folhas de responsabilidade (...) têm que ter uma assinatura legível". Esta senhora foi séria e responsável. Reconhecendo no que via uma obra destinada à controvérsia, quis proteger José Sócrates impedindo que, mais tarde, a autoria viesse a ser disputada por algum projectista de talento inferior.

 

Almeida Santos já disse que José Sócrates se demite caso perca as eleições. Não quererá tutelar uma pasta ministerial num governo em que não seja líder, e "não podemos exigir isso dele".

 

O regresso à Cova da Beira está portanto previsto para os próximos dias. Entre técnicos municipais, beneméritos da Guarda, responsáveis culturais, guias turísticos, especialistas de saneamento e simples populares, a alegria é imensa. A multidão já começou a concentrar-se para uma recepção apoteótica, preparando-se para cantar, dançar e lançar sobre José Sócrates as mais variadas oferendas.

Publicado Por Margarida Bentes Penedo em 25/5/11
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Sábado, 21 de Maio de 2011
Margarida Bentes Penedo

Fernando Nobre andou a monte durante uns dias. Hoje reapareceu e disse que "todos os portugueses são africanistas de Massamá".

 

Conheço uma senhora que é dactilógrafa de Esposende. E um rapaz que é assentador de ladrilhos da Donalda, que é quem vai de Portimão para Lagos, vira à direita mesmo antes da ponte, quase a chegar à estrada de Alvor. E conheço um sportinguista que mora na Rua do Quelhas. E outro que é coleccionista, esse vi num concurso de televisão, parece-me que era da Cabeça Gorda. Em Seia há um notário de Sandomil. E há uns anos, por culpa de um protector solar que me esqueci de conservar no frigorífico, cruzei-me com uma dermatologista de Albernoa.

 

Por isso fiquei perplexa. O que é que Fernando Nobre quererá dizer com isto?

Publicado Por Margarida Bentes Penedo em 21/5/11
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Sexta-feira, 20 de Maio de 2011
Margarida Bentes Penedo

Há quem escolha como modo de vida receber dos outros e produzir zero. É uma prática legal e não deve ser proibida. Francisco Louçã acha que tem que se proteger essa gente, e defende que seja o Estado a pagar. Eu acho que o contribuinte tem que se proteger do dr. Francisco Louçã.

 

Ninguém deve ser obrigado a abdicar de uma liberdade que considero fundamental: a de escolher individualmente as extravagâncias em que quer gastar o seu dinheiro. Se o tiver.

 

Responsabilizar o Estado por essa escolha é uma ideia moralista, paternalista e aberrante.

Publicado Por Margarida Bentes Penedo em 20/5/11
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Quarta-feira, 18 de Maio de 2011
Margarida Bentes Penedo

 

As Novas Oportunidades credenciaram a ignorância de alguns e a competência de outros. Como todo o ensino em Portugal. Confiando nos números que se discutem por aí, só por conta desta iniciativa houve 500 mil portugueses que obtiveram uma melhoria das suas habilitações.

 

A página oficial afirma que "aprender compensa".

 

Foi nisto que acreditaram muitos milhares de portugueses que se juntaram na rua a protestar por terem sido enganados. Tinham estudado. Tinham obtido uma melhoria das suas habilitações. De novas oportunidades é que nem rasto. Foi no dia 12 de Março.

 

Por isso a iniciativa foi deles. Números gordos, no dia 5 de Junho têm 9,5 milhões de novas oportunidades para punir quem os enganou.

Publicado Por Margarida Bentes Penedo em 18/5/11
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Segunda-feira, 16 de Maio de 2011
Margarida Bentes Penedo

Cavaco Silva quer um governo maioritário. Cavaco Silva pede um governo maioritário. Cavaco Silva congratulou-se por os partidos reconhecerem a necessidade de um governo maioritário. Diz-se por aí que Cavaco Silva "já avisou que não dá posse" a um governo que não seja maioritário.

 

Vamos por partes. Perante os resultados eleitorais, o presidente da república tem que chamar o representante do partido político mais votado e convidá-lo para formar governo. Este governo deve então ser constituido e tem que submeter o seu programa a aprovação pelos deputados à assembleia da república.

 

 

 

 

Tradicionalmente, entre votos a favor, votos contra e abstenções, a assembleia da república tem aprovado todos os programas, e por consequência os governos, que lhe são apresentados. Até hoje, a única excepção foi o governo de Nobre da Costa. Tradicionalmente, repito. Porque na realidade não é obrigada.

 

Suponhamos que não aprova. Nesse caso, o presidente da república tem que chamar o representante do segundo partido mais votado e fazer-lhe o mesmo convite. Sucessivamente, repete-se o processo até que a assembleia da república aprove o programa de um governo novo. Isto é o que está estabelecido na constituição.

 

Em resumo, e na prática, quem dá posse a um governo é o presidente da república. Mas quem o escolhe é o parlamento.

