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Rua Direita

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16
Mai11

Manifesto-me pelo manifesto

Luís Pedro Mateus

O manifesto eleitoral do CDS agrada-me. Melhor, agrada-me imenso.

De facto, lendo-o todo e, de todas as propostas, apenas uma ou duas me provocarem discórdia, é obra.

 

Não concordo com o facto do CDS não querer privatizar a RTP. Não faz sentido, em nome dum "serviço público", manter todo um grupo que, ano após ano, mais não é do que um autêntico sorvedouro de dinheiro público. Não faz sentido, em nome dum "serviço público", manter um canal estatal que, apesar de ser serviço público, nenhuma diferença nele se vislumbra (a nível de conteúdo) em relação aos outros canais privados. Salvo o facto de esses darem lucro, e este não. Queriam um canal público? Houvesse pelo menos a audácia de apenas manter uma RTP2, por exemplo. E a Antena 1, talvez. Ponto resolvido. RTP1+RTP2+RTP Madeira+RTP Açores+RTP África+RTP Internacional+RTP N sobre o guarda-chuva estatal é, no mínimo, vício de país rico. Com as rádios a mesma coisa. Segundo me parece, o grupo RTP detém para cima de 10 rádios.

 

Não concordo com o facto do CDS não querer privatizar os metros de Lisboa e Porto. Porquê?

Porque, apesar de eu considerar que é necessário haver pelo menos uma rede de transporte público e que esta é vital para manter os preços acessíveis ao movimento da população numa grande cidade, não considero que seja necessário, para além dos autocarros (como é o exemplo de STCP e Carris), ter também, sob alçada estatal, redes de metro a competir com essas mesmas empresas de autocarros nos percursos e nos preços. 

 

Tudo o resto, salvo raríssimas excepções, contam com a minha total concordância.

No geral, entendo este manifesto como um manifesto pragmático e equilibrado. Sei que talvez alguns militantes ou eleitores mais liberais esperariam mais a nível da reforma de alguns sectores do Estado (no que toca a privatização de mais empresas). Mas este manifesto, não nos esqueçamos, é um conjunto de propostas, um rumo para os próximos 4 anos. Logo aí, obriga-o a ser focado e a centrar-se no essencial, no que é exequível e não a perder-se em purezas ideológicas. E nesse aspecto, as reformas apontadas, correndo bem, poderão ser apenas um começo, um ponto de partida para outras reformas mais de fundo para um futuro próximo.

 

Penso, acima de tudo, que com este manifesto o CDS foi coerente consigo próprio e com a sua história como partido.

 

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