Rua Direita
Quinta-feira, 2 de Junho de 2011
Diogo Duarte Campos

Nos últimos dias o PSD tem intensificado os ataques directos ao CDS/PP, agora já não vindos de segundas linhas históricas, mas de membros da direcção e do próprio Presidente. Obviamente, um tiro no pé de quem parece demonstrar já estar mais interessado no 6 de Junho do que em derrotar o PS e José Sócrates.

 

Um tiro no pé porque tais ataques são duplamente contra-producentes: por um lado, os portugueses já experimentaram duas maiorias absolutas de um só partido e ficaram vacinados; por outro lado, pressupõe que o CDS apenas consegue crescer à custa do PSD, o que manifestamente não é verdade. Reescrevo um post de 2009, mas que me parece actual.

 

 

Uma ideia que durante muitos anos fez doutrina em Portugal consiste em fazer crer que, nos que aos Partidos do arco da governabilidade tange (PS, PSD e CDS), as transferências de votos se fazem apenas de forma directa, ou seja, o PSD retiraria votos ao PS (e vice-versa) e o CDS ao PSD.

 

Dito de outra forma, a referida doutrina pressupõe, no que ao CDS tange, que este termina onde começa o PSD.

 

Naturalmente, esta ideia, repetida vezes sem conta nos órgãos de comunicação social, embora apelativa (para o bloco central), não é inocente. Com a mesma pretende-se eternizar a influência determinante que o bloco central já tem tido nos últimos 30 anos, fazendo crer que as fatias mais móveis do eleitorado apenas pelos partidos do centro são apropriadas.

 

Por outro lado, pretende-se, também, subliminarmente é certo, justificar o voto útil: todo o crescimento do CDS seria feito exclusivamente à custa do PSD

 

Porém, como as recentes – e constantes - sondagens demonstram de forma inequívoca, não só é possível que os dois Partidos à direita do PS cresçam em conjunto, donde, sem se “canibalizarem” (confesso que não gosto do termo, mas não me ocorre outro), como o mero recurso às leis da experiência confirma que o CDS é capaz de agregar, sobretudo, voto jovem muito à esquerda do PS.

 

Aliás, é curioso notar que no Distrito onde o CDS se encontra mais fortemente implantado – Aveiro – os seus bons resultados autárquicos não se fazem “à custa” do PSD, mas sim do PS. Veja-se como nos concelhos onde o CDS é mais forte o PS praticamente não existe em termos autárquicos (v.g. Albergaria, Oliveira do Bairro, Vagos ou Vale de Cambra), tendo também piores resultados em eleições legislativas (em relação à média nacional).

 

Pergunta-se então porque assim será?

 

Julgo que a resposta se encontra no facto de o CDS – ao contrário do que se faz crer - não terminar onde começa o PSD. Sem prejuízo de hoje dificilmente se poder dizer que o CDS é um partido centrista, aberto de igual maneira ao centro esquerda e ao centro direita (como terá sido com Freitas do Amaral), situando-se à direita do espectro partidário, o mesmo, sobretudo (mas não exclusivamente), na sua dimensão democrata cristã ou até mesmo social cristã, entra claramente em eleitorado que também vota ou votou PS e até em partidos mais à esquerda. Quer isto dizer que o CDS é um partido à esquerda do PSD. Não significa apenas que tem preocupações sociais mais fortes que o PSD, embora a resposta seja diametralmente oposta às socializantes. Exemplo claro, está na importância dada às estruturas intermédias da sociedades (IPSS, Associações, Misericórdias, etc), por contraposição à ideia reinante (tanto no PS como no PSD) que tudo deverá ser o Estado a suprir.

 

O CDS é, assim, um partido que atravessa todo o eleitorado tipicamente votante no PSD (com liberais e conservadores moderados), indo tocar directamente no PS (mas sem estar no pântano do bloco central), permitindo, assim, a subida simultânea dos dois partidos.

 

 

Donde, aos votantes que pretendem uma alternativa ao PS a escolha será simples: qual dos dois partidos (CDS e PSD) melhor defende os meus princípios e valores? Qual dos dois partidos tem ideias mais claras para país? Qual o partido que apresenta melhor candidato a Primeiro-ministro?

 

 Até porque: não há stress; pode votar CDS!

Publicado Por Diogo Duarte Campos em 2/6/11
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