A expressiva maioria – de votos e deputados – que sustenta o próximo Governo constitui, acima de tudo, uma enorme responsabilidade. Este é o momento da exigência, do mérito e do cumprimento da palavra. Já dizia Sir Winston Churchill, «O preço da grandeza é a responsabilidade».
PS. Meus amigos, obrigado pela companhia! Um forte abraço a todos!
Em complemento do post do Gabriel
É incontestável que o CDS teve um resultado extraordinário. Foi o seu segundo melhor resultado de sempre. Aumentou a percentagem de votos e o número de deputados num momento em que o PSD sobe muito (10%) face às eleições anteriores. Tem tantos deputados como o PCP e o Bloco juntos. Recebe um mandato inequívoco para integrar o Governo (não vai por favor). Contribuiu para uma maioria absoluta de centro direita, seja de deputados seja de votantes. Cresceu nos grandes centros urbanos (Lisboa, Oeiras, Cascais, Sintra, Porto, Matosinhos, Gaia, Setúbal, Almada).
Contribuiu para a derrota impiedosa do primeiro-ministro José Sócrates. Apesar da contenda eleitoral, soube preservar uma relação saudável com o PSD, muito importante nas negociações e formação do próximo Governo.
Foi também um grande resultado do PSD. Face ao PS, teve mais de 10% dos votos e muitos mais mandatos. Suplantou largamente o espectro da vitória à tangente. De um modo geral, conseguiu unir o Partido. Não fugiu aos temas difíceis e respondeu a todas as questões – fáceis ou difíceis, adversas ou populares – que lhe foram colocadas. Soube manter o nível do debate eleitoral. Manteve a palavra na hora da vitória, não ostracizando o PS e confirmando o entendimento com o CDS. Era muito importante termos um Primeiro-Ministro forte, com uma legitimidade eleitoral inequívoca. O resultado de ontem contribuiu decisivamente para esse objectivo.
PS. Tiago, naturalmente que o país exige contenção e discrição, e por isso seria incompreensível uma grande celebração. Tão incompreensível como não perceber que é humano, num primeiro momento, não rejubilar com resultados que ficaram aquém das sempre débeis sondagens. A alegria, a excitação e a festa em noites eleitorais têm muito que ver com os resultados objectivos – é certo – mas também com a expectativa ou ilusão de que se parte, seja esta fundada ou não.
Poderemos ter o maior partido da oposição com a menor votação desde 1987
É o pior resultado do PS dos últimos 24 anos em eleições legislativas
Chegados quase ao fim da campanha, e tendo no horizonte uma nova maioria parlamentar, é muito importante sublinhar que o momento recomenda mais.
Primeiro, estando o próximo Governo condenado a adoptar medidas muito duras, socialmente delicadas e reconhecidamente impopulares, não é indiferente que a maioria que o suporta seja particularmente forte, expressiva, reveladora até de um sobressalto eleitoral.
Depois, não esqueçamos que se encerra um ciclo negro da nossa vida democrática, com um Governo e um Partido vergados a um Primeiro Ministro delirante e inqualificável, que merece uma censura exemplar e inequívoca do eleitorado.
Finalmente ainda – e no que ao CDS diz respeito – a relevância da sua participação na maioria e o equilíbrio que a esta pode trazer é tão importante como a vitória do PSD sobre o PS. É por isso que, garantida a derrota do PS, perfilada a vitória do PSD é agora chegado o momento de garantir também o equilíbrio da nova maioria. É por este equilíbrio que o tamanho do resultado do CDS – tal como a vitória do PSD – importam.
É intrigante o espartilho do voto útil. A liberdade de votar, de escolher, de premiar o partido com que nos identificamos mais em cada momento cede perante a mais leve ameaça de empate técnico.
Todos temos amigos ou conhecidos que nos confessam a sua preferência pelo CDS mas que votarão PSD porque querem que o PS não seja o partido mais votado. Se não fosse isso, votariam no CDS, dizem-nos.
Mas será mesmo assim?
