Rua Direita
Quarta-feira, 1 de Junho de 2011
Zélia Pinheiro

A nossa bancarrota é o resultado de um somatório de políticas erradas, já o sabemos.

Entre elas está aquilo a que se pode chamar uma gestão danosa do sector empresarial do Estado. Em particular no sector dos transportes, em que a dimensão das empresas e a essencialidade dos serviços prestados potenciam um peso acrescido dos sindicatos, essas políticas traduziram-se numa espiral de cedências a reivindicações corporativas - de acréscimos salariais, subsídios, regalias e  excepções da mais variada ordem -, sem nunca aparentemente se ter pensado que um dia talvez se batesse no fundo.

Interessava a todos, pois os gestores também iam construindo o seu regime de excepção muito próprio, feito de remunerações desproporcionadas e ausência de efectivo controlo dos resultados da gestão. E os políticos "accionistas" eram os últimos interessados em impedir esta escalada, que lhes prometia reformas douradas num mundo empresarial perfeito, em que os lucros não eram contrapartida do risco.  

Agora que batemos mesmo no fundo com estrondo, lemos aqui e ali coisas como esta: o sindicato dos tripulantes da TAP está disposto a empreender uma greve total de 10 dias que causará 50 milhões de prejuízo à empresa, em resposta ao anuncio da medida de redução de um elemento por voo. A medida faz parte do cumprimento do acordo com o FMI, que impõe uma redução de 15% nos custos do  sector empresarial do Estado.

E percebemos que provavelmente estamos reféns do monstro insaciável e tentacular que criámos.

Publicado Por Zélia Pinheiro em 1/6/11
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Terça-feira, 31 de Maio de 2011
CM

Caminhos-de-Ferro (2010)

 

Passivo:  3.666 Milhoes de EUR   (2.2% PIB)

Capital Próprio:  -2.446 Milhoes de EUR   (1.5% PIB)

Resultados:  -195 Milhoes de EUR

 

Remuneração orgãos sociais: 454 mil EUR

 

REFER (2010)

 

Passivo:   2.712 Milhoes de Eur   (1.7% PIB)

Capital Próprio:  -1.445 Milhoes de EUR   (0.9% PIB)

Resultados:   -146,5 Milhoes de EUR

 

Remuneração orgãos sociais: 495 mil Eur

 

Carris (2010) 

 

Passivo:   903  Milhoes de Eur   (0.6% PIB)

Capital Próprio:  - 734 Milhoes de EUR   (0.4% PIB)

Resultados:   -41,5 Milhoes de EUR

 

remuneração orgaos sociais: 464,5 mil Eur

 

Metro do Lisboa (2009)

 

Passivo:    4.072  Milhoes de Eur    (2.5% PIB)  

Capital Próprio:  -333  Milhoes de EUR   (0.2% PIB)  

Resultados:  -148,5   Milhoes de EUR   

 

Remuneração Orgaos Sociais: 506 mil Eur

 

Transtejo / Softlusa (2009, contas apenas disponíveis em www.dgtf.pt )

 

Passivo: 180,6  Milhoes de EUR    (0.1% PIB)

Capital Próprio:  -96,1 Milhoes de EUR    (0.1% PIB)

Resultados:   -17 Milhoes de EUR

 

Metro do Porto (2010)

 

Passivo:   3.434 Milhoes de Eur     (2.1% PIB)

Capital Próprio:  - 1.157 Milhoes de EUR    (0.7% PIB)

Resultados:   -351,8  Milhoes de EUR

 

Remuneração orgãos sociais: 627 mil Eur

 

 

 

Resumo:

 

- recapitalizar estas empresas custa 3.8% do PIB ou 6.211 Milhoes de Eur.

- só em 2010 (estimado) perdeu-se 0.6% do PIB em prejuizos ou 900 Milhoes de Eur

- os passivos já amontam a 9.8% do PIB ou 14.967 milhoes de Eur

 

Notas:

 

- o défice em 2010 cifrou-se em 9.1% do PIB.

