Rua Direita
Quarta-feira, 18 de Maio de 2011
Ana Rita Bessa

As "Novas Oportunidades" (NO) são um bom conceito que vem dar resposta a um problema estrutural de formação e qualificação em Portugal.

 

De acordo com o gráfico, comprova-se que, mesmo nos grupos etários "mais jovens", Portugal está muito abaixo da maioria dos países abrangidos pelos estudos da OCDE (Fonte: OCDE, Education at a Glance 2005).

População que tem qualificação de nível secundário ou mais (2003)

 

Portanto havia uma necessidade real a ser resolvida a nível da formação de adultos e este Programa a ela se dirigiu.

 

Dito isto, elenco uma série de apreciações:

 

  • Seguramente que este Programa que, note-se, abrange actualmente mais alunos do que o sistema regular, tem muito que melhorar em termos de "eficácia" e de "processos", como por exemplo, dando maior pendor à certificação profissional vs a validação de competências. A avaliação de que falo acima, seria justamente útil para percorrer este essencial caminho de melhoria.
  • Coloca-se finalmente a questão do custo-benefício, ao qual associo uma nota sobre a missão do Estado (dito social). Será que esta é a forma mais eficiente de resolver o problema que o gráfico acima ilustra? Com toda a honestidade acho a conta difícil de fazer. Porque se num prato da balança estão os custos de gerir este sistema, do outro não estão só os ganhos marginais de salário e produtividade para trabalhadores e empresas. Está também um valor intangível de valorização pessoal e de percurso de vida, traduzido em coisas tão simples quanto capacidade de tomar decisões mais informadas.
Há que separar o "trigo do joio", quer no que respeita aos centros de novas oportunidades (porque nem todos prestam a mesma qualidade de serviço), quer no que respeita às medidas e aos processos utilizados (muitos deles ineficientes).

 

Mas sabemos que há "trigo".

 

Paulo Portas mencionou-o na sua justa medida.

 

Até o próprio PSD, que levantou toda esta polémica, o reconheceu:"A vice-presidente da Agência Nacional para a Qualificação, Maria do Carmo Gomes, lembra que a avaliação desenvolvida pela Universidade Católica foi elogiada por antigos governantes do PSD, como David Justino e José Canavarro".

 

Portanto, há que separar o trigo do joio mas, por favor, para deixar crescer o trigo.

 

 

Publicado Por Ana Rita Bessa em 18/5/11
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6 comentários:
De Marcos Teotónio Pereira a 18 de Maio de 2011 às 17:14
Muito bem explicado. A parte principal pode mesmo vir a ser a implicação que as NO podem ter na educação das novas gerações.


De Ana Rita Bessa a 18 de Maio de 2011 às 17:37
Obrigada, Marcos.
Acho que devemos ter conversas estruturadas sobre assuntos que não são de leitura linear. E não cair na tentação do "bota abaixo", só porque as pessoas se põem "a jeito". Acredito que há aqui um filão e importa-me perceber como o depurar, não tanto como o denegrir.


De João Justino Alves a 19 de Maio de 2011 às 12:27
Do meu ponto de vista é muito defensável a questão da avaliação das Novas Oportunidades no que se refere à sua relevância e custo-benefício , mas gostaria de viver num país em que essa avaliação constituísse um mero pró-forma , uma vez que nesse mesmo país a estrutura social estaria provida de pessoas, instituições e políticas isentas de dúvidas quanto à sua pertinência e eficácia, quer na acção, quer nos resultados. Assim não acontecendo, continuamos num país circular, Kafkiano, um verdadeiro processo que arrasta novos processos e por consequência uma falta de pragmatismo total.


De Ana Rita Bessa a 19 de Maio de 2011 às 13:16
Caro João J. Alves,
Agradeço o seu comentário, embora me pareça que a sociedade que descreve seja mais uma aspiração, um desígnio para o qual devemos caminhar,  do que propriamente uma realidade existente em qualquer canto do mundo :)
Como resultado de uma sociedade democrática, plural, não me choca que existam visões diferentes sobre as opções tomadas e que, por isso, seja necessário fazer "prova" da sua validade. E que , mesmo com essa "prova" feita, persistam opiniões diferentes.
O que sim me incomoda é que este pluralismo se alimente de leituras lineares e "desconstrução". Daí que tenha procurado, neste post, uma visão menos "simplista".




De joana roldão a 19 de Maio de 2011 às 17:07

Cara Ana,
Muito obrigada. De facto a INO tem muitas fragilidades, mas tem também muitas potencialidades. Como técnica dum CNO, agradeço o contributo.


De Ana Rita Bessa a 19 de Maio de 2011 às 20:24
Cara Joana,


Não tem que agradecer. Temos mesmo que nos empenhar todos com o melhor de nós, seja no trabalho- como técnica de um CNO, por exemplo - seja aqui. Não lhe parece? :)


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