Começo a achar que há nesta resistência ao voto no CDS uma certa clubite envergonhada que, à falta de melhor argumento, se socorre dessa absoluta necessidade de derrotar o PS que já ninguém contesta. É que mesmo perante a demonstração de que o empate técnico sempre foi um falso empate técnico – bastava analisar os indecisos e a sua rejeição ao PS e a Sócrates como, aliás, as sondagens mais recentes bem revelam – insistiam na ideia de que era mesmo indispensável «só» votar no PSD. Alguns até nos apontavam o dedo insinuando: tu preferes o Sócrates!
A estes votantes úteis, crentes fiéis das sondagens, podem agora, em coerência, dar livremente outra utilidade ao seu voto. Pois se as «mesmas» sondagens já não dão empate técnico nenhum hão-de reconhecer, em coerência, que está ultrapassado o obstáculo.
O «espectáculo» a que assistimos há dias a propósito das declarações e contra-declarações de Passos Coelho sobre o aborto, e de todas as reacções (partidárias e não partidárias) que se seguiram, foi bem demonstrativo de como está minado o debate em torno das questões de valores e de princípios. E seria igual se se tivesse suscitado a eventual alteração da legislação do casamento entre pessoas do mesmo sexo ou a do divórcio.
Ninguém, verdadeiramente, está interessado neste debate.
Para uns não vale a pena tratar de questões que já tiveram «solução». Para outros, seja por falta de convicção, seja por temor táctico, o tema é ignorado.
A timidez ou mesmo o silêncio dos programas nestas matérias não deixa de ser um sinal dos tempos.
É verdade que no momento histórico, concreto, mesmo cru, que vivemos, a crise financeira e orçamental preenchem-nos a agenda e dominam as nossas preocupações. E, infelizmente, reconheçamos que não poderia deixar de ser assim. Lá diz o povo, em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão. Tratemos, pois, do pão.
Há, no entanto, que fazer um juízo à luz dos valores que preconizamos no momento de decidir o sentido do nosso voto. Não tenhamos ilusões nem projectemos nos partidos aquilo que eles não podem nem devem ser.
Podemos não encontrar um partido que afirme todos os valores em que acreditamos. Podemos, inclusivamente, identificar nas direcções de todos os partidos dirigentes que militam em causas opostas às nossas. Mas havemos de encontrar um partido onde os nossos valores não são ostracizados e onde podemos fomentá-los. Podemos até encontrar um partido que, para lá da coerência e convicções pessoais, na hora da verdade dá expressão parlamentar aos valores essenciais. Esse partido é o CDS. O CDS é, aliás, o único Partido que tem inscrito nos seus estatutos e no seu programa a defesa de um modelo assente no humanismo personalista de inspiração cristã - modelo este profundamente actual.
A crise de valores que atravessamos tem no CDS um instrumento de transformação e de esperança. Tanto maior quanto maior for a sua expressão eleitoral.
Há uma série de lugares comuns do tipo «as sondagens valem o valem» ou «a verdadeira sondagem é a do voto no dia das eleições». É igualmente comum ouvirmos comentários dos líderes políticos sobre a percepção que têm do povo ou «da rua» (como também gostam de dizer). E depois temos as análises sobre as evoluções das sondagens – é a «forte ou ligeira tendência de subida ou descida», a «dinâmica de vitória», e, claro, o apelo do «voto útil».
Mesmo dispondo de todos estes lugares comuns – que habilitam qualquer um a construir uma análise plena de cientificidade – recuso-me a esboçar uma análise à verdadeira diarreia de sondagens que nos tem sido servida nesta campanha.
Ora, eu tenho a minha própria previsão (que não é um wishful thinking).
Sob pena da senhora da limpeza do escritório, do segurança aqui do prédio e do Sr. Francisco da mercearia já não servirem – como sempre serviram – para tomar o pulso ao país, o PS e este Primeiro-Ministro vão perder, o PSD vai ganhar e o CDS vai crescer muito. Margem de erro: N/A.
Os votos merecem-se – temos ouvido muitas vezes nesta campanha do CDS.
Mas o que é isto de merecer? Será o programa apresentado? Serão as pessoas que se apresentam a sufrágio? Será o trabalho realizado na legislatura que termina? Será a preparação evidenciada? A coerência do percurso (de sempre ou, pelo menos, mais recente)? Será, afinal, a declaração de princípios do Partido?
