Agora que as sondagens proclamam finalmente o separar das águas (como se pode ver aqui) e pela primeira vez me parecem sensatas quanto ao resultado do CDS, pergunto-me se o debate entre Passos Coelho e Sócrates tenha alguma coisa a ver com isto. Dizem-me que sim: que PPC venceu inequivocamente o debate, que Sócrates terá sido esmagado, que esse método rigoroso dos 659 telefonemas de amostra a seguir ao visionamento davam o primeiro-ministro como morto e enterrado.
Duvido: ou vi outro debate ou Passos Coelho esteve durante demasiado tempo intimidado pelo seu adversário, que usou as costumeiras retóricas de bolso e as emoções televisivas do costume: indignação, perplexidade, como podem fazer isto ao meu país, eu que fiz tudo etc. Passos Coelho teve sem dúvida bons momentos - o mais importante e eficaz aquele em que lembra ao primeiro-ministro que ele irá ser julgado não pelo que vai fazer mas pelo que fez e ainda está a fazer - mas aquela declaração final em que se justificava, quase pedindo desculpa foi desastrosa. Enfim, talvez seja só eu.
O que é certo é que começou o peditório para a maioria absoluta. E evidentemente, os ataques ao CDS vão subir de tom, como Sócrates já não existisse. Este tipo de arrogância pré-eleitoral pode custar caro ao PSD. Declarações tontas como esta de Nuno Sarmento já revelam algum medo e o habitual putativo direito aos votos do eleitorado de centro-direita que o PSD historicamente sempre achou que deveria ter.
Por nós, estamos tranquilos. O CDS cresce e é cada vez mais garante de uma transição rigorosa e fluida para dias melhores. Que o PSD se preocupe com outros adversários, bem mais perto deles. Nós por aqui continuamos a trabalhar.
É curioso ver como um antigo presidente do PSD acusa Paulo Portas de se atribuir demasiada importância - 'tiques socráticos', foi o que ele disse - para concluir que o CDS está a preferir ataques ao PSD em vez do PS, o responsável último por estes dias.
Mas Fernando Nogueira, ao centrar todo o seu discurso sobre o alegado comportamento do líder do CDS está a fazer o quê senão aquilo que acusa? Ou talvez a pergunta seja mais esta: terá medo de quê?
Mais um exemplo brilhante de gestão dos nossos queridos governantes. Onere-se os privados, endivide-se o Estado, tudo de uma só vez.
Luís Filipe Menezes diz que votar em Portas é o mesmo que votar em Sócrates. Então não se está mesmo a ver? A sério, é de ler o artigo, que é precioso.
Regresso a esta rua com sentimentos divididos: alegria e orgulho, por um lado, por estar outra vez a dizer o que penso junto de tanta gente que admiro e outros que irei admirar. Tristeza por outro: porque a urgência de aqui marcar posição agudizou-se de tal forma que governantes incompetentes e irresponsáveis deixaram-nos à beira de um finis patriae.
Que não se iludam: a minha postura, nesta rua, é de combate. Pelas ideias, pelas alternativas, pelo bom senso, por Portugal.
Há alguns anos, quando José Sócrates venceu as últimas eleições legislativas, fiz algo que ia contra a minha natureza individualista e pouco dada a disciplina militante: filiei-me num partido. Escolhi, não por acaso, o CDS. Ao longo desta legislatura, estou em paz comigo: o CDS ergueu um património de propostas concretas e fiscalização deste governo e, no limite, do próprio regime, que não vi outro partido fazer.
Muitos preferem mostrar a sua legitima indignação na rua. É bom, mas a indignação não é um valor em si. Prefiro lutar em Ruas como esta. Sou apenas mais um, mas contem comigo para o necessário. É hora!
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