o campeonato do segundo lugar, por Rui A., no Blasfémias:
«O PSD faz pessimamente em centrar os seus ataques de final de campanha no CDS e em Paulo Portas (na verdade, mais em Portas do que no CDS, o que revela sintomas de uma traumatologia cavaquista de que Passos Coelho não tinha de ser portador). Se é verdade que, como lembra Passos, Portas não tem, pelo menos por enquanto, condições para poder vir a ser primeiro-ministro, também o seu PSD não tem qualquer hipótese de ir para o governo sem o CDS. Para além do mais, ao fazer de Paulo Portas o «inimigo principal», o PSD revela medo e fraqueza, e dá espaço ao Partido Socialista para conquistar o centro, o que lhe poderá ser fatal. E, em vez de demonstrar vocação para a vitória, faz lembrar o Benfica do meio do campeonato a lutar com o Sporting de Braga e o SCP pelo segundo lugar.»
«Eduardo Catogra considerou hoje que a estratégia de comunicação do PSD não tem funcionado.»
Será que Carlos Abreu Amorim considera que estas declarações do putativo ministro das finanças do PSD também têm "o condão pouco inocente de engrossar a artilharia socialista que incessantemente dispara sobre Passos Coelho e o PSD"? É procurar a resposta aqui.
Após leitura deste artigo, referido aqui pelo José Meireles Graça, acho pertinente deixar algumas perguntas ao futuro deputado Carlos Abreu Amorim, com base em algumas coisas que disse:
Foi a aplicação do mesmo princípio que levou o Carlos Abreu Amorim a abandonar o aborto político chamado Nova Democracia e transformar a frustração dele recorrente numa oportunidade de chegar longe à custa de um partido maior?
É impressão minha ou a artilharia socialista tem sido engrossada insistentemente pelas balas que se perdem depois de o PSD insistir em dispara-las em direcção aos próprios pés, uma trás da outra, tendo uma delas o rosto do próprio Carlos Abreu Amorim, improvável candidato em Viana?
Onde é que esteve o Carlos Abreu Amorim neste último ano e meio, durante o qual o PSD foi metamorfoseando as suas aparentes divergências com o governo em convenientes convergências na hora de votar PEC’s e Orçamentos de Estado, ao mesmo tempo que o CDS se mantive firme na recusa da toleima socialista?
Um excelente artigo do sempre pertinente Camilo Lourenço:
«Aqueles que se questionam por que está o PSD a perder terreno para o PS só precisam de olhar para o comportamento do partido. (...)
Aos dois jornais, Catroga, apontado como futuro ministro das Finanças do PSD, defendeu o fim da taxa intermédia do IVA (13%) como uma solução para compensar a baixa da Taxa Social Única. O curioso é que no dia anterior Passos Coelho tinha dito que manteria os três escalões. Foi o suficiente para o PS desencadear mais um dos seus "blitzs" de comunicação, explorando as contradições. (…)
O episódio da taxa intermédia é o espelho do desacerto do PSD, que todos os dias dá tiros nos pés (o episódio de ontem foi um tiro de "bazooka"). E Passos Coelho, em vez de se assumir como um líder com três ou quatro ideias-chave para o País, aparece como o candidato que tem de explicar, no dia seguinte, aquilo que disse no dia anterior (ele ou outros membros do partido).»
Ao longo do debate de ontem, José Sócrates usou e abusou de um argumento que vai percorrer toda a sua campanha: entre o PEC 4 e o acordo celebrado com a troika não existem diferenças significativas, facto que revela o oportunismo daqueles que reprovaram o primeiro e que não hesitaram em dar o seu aval ao segundo.
Sem querer ir ao pormenor, há dois factos relevantes que tornam estes pacotes de austeridade bastante diferentes na hora de optar por um:
- Por um lado, a troika fará implementar em Portugal uma série de medidas com um impacto estrutural significativo no comportamento do estado e dos seus agentes, fazendo correcções duras mas inevitáveis para um país que se quer solvente e soberano;
- Por outro, este acordo com a troika arrasta consigo taxas de juros na ordem de metade do valor daqueles a que Portugal se conseguiria financiar com o PEC 4.
Portanto, nada mais justo do que dizer que, com a troika, conseguimos a “importação” de um princípio de projecto reformador do estado a… preço de saldo. Continuar na ilusão socialista era continuar a definhar. A diferença é óbvia. A escolha também.
Esta teoria é pouco mais do que ridícula (ou não viesse de onde vem). Mas, mais do que isso, é a prova do nervoso miudinho que se vive no PSD, perante o medo de ver um governo PS/CDS surgir como resultado das eleições de 5 de Junho. Passando à frente as declarações de Portas que vão desmontando essa possibilidade, não deixa de ser curioso que esta teoria vá fazendo escola dentro do PSD, não fosse este medo o primeiro sinal de que a descrença no PSD se apoderou do próprio partido.
No fundo, esse cenário de coligação PS/CDS só se colocaria se o PSD provasse, de uma vez por todas, e à força da recusa popular, ser uma absoluta nódoa da hora de se apresentar como a alternativa que reclama ser a esta tragédia socialista. E, valha a verdade, até os próprios coelhistas mais obstinados já acreditaram nisso com outra convicção.