Com base em cada um destes critérios, nem sempre o CDS estaria no 1.º lugar do Ranking – teremos de reconhecer. Assim, por exemplo, o programa tem algumas lacunas, nem todas as pessoas merecem o mesmo entusiasmo, conseguimos identificar algumas contradições em áreas importantes, a afirmação de princípios fundamentais é, por vezes, envergonhada ou nem sequer é genuína, etc.
O merecimento que tem sido reivindicado advém naturalmente do juízo global que, no momento que vivemos, justifica o voto no CDS. Não será estranha a escolha do slogan «este é o momento». Porque de facto, sem grande esforço, conseguimos perceber que a equipa que o CDS apresenta é globalmente consistente e preparada. Que o CDS foi o partido menos errático na oposição e mais organizado no combate à hecatombe a que chegámos. Que o CDS tem um líder que, com todos os seus defeitos, revela uma preparação incomparável face aos demais líderes do arco da governação. Que o CDS abandonou alguns dos factores de desconfiança do passado, como era o seu posicionamento face à Europa por exemplo ou até (porventura injustamente) face à imigração. Que o CDS revela uma atractividade de quadros e jovens que gera esperança. Que o CDS tem uma declaração de princípios humanista e centrada na pessoa.
O voto num partido nunca tem subjacente uma adesão a 100%. Se fosse esse o paradigma militávamos todos no voto branco, nulo ou na abstenção, e os partidos teriam os votos dos seus candidatos e de alguns familiares (talvez o PCP conseguisse um universo eleitoral ligeiramente maior).
Neste momento, o CDS merece o voto. É bem verdade, como dizia o Adolfo Mesquita Nunes, que as pessoas aceitam votar no PSD mesmo que discordem de quase tudo, ao passo que no CDS só aceitam votar se concordarem com tudo. Talvez esteja a mudar esta constatação histórica.
Estes dias de pré campanha têm sido particularmente reveladores. Ou melhor, elucidativos, quanto à actual natureza dos partidos. O PS, um partido desligado da realidade, submisso à dialéctica quase louca de um líder que, teimoso e resistente, já nada tem para oferecer ao País. O PSD, reconhecidamente sintonizado com as dificuldades que enfrentamos, sofre todavia de falta de rumo, de coerência, de voz clara. Não tranquiliza a honestidade ou rectidão de intensão das suas principais figuras (Passos Coelho, Catroga, Carlos Moedas, etc). O excesso de declarações, de entrevistas, de comentários, com as inevitáveis contradições, são a expressão eloquente da impreparação e amadorismo de que não precisamos. O CDS, claramente preparado, com energia, mobilizador, jovem mas maduro, a revelar uma capacidade de mobilização que não lhe conheciamos. Parece estar a vencer a crónica resistência que os eleitores lhe têm «oferecido». Onde antes viamos (ou não) apoios envergonhados, hoje vemos a participação activa e empenhada. Onde antes viamos um homem só a varrer as feiras de norte a sul do país, hoje vemos vários quadros, com voz própria (ainda que sintonizada), cada um no seu círculo eleitoral. O BE, sem rumo, sem bandeiras, a definhar. Já nem o carisma e qualidades políticas de Francisco Louçã parecem ser suficientes. Num quadro eleitoral sem causas fracturantes, sem espaço para o «ideal», em que as pessoas querem mesmo ter soluções para os seus problemas, um partido radical de esquerda recolhe à expressão eleitoral que julgava não mais conhecer. O PCP paradoxalmente sem chama. Justamente num momento de alta de desemprego, de tensões sociais, de cortes salariais, seria expectável que o partido dos sindicatos ganhasse fôlego e expressão eleitoral. Mas não. O PCP parece estar reduzido aos seus fiéis. Porventura, tal como com o BE, as pessoas parecem procurar mesmo soluções e não as veêm em bandeiras como a «renegociação da dívida» ou a «subida do salário mínimo».
Quem viu ontem o debate percebeu bem a loucura que representa o voto em Sócrates. Um homem desligado da realidade que nega as evidências e que só nos pode conduzir ao abismo.
Quem ouviu hoje Paulo Portas na conferência da TSF / DN / OTOC percebeu bem onde é verdadeiramente útil o voto.
