...mas pemitiu um grande passeio!
Quando me mudei para ela, quase por acaso, não conhecia ninguém.
Mas quem já cá tinha morado, tinha-me assegurado ser de boa gente. Gente que partilhava um visão do país, para além da "sua rua". Gente que sabia do que falava sem achar que sabia tudo, que se ouvia sem ter que concordar, que acrescentava sem ter que destruir e que sabia rir com a finura de um true british humor.
Confirmei integralmente!
Ontem, esta Rua que agora acaba, ficou maior do que si mesma. Se calhar é também por isso que faz sentido acabar. Porque os tempos serão outros e fazemos mais falta noutras ruas.
Como, ao longo destes dias, fui "dando música" ao blog, parece-me justo terminar com esta, inteiramente dedicada aos meus vizinhos: you're the top!
Depois de uma entusiástica noite eleitoral - parabéns ao PSD e CDS- , começa agora a possibilidade de uma nova fase.
Desta vez não há espaço para comemorações prolongadas. Não há estado de graça. Há já um sprint inicial de trabalho.
É certo que muito dependerá do entendimento entre PSD e CDS, da nova liderança do PS e da intervenção do Presidente.
Mas muito - muitíssimo - dependerá de nós. Por isso, em tom de inspiração, aqui fica para este momento e para todos os dias:
Há uns tempos atrás visitei, na Biblioteca Nacional, uma exposição do espólio pessoal da Sophia de Mello Breyner.
Num dos seus escritos (de 1969), dizia:
"Entrei nesta campanha eleitoral para ajudar a modificar um sistema político e social que em minha consciência considero injusto.
A situação portuguesa é grave e urgente. Por isso, não podemos trabalhar apenas para a política do futuro. Temos que conseguir uma política para já. Temos que tentar conseguir já tudo aquilo que possa ser conseguido já".
Hoje, em 2011, revejo-me muito nestas afirmações. Na gravidade da situação, na necessidade de me envolver numa mudança consequente, na urgência de resolver o "já", sabendo que para isso, será preciso adiar algumas ideias (e ímpetos de grandes reformas) para o futuro.
Como digo na biografia neste blog, não sou filiada no CDS. Mas encontrei aqui estas linhas fundamentais que me movem.
E um espaço plural, onde me encaixo e que me encaixa.
Sinalizar o sentido de voto é uma exposição com muitas consequências. Acho que só se faz por convicção. Para mim, "este é o momento".
Sempre me incomodou muito que a "esquerda" se arrogasse de deter este território: a legitimidade para o discutir, as respostas para o resolver e a moralidade para o defender. E ainda hoje me incomoda.
Não por ser a "esquerda", nem por efectivamente nunca se ter provado que o seu modelo funcione. Mas porque, por definição, a questão social é da sociedade, isto é, de todos, pluralmente. Desde a esquerda, à direita, passando pelo centro.
O que sim é justo dizer é que, da "esquerda" à "direita", se apresentam formas diferentes de olhar para questão e, portanto, de a abordar.
Por isto é que me senti tão identificada com o que vem escrito no Manifesto do CDS:
"O CDS não abandona a questão social à esquerda
O CDS não deixa o monopólio das questões sociais e o combate à exclusão social nas mãos da esquerda e extrema ‐ esquerda que não têm soluções realistas. (...) Numa altura de austeridade tem de haver uma ética social nas decisões do Estado que não ponha o esforço sempre sobre os mesmos. (...)
A actual crise económica e social criou novos riscos de pobreza associados ao desemprego, ao endividamento excessivo e à desestruturação familiar‐ a acumular com os problemas já existentes.
Perante
a
aplicação
das
medidas
de
austeridade,
impõe‐se
uma
orientação
segura
de
protecção
de
quem
menos
tem
ou
mais
ajuda
precisa;
a
consciência
que
as
mesmas
medidas
têm
diferentes
impactos em
situações
diferentes.
