Rua Direita
Sexta-feira, 13 de Maio de 2011
João Lamy da Fontoura

São duas palavras que, do meu ponto de vista, sintetizam a prestação de Paulo Portas no debate com Passos Coelho e, em particular, os dois pontos que, para mim, dele se destacam:

 

(a)    Perante o raciocínio em ciclo vicioso de Passos Coelho de que é ao PSD que cabe liderar o próximo Governo e que, para isso, precisa de uma ampla votação, a demonstração de que uma opção maciça dos eleitores pelo CDS não prejudica (antes pode favorecer) o derrube de Sócrates. Ilustrada pelo cenário de 23% de votos no PSD e 23,5% no CDS, assistimos a uma claríssima refutação - aliás, sem resposta - da tese do voto pretensamente útil. Daí o desassombro;

 

(b)   A clarificação de que o essencial, no que respeita à representação política, estará na proporcionalidade na conversão dos votos em mandatos e não tanto no número de deputados total na Assembleia da República. Aí reside a desmistificação (e a certidão de óbito?) daquele que vem sendo apontado como um dos temores recorrentes daqueles que se revêem no CDS.

 

Isto exposto - e não é pouco, já que aqui vai ínsita a assunção do CDS como uma alternativa real -, a consistência da linha de actuação e do caminho proposto pelo CDS tomaram forma no próprio debate, restando, apenas, uma dúvida, que Passos Coelho não esclareceu: se não era o CDS, quem seria, então o «pau de cabeleira»?

Publicado Por João Lamy da Fontoura em 13/5/11
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Francisco de Almeida

Pedro Passos Coelho: Temos de baixar a TSU porque está num documento a dizer que é crítico e vamos financiar isso com o aumento de impostos. Quais? Nem ideia, como aliás podem perceber pela diferença de opiniões dentro do partido.

 

Paulo Portas: Estudei o assunto a fundo. Tenho uma série de reservas sobre a sua implementabilidade, já que não quero onerar mais o povo com o imposto mais injusto de todos. Não me posso comprometer com políticas que prejudicam mais os Portugueses do que ajudam, e tenho alternativas à redução da TSU para dinamizar a economia.

 

Numa frase: Um está preparado para ser primeiro ministro o outro nem equipa tem!

Publicado Por Francisco de Almeida em 13/5/11
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Quarta-feira, 11 de Maio de 2011
Francisco de Almeida

Passados já três debates, fico com a sensação de que falta qualquer coisa.

 

Passa-se muito tempo a criticar o actual governo e o candidato José Sócrates e muito pouco a falar do que eu considero essencial: as medidas concretas que cada um pretende aplicar, o impacto dessas medidas no país e nos Portugueses, e sobretudo, como é que cada um dos candidatos pretende dinamizar o crescimento da nossa economia.

 

Não se iluda quem acredite que o programa de governo está definido pela Troika. O acordo exprime linhas orientadoras para contenção de custos e aumento de receita do estado. Falta a transformação de muitas dessas linhas orientadoras em medidas concretas, e a capacidade de implementação dessas mesmas medidas. Falta também, a definição clara dos mecanismos que vão sustentar o crescimento económico, que não me parecem estar tão explícitos no acordo.  É nisto que importa avaliar os candidatos a Primeiro Ministro.

 

A crítica ao governo e a José Sócrates é, na minha opinião, uma infeliz manobra de diversão. É obviamente importante avaliar o trabalho feito por este governo, mas, o fraquíssimo trabalho por ele realizado nos últimos 6 anos, e a triste figura do actual PM são tão óbvios que até comentadores internacionais que olhem brevemente para Portugal o constatam com alguma facilidade. Continuar a "bater no ceguinho" vai permitir dar ao "ceguinho" exactamente o que ele quer: Por um lado, a pena do povo alimentando o seu argumento do "coitadinho"; Por outro, desviar a atenção das medidas concretas propostas por cada partido, alimentando o seu segundo argumento, o de que "estão todos a contribuir para uma crise política mas ninguém propõe nada melhor do que eu para nos tirar da actual situação".

 

Eu acredito que não há qualquer tipo de racionalidade em dar um voto que seja ao Sócrates. Quanto mais rápido os partidos assumirem isto e deixarem de lutar activamente contra a ideia de que José Sócrates pode ser reeleito, mais rápido vamos poder assistir a discussões mais construtivas sobre o que de facto é importante para todos nós: como é que pretendem tirar-nos desta "alhada". 

 

Publicado Por Francisco de Almeida em 11/5/11
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Terça-feira, 10 de Maio de 2011
Luís Pedro Mateus

Saldo rápido do debate de ontem: ao contrário de 2009, em que o debate entre os dois me pareceu muito equilibrado, ontem Portas saiu com ligeira vantagem. Estava mais calmo, soube resistir às provocações e insistir nos pontos que mais doíam a Sócrates.

 

Sócrates, por outro lado, apesar de ter tido um bom começo, não conseguiu disfarçar a sua falta de calma e irritação em alguns momentos. Penso que saiu a perder com toda a encenação da capinha vazia e com o show final de olhar a câmara, como se estivesse a olhar directamente para os portugueses. De resto, na sua cartilha, esteve impecável. Nem outra coisa seria de esperar. Ela está minuciosamente decorada por toda a máquina do PS.

 

Alguns pormenores:

 

1) Primeiro, Sócrates acusou o CDS de não ter qualquer proposta e de apenas ter querido fazer cair o Governo, para pouco tempo depois dizer que as propostas do CDS (agora já as tinha) eram populistas e iam todas no sentido de aumentar despesa, e não de reduzir.

 

2) Penso que faltou a Portas insistir, preto no branco, nem que para isso fosse preciso repetir, as propostas de reduzir os vencimentos e o número dos gestores de empresas públicas que o PS chumbou, as tentativas de suspender as grandes obras e a suspensão de novas PPP. Referiu, ao de leve, o TGV e as PPP. Penso que se abordasse os vencimentos dos gestores das empresas públicas, apesar de não ter tanto peso no orçamento, teria mais peso na percepção popular.

 

2) Sócrates acusou Portas de chumbar o PEC4 e agora assinar o acordo da troika, que tem todas as medidas do PEC4. Portas esteve bem aqui, em quase toda a argumentação. Centrou-se nas diferenças e nos erros do PEC4 no que tocava as pensões mínimas e esse foi um dos pontos mais baixos para Sócrates, desmentido que foi em directo. Faltou no entanto, a meu ver, salientar que para além das grandes diferenças entre os dois planos, a maior diferença é que este vem com a contrapartida de um empréstimo que é essencial para a sobrevivência financeira do país.

 

No geral, um bom debate. Portas soube dosear a argumentação e as intervenções para vários públicos-alvo. Misturou interpretações de dados económicos (que nem toda a população percebe) com considerações mais básicas e acessíveis. Salpicou isto com duas frases fortes como "vive na estratosfera" e "mente mal" que, convenhamos, muita gente gostaria de ter a oportunidade de dizer a Sócrates olhos nos olhos. Não se duvide que Portas, no terreno, receberá os devidos louros do povo por ter tido a audácia de o dizer.

Publicado Por Luís Pedro Mateus em 10/5/11
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Segunda-feira, 9 de Maio de 2011
João Monge de Gouveia

O debate ainda não acabou e já se nota que Sócrates vive noutro Pais qualquer que não Portugal.

No fundo, acho que vive no seu próprio Mundo, onde tudo é diferente da realidade.

 

Publicado Por João Monge de Gouveia em 9/5/11
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