Rua Direita
Segunda-feira, 30 de Maio de 2011
João Távora

Tenho para mim que o principal objectivo das eleições do próximo Domingo será atingido: evitar que a missão de resgate do país seja atribuída ao protagonista da sua consumada ruina.

 

O meu optimismo esbarra no entanto com um terrível receio de que Passos Coelho não possua arcaboiço para liderar a dramática e complexa empresa que se iniciará na segunda-feira, e que num fósforo porá à prova a sua firmeza e liderança, capacidade de motivar, gerar consensos e de enfrentar com firmeza as corporações conservadoras, os sindicatos avessos à mudança, e uma comunicação social sedenta de sangue, porque histórica e culturalmente comprometida com a quimera socialista.

 

É fácil reconhecer-se agora como foram injustificadas as acusações em tempos assacadas a PPC deste ser um produto comunicacional, muita parra e pouca uva ao pior estilo de José Sócrates. Antes pelo contrário: o actual líder do PSD gere uma frágil imagem, um discurso atabalhoado na forma e no conteúdo, sempre atrapalhado com as palavras que não conseguem explicar os estapafurdios argumentos soprados aos seus ouvidos por uma trágica assessoria.

 

Insisto, voltando à ideia com que iniciei este texto: a destituição de José Sócrates parece-me irreversível e será sempre uma boa notícia a 5 de Junho. Para sossegar o meu espírito inquieto, dir-me-ão os meus amigos sociais-democratas que um bom comunicador não é obrigatoriamente um bom governante. Mas se isso é verdade, certo é que o próximo executivo enfrentará um duro combate e exige uma liderança forte de excepcional desembaraço e carisma, qualidades que Pedro Passos Coelho tarda em revelar-nos. 

 

Em estéreo

Publicado Por João Távora em 30/5/11
Link do Post | Comentar
Quinta-feira, 19 de Maio de 2011
João Ferreira Rebelo

É oficial. A velha história do voto útil instalou-se na campanha eleitoral e veio para ficar, mais forte que nunca.

 

O próprio conceito de voto útil faz-me alguma confusão. Desde logo porque é a negação do mérito, enceta a si próprio a ideia de “mal menor”: eu posso não ser o melhor, mas votem em mim, pois eu tenho hipóteses de chegar ao Governo… Ou seja, pede-se aos eleitores que escolham um determinado partido não por se identificarem com as suas medidas, mas antes porque esse partido tem, tipicamente, hipóteses de ganhar eleições.

 

Contudo, deixando de lado esta vertente conceptual, incomoda-me ainda mais o triste apelo ao voto útil no actual cenário, mais precisamente nas eleições que se avizinham. Na sua lógica, pouco feliz, tem apelado o PSD ao voto útil alertando que a disputa é entre Sócrates e Passos Coelho. Um clara tentativa de saque aos votos do CDS. Para justificar esse apelo, o PSD constrói cenários pós eleitorais e (tenta) pressionar os eleitores, ameaçando-os com estruturas de Governo “estranhas”. É um erro. Não se pode pedir aos cidadãos que votem tendo por base as hipóteses que resultem do acto eleitoral. Além de soar a desespero pode ter o efeito contrário ao pretendido.

 

Por outro lado, o PSD não precisa disso, não tem necessidade de ir por esse caminho perigoso. Apresentou-se às eleições com um Programa de Governo detalhado e ousado, admito, e devia concentrar os seus esforços em passar a mensagem, explicá-lo, mostrar as vantagens de uma política de direita, vincando bem os desastres da esquerda e os erros graves de Sócrates. Até porque, mais ainda, os Portugueses não precisam que os assustem com os fantasmas pós-eleitorais, precisam antes de uma mensagem de esperança e confiança e de alguém que mostre soluções concretas e objectivas.

 

Isto tudo para dizer que os votos não se pedem, merecem-se. E aí o CDS pode dar algumas aulas ao PSD, que parece ainda não ter aprendido a lição. Na verdade, é a custa de muito trabalho, espírito crítico, mensagens de esperança claras e concisas que se mostra aos mais de 20% de indecisos qual o caminho a seguir.