Na actual conjuntura, é necessário consolidar e reforçar as políticas sociais, como forma de diminuir os efeitos da crise nos sectores mais vulneráveis da população e importa apontar novos caminhos. Mais inovadores e mais transformadores. Logo, é necessário inverter a lógica de algumas medidas de política social, desenvolvidas pelo estado central, na sua grande maioria baseadas numa abordagem “top down”. Porque as políticas locais envolvem a comunidade, são baseadas na sua dinâmica própria e fortalecem‐na. "
Encontro aqui subjacentes alguns dos valores mais fortes da Doutrina Social da Igreja (nomedamante o "princípio da participação, "princípio da solidariedade", "princípio da subsidiariedade", "princípio do bem comum", just to name a few).
Achei (e acho) importante e significativo que o CDS re-visitasse as suas raízes, e assim reforçasse (parte) da sua identidade.
Foi a 28 de Maio de 1911. Faz hoje 100 anos.
Carolina Beatriz Ângelo (1877−1911) dirigiu-se à Assembleia Eleitoral de Arroios, instalada no Clube Estefânia, em Lisboa, para votar nas eleições para a Assembleia Constituinte.
Semanas antes, requerera na Comissão de Recenseamento do Bairro onde residia a sua inclusão nos cadernos eleitorais, alegando preencher todas as condições especificadas no artigo 5.º do Decreto com força de Lei de 14 de Março de 1911: tinha mais de 21 anos, sabia ler e escrever e era “chefe de família” (…)
Perante a recusa de tal pretensão pelo Ministro do Interior recorreu do correspondente despacho para o tribunal (…)
Apoiada na autoridade desta decisão, Carolina votou nesse dia. Foi a primeira mulher a fazê-lo em Portugal – e durante largos anos a única.(…)
Porque a verdade é que muito embora a letra do artigo 5.º do referido Decreto com força de Lei de 14 de Março de 1911, ao conferir o direito de voto a “todos os portugueses”, aparentemente não diferenciasse homens e mulheres, a intenção do legislador fora — era sabido – bem outra: conceder tal direito apenas aos primeiros. (…)Para evitar a repetição e, quem sabe, a multiplicação de tão lamentável episódio, o novo Código Eleitoral, aprovado pela Lei de 3 de Julho de 1913, especificava com total clareza que seriam eleitores “todos os cidadãos portugueses do sexo masculino”** — explicitamente negando o voto à mulher. Ainda que fosse letrada e/ou chefe de família.
Hoje comemoram-se os 70 anos de Bob Dylan.
Por ele, e para nós, aqui fica:
O Alexandre Homem de Cristo, tem vindo a fazer uma série de bons posts sobre o Estado da Educação aqui.
Hoje trata do tema do "imobilismo social", a que o manifesto do CDS se refere como o "elevador social". E diz:
"No gráfico acima podemos ver que, entre estes países da OCDE, Portugal é dos que tem a maior taxa de persistência inter-geracional nos rendimentos. Isto significa que o gap entre os rendimentos dos indivíduos cujos pais completaram o ensino superior e os dos indivíduos cujos pais não completaram o ensino secundário é enorme e que, portanto, existe uma repetição geracional. Dito de outra forma,temos a maior taxa de imobilismo social: quem tem menor formação, tem por isso rendimentos mais baixos e filhos que também terão pouca formação e rendimentos baixos; e vice-versa."
Contra factos, não há argumentos. Mas há caminhos que, em grande medida, passam pela "Educação/Formação", nomeadamente:
A) Factores de remediação - dos quais são exemplo programas como o das Novas Oportunidades, cuja argumentação já apresentei aqui, e que, bem executado, pode gerar um duplo efeito: aumento das qualificações da população adulta e valorização da formação dos seus filhos.
B) Factores de prevenção - como seja (i) a universalização da rede pré-escolar, como meio de "nivelar" desde cedo eventuais diferenças de partida que podem condicionar percursos futuros, (ii) a aposta mais precoce na formação vocacional, como via legítima de escolha e conclusão com sucesso do - agora obrigatório - ensino secundário ou (iii) a autonomia das escolas, como meio de potenciar projectos educativos diferenciados que estimulem o talento (e a sua profissionalização) onde quer que se encontre.