Não basta aos mensageiros do PSD acenarem com o fantasma de um possível entendimento entre PS e CDS para conquistarem votos à direita. Para além de Paulo Portas já ter sugerido várias vezes que não tem essa intenção – mais peremptória e prematuramente que o PSD – os portugueses sabem que o PSD não tem sequer legitimidade para falar no assunto de consciência tranquila. A memória das pessoas não é assim tão curta que não lhes permita lembrar que o PSD apenas decidiu não viabilizou o quarto PEC, no qual assumiu a posição que o CDS já assumia há três PEC’s consecutivos.
Enquanto cá no burgo os indígenas se vão divertindo a saborear a superficialidade de factos menores e irrelevantes e a ameaçar o país com a possibilidade de uma nova vitória dos socialistas a 5 de Junho, lá fora há quem não tenha problemas em reconhecer facilmente o óbvio.
Um excelente exemplo da retórica ilusionista do PS, num texto que vale a pena ler na íntegra.
«Nem é preciso evocar o "sangue, suor e lágrimas" do velho Winston: os estadistas a sério distinguem-se pela franqueza com que anunciam as más notícias. Os estadistas do género do eng. Sócrates distinguem-se pela cara de pau com que anunciam as boas e disfarçam as péssimas.
Na terça-feira, o primeiro-ministro fez-se acompanhar de um vulto inerte e apareceu nas televisões a enumerar as medidas que não entrarão no plano da troika. Curiosamente, tratava-se das exactas medidas que, aqui há tempos, jurou integrarem a "agenda" do FMI caso o PEC IV fosse rejeitado. Em entrevista (à SIC) de 15 de Março, o eng. Sócrates descreveu o impacto imediato da ajuda externa: "Acabar com o 13.º mês, reduzir o salário mínimo, despedimentos na função pública." Em seguida, questionou: "É isto que queremos?" Era nisso que ele queria que acreditássemos. A 3 de Maio, todo contentinho, o eng. Sócrates informou a nação de que não se acabaria com o 13.º mês (nem com o 14.º). A 5 de Maio, os representantes da troika esclareceram que o fim do 13.º mês (ou do 14.º) nunca esteve em causa. Ainda a 5 de Maio, o ministro Silva Pereira perguntou (retoricamente, espero) a jornalistas de onde viera a ideia dos "cortes" no 13.º mês e no salário mínimo, ao que acrescentou: "Certamente não foi do Governo."»
Alberto Gonçalves, no DN.
Para além de serem "bota-abaixistas", os finlandeses são um bando de mal agradecidos. Pelo menos, essa é a nova tese que este vídeo quer fazer passar, ao mesmo tempo que usa alguns factos da História de Portugal e outros tantos do parolismo nacional, para exigir à Finlândia uma ajuda que não devem questionar.
Mas se a aposta do "Portugalnomics" é fazer birra, envergonhar e exigir à Finlândia a retribuição da solidariedade que lhes prestamos no passado, convém não esquecer algo básico: em 1940, o apoio de Portugal e outros países à Finlândia justificou-se pela sua brava resistência às constantes agressões soviéticas que a deixaram em péssimas condições. Hoje, o apoio da Finlândia e outros países a Portugal, deve-se, tão somente, a uma guerra muito menos digna: aquela que decidimos travar com a inteligência e o bom senso, e que nos levou a passar de um país grande e respeitado a um país mendigo e insolvente, capaz de envergonhar o melhor da própria história.
No sentido de corrigir uma perversão perigosa na acção social no Ensino Superior, o CDS, pela mão do deputado da Juventude Popular, fez aprovar esta lei que retira as bolsas da sujeição às mesmas regras da atribuição, por exemplo, do Rendimento Mínimo Garantido.
Com este tipo de atitude que, para além de atender às necessidades dos estudantes, premeia o seu esforço, o seu mérito e a sua dedicação, a Juventude Popular mostra também porque é que o CDS é a solução mais equilibrada e racional, capaz de não esquecer ninguém na hora de promover oportunidades e de não excluir ninguém da necessária exigência e sentido de responsabilidade.
Vital Moreira, no Causa Nossa:
"Paulo Portas em preparação para ser primeiro-ministro" - Diário de Notícias.
Qual é próximo a fazer idêntico anúncio: Jerónimo de Sousa ou Francisco Louçã.?
Desde que foi eleito para a reforma dourada de Bruxelas, Vital Moreira vai vomitando pérolas deste nível com uma frequência estonteante. Esta comparação implícita entre Portas e os líderes dos partidos da esquerda totalitária roça o ridículo. E das duas, uma: ou Vital Moreira está só muito nervoso e não resistiu a um post carregadinho de desonestidade intelectual; ou os genes extremistas ainda lhe correm nas veias a uma velocidade muito pouco recomendável e desequilibram-lhe o pensamento abruptamente para a esquerda, levando-o a considerar hipóteses que não existem numa cabeça sensata. Ainda que diferentes, ambas as hipóteses são muito pouco prometedoras e apenas garantem que longe é que ele está bem.
Já agora, não teria sido má ideia o próprio Vital Moreira ter feito alguma preparação antes e se lançar de frente rumo ao embaraço nas últimas Europeias. Mas isso já é outra história…
É urgente que os últimos seis anos fiquem para a posteridade como o triste epílogo de um conto de terror prestes a chegar ao fim. Envergonharam-nos a História. Mataram-nos a economia. Tiraram-nos a prosperidade. Comprometeram-nos a soberania. Eliminaram-nos a independência. Mas a esperança, enquanto o CDS se mantiver no boletim de voto, só a deixa roubar quem quiser.
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