 

Assim sendo, pode Cavaco Silva pedir o que entender. Apelar ao que lhe parecer mais próprio. Congratular-se pelo que lhe dizem os partidos. Mas não tem qualquer espécie de poder para decidir qual o governo a que dá posse. Quem tem esse poder é o povo português, através do voto dos deputados à assembleia da república que são, no nosso sistema político, os seus legítimos representantes.

Publicado Por Margarida Bentes Penedo em 16/5/11
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Domingo, 15 de Maio de 2011
Margarida Bentes Penedo

 

Desconfio da profundidade política de todas as análises que incluam o conceito de "ir ao pote". Sem excepção. Aliás, não desconfio. Desprezo.

Publicado Por Margarida Bentes Penedo em 15/5/11
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Quinta-feira, 12 de Maio de 2011
Margarida Bentes Penedo

Desde o 25 de Abril de 1974, nenhum político foi tão odiado em Portugal como José Sócrates. Mesmo Vasco Gonçalves foi mais desprezado do que odiado, porque toda a gente sabia quem estava por detrás dele.

 

Entre os próprios militantes do partido, há muita gente que está mortinha por correr com Sócrates.

 

Entre os próprios militantes do partido, há muita gente que não vai votar PS.

Publicado Por Margarida Bentes Penedo em 12/5/11
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Margarida Bentes Penedo

 

Esperemos que Catroga veja os pintelhos um a um, e não tome os pintelhos pela floresta.

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Publicado Por Margarida Bentes Penedo em 12/5/11
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Margarida Bentes Penedo

Às 23:30 do dia 11 de Maio de 2011, o Dr. Eduardo Catroga disse ao país que "em vez de andarem a discutir as grandes questões", andavam "a discutir pintelhos”.

 

Temos estadista. Prevê-se para Portugal um dos momentos mais magníficos da sua história. Saiba ele o que são pintelhos. De José Sócrates, nem disso podemos estar certos.

 

 

Publicado Por Margarida Bentes Penedo em 12/5/11
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Terça-feira, 10 de Maio de 2011
Margarida Bentes Penedo

 

Num concerto ao vivo, os Deolinda cantaram que para ser escravo era preciso estudar. A multidão aderiu em coro. Com razão: o estado tinha oferecido aos jovens um monte impensável de licenciaturas e tinha-lhes dito que se estudassem teriam emprego garantido. Ou seja, tinham sido enganados. Formou-se o grupo no facebook. Mário Soares escreveu que o que eles queriam era uma ditadura.

 

No dia 12 de Março fiz questão de lá estar. Gritaram-se protestos, exibiram-se cartazes (o meu preferido dizia "inevitável é a tua tia"), mas havia apenas uma exigência que era comum àquela gente toda: a queda de Sócrates. O que efectivamente aconteceu pouco tempo depois.

 

 

 

 

A seguir, como se veio a provar, tornou-se impossível voltar a mobilizar aquela quantidade de gente em torno de um movimento. Por uma razão simples: já não havia um objectivo comum.

 

Os “precários inflexíveis” são hoje uma sobra, essa sim ligada à esquerda, de um fenómeno que foi importante, espontâneo e eficaz. Como uma operação relâmpago, deitou abaixo um governo e desapareceu no éter.

 

Os “precários inflexíveis” são, provavelmente, aqueles que não perceberam que os jovens não podiam exigir o cumprimento das promessas delirantes do sistema socialista. A única coisa que podiam era exigir a punição de quem os enganou.

Publicado Por Margarida Bentes Penedo em 10/5/11
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Segunda-feira, 9 de Maio de 2011
Margarida Bentes Penedo

Há umas horas Pedro Passos Coelho disse que não formava governo com o PS. Agora Miguel Relvas, secretário geral e número 2 do partido, disse que preferia um voto no PS a um voto no CDS.

 

O PSD está dividido? Como de costume, já se dividiram outra vez?

 

Em que é que ficamos? Nós gostávamos muito de saber.

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Publicado Por Margarida Bentes Penedo em 9/5/11
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Domingo, 8 de Maio de 2011
Margarida Bentes Penedo

O PSD pariu uma coisa com 122 páginas A4. Baptizou-a de "Recuperar a Credibilidade e Desenvolver Portugal - Programa Eleitoral do Partido Social Democrata - Eleições Legislativas 2011".

 

Por junto, além de quem escreveu isto e (admito) do próprio Pedro Passos Coelho, não acredito que o número de leitores ultrapasse os dezassete para todo o território português, regiões autónomas incluídas. Mesmo estes, terão de residir na província para não estarem sujeitos a distracções. E serão com certeza reformados porque a tarefa corresponde, para estar concluída até ao dia 5 de Junho, a um trabalho a tempo inteiro.

 

Resumindo, não serve para nada. O PSD não tem Programa Eleitoral.

