Rua Direita
Quarta-feira, 11 de Maio de 2011
Francisco de Almeida

Passados já três debates, fico com a sensação de que falta qualquer coisa.

 

Passa-se muito tempo a criticar o actual governo e o candidato José Sócrates e muito pouco a falar do que eu considero essencial: as medidas concretas que cada um pretende aplicar, o impacto dessas medidas no país e nos Portugueses, e sobretudo, como é que cada um dos candidatos pretende dinamizar o crescimento da nossa economia.

 

Não se iluda quem acredite que o programa de governo está definido pela Troika. O acordo exprime linhas orientadoras para contenção de custos e aumento de receita do estado. Falta a transformação de muitas dessas linhas orientadoras em medidas concretas, e a capacidade de implementação dessas mesmas medidas. Falta também, a definição clara dos mecanismos que vão sustentar o crescimento económico, que não me parecem estar tão explícitos no acordo.  É nisto que importa avaliar os candidatos a Primeiro Ministro.

 

A crítica ao governo e a José Sócrates é, na minha opinião, uma infeliz manobra de diversão. É obviamente importante avaliar o trabalho feito por este governo, mas, o fraquíssimo trabalho por ele realizado nos últimos 6 anos, e a triste figura do actual PM são tão óbvios que até comentadores internacionais que olhem brevemente para Portugal o constatam com alguma facilidade. Continuar a "bater no ceguinho" vai permitir dar ao "ceguinho" exactamente o que ele quer: Por um lado, a pena do povo alimentando o seu argumento do "coitadinho"; Por outro, desviar a atenção das medidas concretas propostas por cada partido, alimentando o seu segundo argumento, o de que "estão todos a contribuir para uma crise política mas ninguém propõe nada melhor do que eu para nos tirar da actual situação".

 

Eu acredito que não há qualquer tipo de racionalidade em dar um voto que seja ao Sócrates. Quanto mais rápido os partidos assumirem isto e deixarem de lutar activamente contra a ideia de que José Sócrates pode ser reeleito, mais rápido vamos poder assistir a discussões mais construtivas sobre o que de facto é importante para todos nós: como é que pretendem tirar-nos desta "alhada". 

 

Publicado Por Francisco de Almeida em 11/5/11
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Terça-feira, 10 de Maio de 2011
Zélia Pinheiro

Interessante e lúcida análise de Manuel Maria Carrilho na TVI. O debate com Paulo Portas revelou pela primeira vez um José Sócrates à defesa, e um PS que se apresenta triplamente isolado: sem parceiro - depois de PSD e CDS convergirem na estratégia de não aceitar governar com o PS, só pode prometer um impasse ao país, com um governo de minoria em conflito com o presidente; sem programa - com um programa que não integra as propostas da troika e se limita a dar mais do mesmo, "só faltando trazer de novo os magalhães"; sem equipa -  com Sócrates sozinho com o seu bunker, sem economistas nem independentes.

Publicado Por Zélia Pinheiro em 10/5/11
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Tiago Loureiro

Ao longo do debate de ontem, José Sócrates usou e abusou de um argumento que vai percorrer toda a sua campanha: entre o PEC 4 e o acordo celebrado com a troika não existem diferenças significativas, facto que revela o oportunismo daqueles que reprovaram o primeiro e que não hesitaram em dar o seu aval ao segundo.

 

Sem querer ir ao pormenor, há dois factos relevantes que tornam estes pacotes de austeridade bastante diferentes na hora de optar por um:

 

- Por um lado, a troika fará implementar em Portugal uma série de medidas com um impacto estrutural significativo no comportamento do estado e dos seus agentes, fazendo correcções duras mas inevitáveis para um país que se quer solvente e soberano;

 

- Por outro, este acordo com a troika arrasta consigo taxas de juros na ordem de metade do valor daqueles a que Portugal se conseguiria financiar com o PEC 4.

 

Portanto, nada mais justo do que dizer que, com a troika, conseguimos a “importação” de um princípio de projecto reformador do estado a… preço de saldo. Continuar na ilusão socialista era continuar a definhar. A diferença é óbvia. A escolha também.

Publicado Por Tiago Loureiro em 10/5/11
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Luís Pedro Mateus

Saldo rápido do debate de ontem: ao contrário de 2009, em que o debate entre os dois me pareceu muito equilibrado, ontem Portas saiu com ligeira vantagem. Estava mais calmo, soube resistir às provocações e insistir nos pontos que mais doíam a Sócrates.

 

Sócrates, por outro lado, apesar de ter tido um bom começo, não conseguiu disfarçar a sua falta de calma e irritação em alguns momentos. Penso que saiu a perder com toda a encenação da capinha vazia e com o show final de olhar a câmara, como se estivesse a olhar directamente para os portugueses. De resto, na sua cartilha, esteve impecável. Nem outra coisa seria de esperar. Ela está minuciosamente decorada por toda a máquina do PS.

 

Alguns pormenores:

 

1) Primeiro, Sócrates acusou o CDS de não ter qualquer proposta e de apenas ter querido fazer cair o Governo, para pouco tempo depois dizer que as propostas do CDS (agora já as tinha) eram populistas e iam todas no sentido de aumentar despesa, e não de reduzir.