Se dúvidas ainda tivéssemos.
Já sabemos. São duas as razões da crise: a crise internacional e a crise política provocada pela oposição.
São também duas as conclusões: o PEC IV é o Acordo e o Acordo é fantástico por mérito do Governo.
Nada mais há a discutir. São verdades absolutas.
Alguém quer continuar a discutir com esta gente?
Como é que pessoas inteligentes e sensatas continuam a arranjar desculpas para o indesculpável?
A ver se percebi:
José Sócrates, esperto, antecipou que à custa dos precipitados dos gregos e dos irlandeses o FMI ia aprender a fazer acordos fantásticos. É isso não é?
Leitura complementar: Singularidades de um PM português (8)
O Memorandum apresentado agora pela Troika vem tornar ainda mais óbvio quem reúne e quem não reúne condições para garantir a sua execução. Entre a farsa permanente do PS e a insegurança e inconsistência do PSD é desesperada a necessidade de confiança, preparação e sentido de Estado.
Chega a ser chocante o jogo político com que, quer o PS quer o PSD, estão a subjugar o país num momento de emergência como o que vivemos. Será que o que mais nos deve preocupar é saber se o Acordo é igual ao PEC IV ou quais foram as propostas que o condicionaram mais?
O que esperamos – exigimos mesmo – num momento sério como este é uma manifestação formal de compromisso, de empenhamento, de execução rigorosa. Ponto. Não é este o momento do jogo político, fútil e infantil.
Estamos perante o facto político mais relevante (e condicionante) dos últimos 25 anos, e o PS e o PSD insistem em oferecer-nos mimos públicos, numa autêntica diarreia de declarações, entrevistas e recados. Até o «5 p'rá meia-noite» serve para declarações políticas. Ao que nós chegámos!
Salva-se o CDS. O único que tem sabido manter o recato, a responsabilidade, a dignidade. Outra vez.
Alguém providencia uma versão do Memorandum em Português e envia para S. Bento? Suspeito que não perceberam nada. Deve ser do inglês técnico ...
OBRIGADO PS, 6 ANOS QUE VALERAM A PENA!
Finalmente são abolidas as taxas reduzidas de IRC!
Já não era sem tempo que limitavam a dedução de prejuízos fiscais a 3 exercícios (já estava limitada a 4)!
Festejemos: vão diminuir as isenções de IVA e nivelar pela taxa de 23% muitos dos bens e serviços até agora sujeitos às taxas reduzida e intermédia (é desta que o leite achocolatado não escapa)!
Aceleremos! Vai aumentar o Imposto sobre Veículos!
Atiremos foguetes! É criado o imposto sobre a electricidade!
Ao contrário do VLX, não percebo a face do (ainda?) ministro Teixeira dos Santos.
Vide ponto 1.18 a 1.24 do memorandum.
Já mesmo ninguém está esperançado que o PS tenha aprendido com os fracassos dos dois últimos governos.
Os «políticos» – esses seres malditos mas necessários – apresentam-nos cada acto eleitoral como «o» mais importante. As eleições que se avizinham são sempre as mais importantes e decisivas.
Ao lado desta suprema importância temos também todo um mundo de promessas e juras – de mais justiça, mais desenvolvimento, mais educação, mais saúde, etc., etc., etc. Depois, o apelo ao voto é sempre acompanhado da garantia de que «nós somos os melhores» e os outros «querem o pior».
Estamos num ponto em que já ninguém tem paciência para esta verborreia, para estas juras dos «bons» contra os «maus», do «connosco a salvação» e «com eles as trevas».
Cada um encara este momento como melhor entender. O que é certo é que este é um momento de regresso à essência, ao elementar. É estranho – preocupante mesmo – que assim seja, mas é a realidade com que nos confrontamos.
Está em causa, meus amigos, garantir o país.
Os partidos poderão ter as melhores intenções mas já todos percebemos que o país não se salva entre a farsa permanente (que continua) deste governo e deste PS, e a insegurança e inconsistência do PSD. É chegado o momento de, com humildade colectiva e descomplexada, reconhecer que é o CDS quem representa a garantia de Portugal.
Está em causa o essencial. Votar CDS é hoje um acto de responsabilidade.
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