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Rua Direita

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08
Mai11

O que tu queres sei eu.

Francisco Mendes da Silva

O programa do PSD tem um capítulo dedicado à reforma do sistema político, do qual fazem parte, entre outras, as seguintes propostas:

 

1. A redução do número de deputados, de 230 para 181. Já disse aqui o que penso da ideia. É uma tentativa de golpe pelo partido que provavelmente mais tem feito por encher o Parlamento de caciques mudos e incompetentes. Até percebo Passos: o homem olha para a sua bancada como aquela pessoa que olha para a própria casa e se pergunta como foi possível acumular uma colecção tal de bibelots imprestáveis.

 

 

2. "A introdução de mecanismos de personalização das escolhas pela via do voto preferencial opcional". Estamos a falar, julgo, do sistema do alternative vote tal como na última Quinta-feira foi a referendo no Reino Unido (também conhecido por instant runoff na Austrália, por exemplo). É um academismo que seguramente foi vendido à direcção do PSD por alguma dessas estrelas da "ciência política" ou da "politologia" que a circundam, entediada com a vida inconsequente nos gabinetes da Universidade. A verdade é que se trata de um sistema que só é utilizado para eleger membros de assembleias legislativas nacionais em três países do mundo: Austrália, Fiji e Papua Nova Guiné. No Reino Unido - onde foi referendada por proposta dos Democratas Liberais, aceite pelos Conservadores como contrapartida da inclusão daqueles na coligação de governo -, foi derrotado inapelavelmente (praticamente 70% disseram que não o queriam). As desvantagens estão resumidas aqui e aqui.

 

Seja como for, o PSD embrulha a coisa na ideia habitual: aproximar os eleitos dos eleitores. Juro que nunca percebi por que raio o afastamento é culpa do sistema. Isso de culpar o sistema - a superestrutura - é uma mania marxista que só serve para desresponsabilizar e desculpar os indivíduos. O que é que, no modelo actual, impede um deputado de prestar contas aos seus eleitores e estes de lhas pedirem? Por exemplo, no distrito onde sou eleitor (Viseu), o que é que impediu o cabeça-de-lista do PSD, o Dr. José Luis Arnaut, de ser reconhecido pelos eleitores? Desde logo, foi a distância: devem contar-se pelos dedos das mãos as vezes que o Dr. Arnaut, nos oito anos em que foi deputado por Viseu, foi ao distrito em trabalho político, escutar os eleitores. E depois, claro, foi também o desinteresse dos eleitores, que nunca questionaram ou se indignaram com a ausência do seu mal-agradecido deputado.

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