 

2) Penso que faltou a Portas insistir, preto no branco, nem que para isso fosse preciso repetir, as propostas de reduzir os vencimentos e o número dos gestores de empresas públicas que o PS chumbou, as tentativas de suspender as grandes obras e a suspensão de novas PPP. Referiu, ao de leve, o TGV e as PPP. Penso que se abordasse os vencimentos dos gestores das empresas públicas, apesar de não ter tanto peso no orçamento, teria mais peso na percepção popular.

 

2) Sócrates acusou Portas de chumbar o PEC4 e agora assinar o acordo da troika, que tem todas as medidas do PEC4. Portas esteve bem aqui, em quase toda a argumentação. Centrou-se nas diferenças e nos erros do PEC4 no que tocava as pensões mínimas e esse foi um dos pontos mais baixos para Sócrates, desmentido que foi em directo. Faltou no entanto, a meu ver, salientar que para além das grandes diferenças entre os dois planos, a maior diferença é que este vem com a contrapartida de um empréstimo que é essencial para a sobrevivência financeira do país.

 

No geral, um bom debate. Portas soube dosear a argumentação e as intervenções para vários públicos-alvo. Misturou interpretações de dados económicos (que nem toda a população percebe) com considerações mais básicas e acessíveis. Salpicou isto com duas frases fortes como "vive na estratosfera" e "mente mal" que, convenhamos, muita gente gostaria de ter a oportunidade de dizer a Sócrates olhos nos olhos. Não se duvide que Portas, no terreno, receberá os devidos louros do povo por ter tido a audácia de o dizer.

Publicado Por Luís Pedro Mateus em 10/5/11
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Rodrigo Lobo d´Ávila

 

"Eu paguei". Assim começa a frase de José Sócrates ,quando ia tentar mais uma vez fazer um "fó-ró-bó-dó" com a lenga-lenga submarinos, no debate de ontém.  Não é muito diferente, nem sequer está longe da celebre frase da saudosa Elisa Ferreira:"O dinheiro é do estado, é do PS". Estas duas frases, com a ideia subjacente dos recursos do estado como propriedade do Engenheiro e do PS, são as frases que melhor simbolizam a governação Socrática.  Uma governação em que, como nunca na história Portuguesa, uma classe dirigente chega ao poder e toma de assalto totalmente toda a máquina do estado , para depois a utilizar como rampa de lançamento para controlar determinados sectores estratégicos da sociedade. Tudo numa lógica de domínio total e de permanência absoluta no poder.

 

- É preciso fazer um Aeroporto e um TGV desnecessários, mas que vai dar uns votos ao PS? Que importa se o país se endivida monstruosamente, se é Sócrates que paga!!

 

- É preciso o Sr. Pinto de Sousa a  ir às escolas, distribuir computadores duvidosos aos meninos, para aparecer no telejornal da tarde? Qual é o problema, o dinheiro é do PS...

 

- É preciso tomar de assalto o BCP,  e assim controlar um dos mais importantes bancos nacionais... Quem paga? É o banco do PS Estado.

 

- É preciso em vésperas de eleições, subir os ordenados aos funcionários públicos e aumentar brutalmente a despesa pública (com uma série de outros gastos muito imaginativos), para "salvar a Economia Portuguesa" em nome do recém-descoberto Keynesianismo. Que interessa se isso contribui para o aumento gigante da divida pública portuguesa? Que interessa se isso põe o estado e o país à beira do abismo, se é bom para Sócrates e para o PS? Afinal o Estado é Sócrates, e o país é o PS.

 

Tudo se faz e todo o dinheiro público se esbanja para que, pela graça da Esquerda Gira e Moderna, Sócrates e o PS reinem absolutamente no país.

 

 

É por isso que ontem, Portas esteve muito bem em afirmar três ideias chave:

 

1) Sócrates não é o primeiro-ministro, é apenas candidato. Assim quebrou a ideia que o PS tem tentado passar "de que não há alternativa a Sócrates, logo ele tem que ser mesmo permanente". 

 

2) Sócrates é o principal responsável pela bancarrota do país. Durante o seu consulado foi cavado um buraco de perto de 80 mil milhões €, para o qual Portugal foi atirado.

 

3) O doente não pode ser tratado por quem o pôs às portas da morte. Ou seja José Sócrates não deve voltar para o governo, nem deve sequer ter hipótese de tocar com um dedo que seja nos 78 mil milhões que vão servir para saírmos do buraco em que estamos. Se tiver essa oportunidade ainda se lembra de fazer uma ponte daqui até aos EUA, em nome da "aproximação de nações culturas" ou outra patetice qualquer.

 

P.S.: Foi bom ouvir Portas a usar a palavra Triunvirato em vez da "chique" designação Troika. Por pior fama (merecida ou imerecida) que tenham o FMI, BCE e Comissão Europeia,  compara-los a tribunais sumários estalinistas (que se divertiam a executar massivamente camponeses ucranianos),  é de um grande mau gosto e falta de cortesia, pelo que nunca deveria ter sido utilizado, principalmente pelos senhores membros do governo.

Publicado Por Rodrigo Lobo d´Ávila em 10/5/11
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