Encontramos estas linhas nas propostas eleitorais de alguns partidos, como é o caso explícito do CDS.
Para mim, trata-se portanto da confiança em quem as pode executar bem, como prioridade, para além do "papel". E em quem advogue a prática da "avaliação", como deveria acontecer com qualquer política pública...
...sobre qual o papel que o Eng. José Sócrates pretendia assumir?

As "Novas Oportunidades" (NO) são um bom conceito que vem dar resposta a um problema estrutural de formação e qualificação em Portugal.
De acordo com o gráfico, comprova-se que, mesmo nos grupos etários "mais jovens", Portugal está muito abaixo da maioria dos países abrangidos pelos estudos da OCDE (Fonte: OCDE, Education at a Glance 2005).
Portanto havia uma necessidade real a ser resolvida a nível da formação de adultos e este Programa a ela se dirigiu.
Dito isto, elenco uma série de apreciações:
Mas sabemos que há "trigo".
Paulo Portas mencionou-o na sua justa medida.
Até o próprio PSD, que levantou toda esta polémica, o reconheceu:"A vice-presidente da Agência Nacional para a Qualificação, Maria do Carmo Gomes, lembra que a avaliação desenvolvida pela Universidade Católica foi elogiada por antigos governantes do PSD, como David Justino e José Canavarro".
Portanto, há que separar o trigo do joio mas, por favor, para deixar crescer o trigo.
Tenho estado a ler atentamente o Manifesto do CDS.
De uma forma global é, para mim, isto mesmo: um documento bem estruturado, que convence e mobiliza.
Ao longo da leitura encontrei, naturalmente, algumas discordâncias, muitas das vezes pela redacção, a meu ver, demasiado "aberta", quase a caír no lugar-comum, por exemplo, no ponto "Simplificar as estruturas dirigentes", ou na secção "Reinventar e promover a “marca Portugal”.
Encontrei também ideias nas quais acredito profundamente, como seja a "Redução da despesa: da ética social à equidade fiscal e à força do exemplo", ou "Sentar as instituições sociais na Concertação Social", ou ainda "Formar empreendedores sociais e estimular o auto‐emprego".
Fui lendo o Manifesto à procura das medidas sobre o tema que me cativa - a Educação.
Encontrei-as sobretudo concentradas na secção "É preciso ter o elevador social a funcionar". Confesso aqui que não morro de amores por este epíteto (faz-me lembrar o elevador do prédio, que ainda por cima sobe, mas (graças a Deus) também desce...). Percebo a ideia, e passo por cima da semântica. Ao conteúdo, então:
...mas ninguém quer morrer". É o título de um post no belíssimo "É tudo gente morta".
É também o título de uma canção ("do melhor"!) pelos Blitz -"Romance da Universitária Otária" - uma história muito actual e muito transponível para o nosso país.
Trata-se então de uma universitária “que não sabia se fazia oceanografia ou veterinária”, se “dava bem em redação” e que “era boa em línguas mas não sabia beijar” … "Aí um dia, um cara apreceu" e ela, confusa disse: "Ai, Abreu, eu não sei o que eu vou ser. Eis a questão. Ser ou não ser."
A universitária fez a sua escolha: "E por sorte ou por azar, Eles não passaram no vestibular. Moram juntos até hoje mas resolveram Não casar pra não complicar."
O "nosso" Abreu não é um, mas são três. E a pergunta que essa "troyka" nos coloca, num tempo em que ainda faz sentido colocá-la, é o que queremos ser? Será que vamos chumbar no "vestibular"? Escolher quem não assume os compromissos, "para não complicar"?
É que, se queremos chegar ao "céu", alguma coisa teremos que deixar "morrer"...
Ontem assisti, em choque, ao Programa Prós e Contras.