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Publicado Por Margarida Bentes Penedo em 8/5/11
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Margarida Bentes Penedo

Com base em valores de 2009, o preço da construção do TGV é de 7,7 mil milhões de euros. Quanto às derrapagens, proponho um milagre: entregamos a empreitada a São Nicolau Tolentino e fechamos a coisa por 7,8 mil milhões de euros.

 

São rigorosamente 10% do montante da ajuda externa.

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Publicado Por Margarida Bentes Penedo em 8/5/11
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Sábado, 7 de Maio de 2011
Margarida Bentes Penedo

Mais uma vez, António Barreto tem razão em quase tudo o que diz. Na entrevista que deu ao i, afirma termos passado por "um momento obsceno da vida política", e sublinha bem que os partidos do chamado "arco governativo" não são todos iguais.

 

Só se esquece de dizer que uma nova aliança com o CDS podia ter alterado a natureza do PSD.

Publicado Por Margarida Bentes Penedo em 7/5/11
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Sexta-feira, 6 de Maio de 2011
Margarida Bentes Penedo

Um professor universitário, doutorado em Teoria Política, a cujos pensares é dada livre expressão em jornais de tiragem razoável, não sabe o que é um partido de extrema direita. Os portugueses, contando marçanos, técnicos de desratização, depiladoras, endocrinologistas e toda a espécie de profissões, sabem perfeitamente que o CDS não é um deles.

 

Também não sabe que, em democracia, a formação de um determinado governo de coligação não "dá uma imagem" ao país, mas "reflete a imagem que o povo quer".

 

Assim se distribuem graus académicos.

Publicado Por Margarida Bentes Penedo em 6/5/11
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Quarta-feira, 4 de Maio de 2011
Margarida Bentes Penedo

A relação dos eleitores com o Partido Socialista é um grande mistério. Lembram-me as pessoas que gostam de brincar com aquelas caixinhas de madeira com cores, em que se abre a tampa, dispara uma mola e sai de lá um palhaço, ou um pirata, ou um anormal e zás! Prega-lhes mais um susto.

 

Fazem esta graçola vezes sem conta e insistem em repeti-la com as visitas, não se deixando desmoralizar pelo facto de estas estarem aterrorizadas.

 

É um comportamento muito estranho. Há quem estude o caso. O ser humano é muito complexo.

 

Publicado Por Margarida Bentes Penedo em 4/5/11
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Margarida Bentes Penedo

Aparentemente, “acordaram reduzir número de câmaras e freguesias”. Há muito tempo que havia quem dissesse que isto tinha de se fazer.

 

Tomemos, por exemplo, Barrancos. Para cerca de 1900 habitantes, com uma alta taxa de desemprego, tem uma Câmara Municipal e uma Freguesia. Isto serve para dar que fazer a uma boa percentagem dessas pessoas, cujo trabalho não sendo precário é altamente entediante uma vez que não há rigorosamente nada de que um funcionário municipal se possa ocupar em Barrancos.

 

Para acabar com este flagelo sugiro, para o interior do país, uma solução mais estimulante, mais musculada e mais atractiva do ponto de vista ambiental: a criação de grandes reservas naturais e turísticas. Seriam divididas em parques temáticos, com funcionários vestidos de alentejanos, montanhas russas, e museu de cera. Dispunham-se umas velhinhas amorosas a fazer queijos e uns tractores sempre a andar de um lado para o outro, para dar ritmo. Como os tractores seriam movidos a energias renováveis, que têm a grande desvantagem de não fazer barulho, no atrelado tinhamos que escanchar uns administrativos, escolhidos entre os que apresentassem maior resistência de caixa toráxica, para simular o ruído tão bucólico dos motores a diesel.

 

Este tipo de proposta tem a vantagem de poder contribuir para o escoamento da imigração, convidando inclusivamente alguns cidadãos estrangeiros a optar entre uma visita turística de contacto rural, um período de formação ou trabalho temporário, ou até mesmo a sua instalação definitiva caso a experiência lhes agradasse. Já estou a ver os técnicos do FMI, UE e BCE enfiados dentro de uns ponchos, guitarras nos braços a percorrer a propriedade, entoando “a igreja estava toda iluminada, e ela estava já casada, a mulher que eu adorei”, desempenhando com aquela pronúncia misteriosa do norte o papel de Trio Odemira.

 

Pela minha parte, já me estou a preparar para o casting. Espalho um excesso de cor azul a toda a volta dos globos oculares e uns borbotos de carmezim a escorrer das comissuras da boca. A seguir apoio a testa com as costas da mão, digo “ai eu, ai a minha vida, que será isto que ê têinho” e candidato-me ao lugar de Florbela Espanca.

 

Agora a sério: confesso que ainda não percebi porque é que se propõe acabar com o Ministério da Agricultura. O CDS não.

Publicado Por Margarida Bentes Penedo em 4/5/11
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Margarida Bentes Penedo

 

"To grasp the true meaning of socialism, imagine a world where everything is designed by the post office, even the sleaze."

 

P.J. O'Rourke

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Publicado Por Margarida Bentes Penedo em 4/5/11
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