Publicado Por João Ferreira Rebelo em 19/5/11
Link do Post | Comentar
Quarta-feira, 18 de Maio de 2011
Marcos Teotónio Pereira

As Novas Oportunidades têm uma dimensão de realização pessoal que é muito válida. O principal objectivo é mesmo esse. Qualquer um que assista aos trabalhos finais apresentados pode verificar o esforço e a vitória pessoal que acompanha muitos destes trabalhos.

No caminho aprende-se qualquer coisa e reforça-se competências mas não é esse o objectivo.

 

Quando se for fazer a história desta campanha desastrosa do PSD a intervenção de Passos Coelho sobre este assunto vai aparecer como o ponto de viragem em que o PSD perde definitivamente as eleições.

Publicado Por Marcos Teotónio Pereira em 18/5/11
Link do Post | Comentar | Ver Comentários (11)
Segunda-feira, 16 de Maio de 2011
João Távora

Pelo que me é dado observar por amigos meus, mas principalmente por algumas declarações públicas, como a de ontem de Marcelo Rebelo de Sousa na TVI ou hoje de Fernando Nogueira, o debate televisivo entre Paulo Portas e Passos Coelho teve uma tão imprevisível quanto benigna consequência:  um toca a reunir das até hoje displicentes hostes sociais-democratas: num saudável assomo de amor-próprio, levantam agora a voz indignada contra o populismo e a egolatria do dirigente centrista.


Pela minha parte, espero que as duas partes recentrem quanto antes as suas atenções no verdadeiro adversário, que é José Sócrates, o partido socialista e ninguém mais. Parece-me que aqui chegados, quando descobrimos um PSD resgatado às suas raízes socialistas e convertido a uma salutar estética liberal, se torna evidente que o centro direita em Portugal deveria falar claro e a uma só voz.

 

E porque os sinais que as sondagens indicam são verdadeiramente trágicos, desvendado um país alucinado que se prepara para reeleger os irresponsáveis que trouxeram o país à banca-rota, é urgente que as lideranças do CDS e do PSD se concentrem no que é essencial: em terrenos que não conflituam os seus interesses mutuos, disputando os votos aos socialistas e à abstenção. Porque o meu CDS é um partido de convicções e valores, não um partido de charneira ou populista, é impensável concebe-lo avassalado numa aliança com José Sócrates. Por tudo isto, penso que é chegada a hora do partido recentrar a sua luta nesse adversário. Sem demagogias e pelo resgate da nossa Pátria, que a empresa é incomensurável.

Publicado Por João Távora em 16/5/11
Link do Post | Comentar

Autores
Contacto
ruadireitablog [at] gmail.com
Subscrever Feeds
Redes Sociais
Siga o  Rua Direita no Twitter Twitter

Temas

'tiques socráticos'(6)

acordo(10)

administração pública(8)

ajuda externa(21)

alternativa(7)

bancarrota(13)

be(7)

bloco(11)

bloco central(5)

campanha(50)

cds(102)

cds-pp(12)

cds; psd(6)

comunicação(7)

constituição(6)

day after(8)

debate(12)

debates(52)

defice(8)

democracia(10)

desemprego(10)

desgoverno(11)

despesa pública(9)

dívida pública(11)

economia(20)

educação(19)

eleições(26)

esquerda(6)

estado social(23)

fiscalidade(14)

fmi(46)

futuro de portugal(17)

governar portugal(6)

governo(9)

humor(9)

josé sócrates(36)

legislativas 2011(6)

ler os outros(21)

maioria absoluta(26)

manifesto(32)

memorandum(38)

novas oportunidades(14)

passos coelho(13)

paulo portas(10)

política(15)

portugal(26)

programa de governo(7)

ps(108)

psd(73)

sair da crise(22)

saúde(6)

socialismo(19)

sócrates(63)

socrates(11)

sondagens(12)

troika(31)

tsu(7)

valores(6)

voto(9)

voto útil(32)

todas as tags

Últimos Links
Twingly Blog Search link:http://ruadireita.blogs.sapo.pt/ sort:publishedÚltimos Links para o Rua Direita
Pesquisar Neste Blog
 
Arquivos

Novembro 2011

Junho 2011

Maio 2011

blogs SAPO