Em choque, porque não queria acreditar no "arraial" que ali se instalou, entre um Prof. Catroga-alterado e um Pedro Silva Pereira-igual-a-si-mesmo.
Acábamos de conhecer um documento da Troyka* que nos perspectiva, a todos, anos muito duros - como bem apontou o Dr. Pires de Lima, um documento que já devia ter sido traduzido para português, para garantir que mais gente tem condições de o ler e perceber...
Acho compreensível que as pessoas andem aprensivas e assustadas. Não é caso para menos.
Seria caso, isso sim, para que a primeira preocupação de quem nos quer governar fosse a de dar confiança durante a turbulência. Não discursar sobre "confiança", mas antes transmiti-la desde logo na compostura, mas também na firmeza das ideias e na coerência do trabalho consequente.
É também por isso que tenho a opção de voto tomada.
Mesmo assim, confesso que ontem fiquei assustada.
*Neste blog usa-se "triunvirato" :)
...depois das intervenções do (ainda) Sr. Primeiro Ministro, só me ocorre isto:
Passados uns dias, depois de lido e relido o "nosso MoU" e tanta "opinião", são três as ideias gerais que me ficam:
O Sr. Presidente da República fará hoje o seu primeiro comunicado, depois de conhecidas as medidas da Troyka.
O que gostaria eu de ouvir num momento como este?
Esta parece-me a banda sonora apropriada para o final de tarde de hoje:
Por umas horas, é-me possível ver um mundo maior que as tricas e as durezas do nosso pais. Aqui, nas Conferências do Estoril, discutem-se os desafios de uma governação global, num mundo em que agora os "países ricos têm divida e os países em desenvolvimento têm dinheiro". Parece que, apesar do que se passa, não só em Portugal, " the world keeps spinning". Bom lembrar.
"A Comissão Europeia anunciou hoje que vai dar uma conferência de imprensa amanhã, às 11h00 (...). Antes, às 9h30, o Ministro de Estado e das Finanças, Teixeira dos Santos, vai também apresentar as principais linhas de orientação do acordo"- no Público.
Já imagino a banda sonora que o "Luis" vai por ao fundo: "In every job that must be done there is an element of fun. You find the fun, and snap!, the job's a game!"
Chegou ao meu email o Memorandum of Undestanding (MoU).
São 34 páginas que merecem muita atenção, mas que, dado o dia de trabalho, ainda não consegui ler...
Por defeito profissional fui ver o que dizia sobre Educação (pág. 23, 4.10).
Pontos fortes:
Não posso concordar mais, nem menos.
Fico por isso com este sentimento ambivalente de quem, por um lado vê que tem estado com a "razão" e, por outro, se entristece por terem que vir "senhores de fora" dizer o que sabemos que era para fazer...
Vou ler o resto. Já cá volto.
Por muito que as sucessivas greves dos últimos tempos me perturbem, - não só a vida, mas muitas vezes também me inquietem o espírito - a verdade é que acabo sempre por achar que cumprem um (bom) papel.
Por um lado, são um direito consagrado na Lei e, só por essa razão, merecedoras de respeito. Por outro, funcionam como um "descompressor" de tensões sociais que, nesta fase da vida do país, é provavelmente necessário e evita tumultos maiores. Somos um "povo de brandos costumes" e esta forma de expressão parece "ir connosco".
Já não sou tão compreensiva quanto às condições em que se exerce este direito.
Desta vez, refiro-me à greve da função pública prevista para esta sexta feira, dia em que cerca de 240 mil alunos cumprem o seu dever de prestar provas de aferição.
Segundo a edição online do Público, os professores não aderiram à greve, mas muitos funcionários já deram o seu pré-aviso. Ora não seria a primeira vez que, por falta de funcionários, as escolas paralisam...
Expressar a discordância com as condições de vida, à custa de alunos de 4º e 6º ano, que seguramente não têm culpas "neste cartório", parece-me injusto e muito pouco solidário.
Diz a mesma notícia que a greve " não deve afectar as provas de aferição". Não é não deve. É não pode.
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