- as fontes dos números sao os relatórios de contas dos anos referidos, disponíveis nos sites de cada empresa. As remunerações são extrapoladas das informaçoes fornecidas nos referidos relatórios.

 

Conclusão:

 

- Chega de gestão PS/PSD!

Publicado Por CM em 31/5/11
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Segunda-feira, 30 de Maio de 2011
CM

REFER, CP, Carris, Transtejo, Metro de Lisboa, Metro do Porto, STCP, etc etc etc...

 

A verdade é que a maior parte destas empresas é de capitais exclusivamente públicos e actuam "teoricamente" em concorrência, numa fantasia altamente onerosa para os cofres do Estado e para os contribuintes.

 

Ponto prévio: o uso de transportes públicos deve ser incentivado. Sob todos os pontos de vista, é algo positivo para o País: melhor para o ambiente, poupança de recursos, melhoria da qualidade de vida nas cidades, melhoria de acessibilidades, menor dependencia de combustíveis.

 

No entanto, de que serve essa crença, se esse incentivo na prática não existe ?

 

Em Lisboa, só para dar o exemplo para evidente, o Metro e a Carris disputam/concorrem os mesmos percursos por causa da dita "concorrência". Claro que por causa dessa concorrência acabam por oferecer melhores serviços nos mesmos percursos. Lisboa é das poucas cidades do mundo onde metro e autocarro tem linhas sobrepostas, numa clara antitese do conceito de transporte e serviço público.

 

Para agravar a situação não nenhuma interligaçao relevante entre as diversas empresas, parecendo que o utente é que tem que se adaptar aos horários impostos, como se tratasse de uma inevitabilidade do serviço público.

 

Não faz sentido ter tantas empresas diferentes para o mesmo propósito: transporte. A fusão de, pelo menos, as diversas empresas da esfera das áreas metropolitanas seria nao só uma forma de poupança de recursos, mas tambem de proporcionar uma gestão integrada de percursos, oferecendo melhores serviços, com menor número de corpos de direcçao. Por outro lado, estaria a inverter a lógica de empresas cada vez mais pequenas e incapazes de investir sem a ajuda do Estado, ganhando escala, o que talvez pudesse ambicionar a quem sabe um dia dar lucros...

 

Nota final: estas diferentes empresas foram sempre criadas numa optica de espalhar despesa para que nao parecesse tão evidente o desperdício quando junta no mesmo balanço ou orçamento. Parece-me que já é tempo de acabar com a brincadeira de empresas públicas para tudo e para nada.

Publicado Por CM em 30/5/11
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Bernardo Campos Pereira

PS e PSD continuam às turras, quando no sector dos transportes a situação torna-se cada vez mais dramática devido ao modelo de gestão que estes dois partidos criaram para o sector. 

Publicado Por Bernardo Campos Pereira em 30/5/11
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Domingo, 22 de Maio de 2011
Gabriel Silva

Se há algo que é totalmente inaceitável, é 10 milhões de portugueses estarem a subsidiar algumas das empresas mais deficitárias do país que apenas beneficiam uns 3 a 4 milhões de portugueses. Que por sinal vivem nas regiões com maior rendimento médio.

 

As empresas de transportes Carris, Metro de Lisboa, Metro do Porto e STCP deviam ser devolvidas (porque já foram municipais em tempos recuados) aos respectivos municípios. E estes devem ser dotados dos poderes para cobrar os necessários impostos sobre os seus cidadãos-eleitores (e apenas sobre esses), se entenderem que tal serviço deva ser subsidiado pelas comunidades que tiram proveito do serviço. Em alternativa podem sempre cobrar o preço de custo...

 

Agora, manter o país a financiar os transportes de Lisboa e Porto é ridículo e totalmente abusivo. É mesmo uma transferência de rendimento dos mais necessitados (o resto do país) para os mais abastados ou remediados. Mas parece que é também parte do estado social que temos e que ninguém se dispõe a acabar....

 

O que pensam os futuros deputados do PP fazer sobre o assunto?

Publicado Por Gabriel Silva em 22/5/11
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